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Conheça este acessório, muito popular nos carros da década de 50, item obrigatório para alguns projetos, mas praticamente inédito no Brasil

Texto: Victor Rodder
Fotos: Divulgação

Curb feelers

Para garantir a audiência e não torrar a paciência de ninguém, em vez de continuar escrevendo sobre os ícones do universo Hot Rod, o que seria o mais lógico e esperado, já que a série vem fazendo sucesso entre os leitores (aliás, obrigado a todos que têm mandado e-mails e comentários no meu Facebook), este mês o papo é sobre um acessório muito popular nos carros da década de 50 e que hoje é item obrigatório para alguns projetos, segundo a opinião de muitos rodders lá de fora. Não que falte assunto para a série “Ícones”.

Pelo contrário, mas quero escrever com calma e propriedade, trazendo para vocês, leitores, o melhor material possível. E o que vem por aí é realmente especial. Não vou contar ainda do quê ou de quem estou falando, mas posso dizer que é um dos poucos nomes que ajudaram a formar o conceito de “Kustom Kulture” e ainda está por aí. Mas, voltando ao assunto, nesta edição escolhi falar de algo que é relativamente comum nos Estados Unidos, essencial, segundo os mais puristas, mas que não me lembro de ter visto em nenhum projeto brasileiro até hoje. Não é novidade para ninguém que, olhando atentamente para alguma coisa que nos agrada, percebemos que são os pequenos detalhes que, somados, fazem do conjunto algo bonito ou não. São eles, os detalhes, que fazem a diferença. E uma das coisas que, para muita gente lá fora, é essencial em alguns projetos de customização, e que é pouco utilizado aqui, no Brasil, são os curb feelers.

Como é?

Curb feelers, ou curb finders, são um tipo de mola ou arame instalado em um veículo, que funcionam como uma espécie de “bigode de gato” para alertar o motorista da proximidade do meio-fio ou de outro obstáculo qualquer. Descrever um curb feeler é uma tarefa inglória, mas, para a sorte de todos nós, esta é uma revista ilustrada! Como é possível ver nas fotos, este dispositivo é instalado na parte de baixo do corpo do carro, perto das rodas, de modo que, à medida em que o veículo se aproxima do meio fio, o curb feeler produz um som dentro do carro, evitando que o motorista raspe as rodas, pneus ou até mesmo as calotas. Os feelers ou finders são fabricados de materiais flexíveis, justamente para não quebrarem quando o meio-fio (curb) se aproximar demais.

Hoje em dia, curb feelers não são mais usados em carros convencionais. Com a invenção de sensores de estacionamento e espelhos retrovisores que podem ser ajustados pelo lado de dentro dos carros, eles perderam sua função. Isto sem comentar que, para muitos designers de automóveis, eles eram horríveis. Mas, na década de 50, eram muito, muito populares. Especialmente se você dirigia um carro que tinha o tamanho de um iate, pneus faixa branca e calotas cromadas.

Instrumento de trabalho

Lembro quando vi pela primeira vez um curb feeler em um encontro de hot rods nos EUA, em 2008. Fiquei intrigado! Que diabos eram aquelas “anteninhas”? Perguntei para algumas pessoas o que eram e qual sua utilidade. E a explicação veio de forma rápida e de fácil compreensão. Eram para evitar que pneus faixa branca e calotas raspassem no meio fio. Mas, alguns anos depois, vi curb feelers em um filme de época em um carro da polícia, que não tinha nem faixa branca nem calotas. Minha curiosidade me cutucou de novo, mas achei que era algum erro de produção. Pensei que o carro, originalmente, deveria ter calotas e faixa branca e, por algum motivo, substituíram as rodas e esqueceram dos curb feelers. Mas quando vi “Cars”, a animação da Pixar, aquele filme voltou à minha cabeça e resolvi pesquisar.

Descobri em um fórum de hot rodders que, na década de 50, alguns policiais usavam os curb feelers para outros propósitos, muito diferentes da proteção do patrimônio público. Eles usavam para medir a distância que os carros estacionados se encontravam do meio-fio, para verificar se eles estavam corretamente estacionados. Estes policiais instalavam curb feelers mais longos do que o usual, e costumavam alinhar a viatura policial no começo da quadra de lugares frequentados pelos jovens daquela época e vinham dirigindo devagar, quase raspando os carros que estavam estacionados. Se o feeler encontrasse algum carro “desalinhado”, a multa já era dada. Muitas vezes sem que o policial sequer tivesse que descer do seu carro para colocá-la no para-brisa, tamanha a proximidade com que rodavam. Pelo menos foi assim que eles disseram. Sorte a nossa que, nos dias de hoje, policiais e rodders se dão bem!

 

Nas lojas

Mesmo sendo um acessório típico dos anos 50, até hoje os curb feelers são fabricados e encontrados à venda em lojas de autopeças para carros “normais”, como a J C Whitney. Nessas lojas, o que encontramos são as versões clássicas, sem muitos detalhes ou enfeites, no máximo cromadas. Quando estavam na moda, no auge de sua utilização, havia inúmeras formas, estilos, cores e maneiras de prender para os finders. Alguns fabricantes inovaram tanto que havia modelos até com luzes. Infelizmente, parece que esse tipo específico de curb feeler, com luz, não é mais fabricado, sendo uma peça muito cobiçada por colecionadores de carros. Mas ainda hoje é possível encontrar algumas coisas curiosas. Quando procuramos um pouco melhor, descobrimos que a indústria de peças e acessórios para hot rods e carros antigos de hoje já tratou de criar novas peças. É possível encontrar curb feelers com dados, bolas de sinuca e até crânios nas pontas.

Como disse no começo deste artigo, a diferença entre um bom projeto e um de mau gosto pode estar somente nos detalhes. Às vezes é um acessório como o curb feeler que vai fazer do seu carro algo muito legal ou não. Saber usar um detalhe ou acessório é muito importante. Se você gostou da ideia de usar um curb feeler, é bom lembrar que eles eram feitos especialmente para proteger pneus faixa branca e calotas cromadas. Então, se seu carro não tem nem um nem outro, ou você faz uma viatura policial e encarna aquele xerife californiano FDP da década de 50, ou deixa a ideia dos feelers de lado.

Por outro lado, se você quer fazer um projeto que realmente remeta aos carros customizados dos anos 40 e 50, você precisa de curb feelers. E quem está dizendo isso não sou eu. Segundo o The Hokey Ass Message Board – ou The H.A.M.B., como é mais conhecido, um kustom que se preze e queira realmente estar contextualizado como projeto do final da década de 40, meados da década de 50, tem de ter curb feelers. Numa enquete promovida pelo fórum, os membros foram convidados a descrever o que deveria ser feito e qual tipo de acessório era indispensável para um carro que quisesse trazer os elementos das customizações clássicas. E o resultado foi quase unânime em alguns itens, dentre eles, curb feelers.

Curiosidades

Algumas vezes os curb feelers eram instalados somente no lado do passageiro, já que, nos Estados Unidos da década de 50, era desse lado da via que os carros estacionavam. Também eram comuns curb feelers instalados somente próximos às rodas dianteiras, pois, uma vez alinhadas as rodas da frente, as traseiras dificilmente raspariam (pelo menos foi essa a explicação que eu encontrei).

Alguns feelers tinham um único arame ou mola, enquanto outros tinham dois, o que aumentava a área de proteção. Alguns nomes “comuns” de marcas de curb feelers na década de 50: Adjust-O-Matic e Drive-o-matic Parking Curb Finder.

Curb feelers continuaram a ser usados até a década de 1980 como um acessório comum. Depois disso passaram a se tornar, cada vez mais, um artigo nostálgico. Seu auge foi na década de 50, mas nos anos 60 também foram largamente utilizados, de modo que, em um low rider, não destoa. . Curb feelers foram tão populares que acabaram enraizados na cultura norte-americana. Ainda hoje existem ditados, expressões idiomáticas e gírias que fazem referência aos curb feelers. Um exemplo é quando chamam um bêbado de curb feeler. Aqui no Brasil dizemos que “o cara tá lambendo a sarjeta”. Lá dizem: “Man that fucker is a curb feeler” .

Apesar de ter lido sobre a existência de curb feelers em carros customizados e leads leads já no início dos anos 40, achar uma imagem deste acessório em um carro daquela época não foi tão fácil. Mas, graças à ajuda de um colega, encontrei este belo exemplo, o Mercury ’39 de Bill Spurgeon, que foi reestilizado pelos irmãos Barris, da Barris Kustoms, em 1946. Parte da customização foi feita na oficina onde George Barris trabalhava antes de abrir seu próprio negócio, na Jones’s Body, Fender & Paint Shop.

Como se vê, o carro foi muito bem “shopado”: teto rebaixado, para-lamas traseiros diminuídos e estreitados, estribos retirados e uma chapa de metal adicionada ao final da carroceria. O carro ainda foi “nosed” e “decked” e os frisos laterais encurtados na altura do capô. Saias nas rodas traseiras, calotas Flipper e curb feelers fecham o pacote de acessórios. Agora vem a parte boa: sabe quanto custou? Lataria: $300! Pintura na cor “cherry apple red”: $175. Nesse mesmo ano um Mercury zero custava $2.000 e um Cadillac $3.500!

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