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Equipe de Hot Rods se aventura em uma das mais lendárias rodovias de todo o planeta: desbravamos a mítica Rota 66!

Texto e Fotos: Ricardo Kruppa

Rota 66

Como um amante de hot rods, sou daquele tipo de pessoa que prefere uma longa viagem a bordo de um carro antigo do que um par de horas dentro de um avião. Não por outro motivo, em minha vida já realizei inúmeros longos deslocamentos guiando carros como o Ford Fairlane 1959 que nos conduziu ao Uruguai no ano passado, um Ford 1931 que me levou ao sul do país e um Impala 1963 que também rodou bastante em território nacional.

Com a América do Sul já colonizada por nós da Hot Rods, resolvemos então buscar um novo desafio. Então pensei: qual seria o local propício para encontrar um verdadeiro arsenal de carros e peças antigas? Algumas possibilidades passaram pela minha cabeça, tais como o Estado de Nevada, nos Estados Unidos. Eis que então a ideia de rodar pela Rota 66 surgiu e me colocou em xeque: cruzar o deserto do Estado de Nevada ou a lendária Rota que cruza o país de Chicago até Santa Mônica, na Califórnia.

A tradição, as histórias e a atmosfera criada em cima da Rota 66 pesaram na decisão e então o problema foi outro. Escolher quais amigos levar para a viagem.

Acontece que alguns critérios precisavam ser religiosamente respeitados. Todos os envolvidos na viagem precisariam ser do tipo que topa qualquer parada, a qualquer momento, e aguenta, na raça, e sem reclamação, os imprevistos, as complicações e intempéries que uma jornada desta magnitude apresenta.

Depois de considerar a companhia de diversos amigos e colegas que fiz ao longo de décadas neste universo dos hots, fechamos a trupe com o falante empresário César “Cesinha” Avelar, Marcelo Bonfogo, também empresário, e Cosme Santos, customizador da Garage Old School.

Route 66: sem destino

Embarcamos no Aeroporto Internacional de Guarulhos (SP), sem a certeza de qual veículo encontraríamos para nos conduzir nesta empreitada. Esta decisão seria tomada apenas quando chegássemos a Los Angeles, na Califórnia.

Já em terras yankees fomos rapidamente afetados pela primeira dificuldade que viria a surgir em nosso caminho. Nos deparamos com uma oferta de carros extremamente caros para o que havíamos planejado. Com o dólar cotado a quatro reais (à época), ficou ainda mais difícil de encontrar o modelo com a qualidade ideal. Pesquisamos em vários sites e classificados até encontrarmos o modelo que buscávamos.

Eis então que surge um segundo problema logo em nossas primeiras horas em solo norte-americano: o carro estava disponível em Phoenix, no Arizona, a cerca de 600 quilômetros de Los Angeles.

Depois de oito horas de estrada, ficamos frente a frente com o protagonista desta história, um Lincoln 1979, modelo Town Car, “uma barca” com nada menos do que seis metros de comprimento.

Mudança de planos

Nossa ideia era encarar 20 dias de estrada partindo da Califórnia, de Santa Mônica, percorrendo a Rota 66 até a metrópole Chicago. Acontece que o fato de precisarmos ir primeiramente para Phoenix mudou todos os nossos planos.

Ainda em Phoenix, recordei de um velho amigo que lá reside há mais de duas décadas e resolvemos visitá-lo. Este amigo é um velho conhecido dos leitores de Hot Rods: Luciano Lacerda, mais conhecido por lá como Lucky Luciano, proprietário da oficina que carrega seu nome, especializada em customização, tanto de veículos novos quanto antigos.

Luciano, um excelente anfitrião, não apenas nos recebeu com uma hospitalidade tipicamente brasileira, como também fez questão de nos auxiliar com uma manutenção preventiva no Lincoln.

Desert Valley

Antes de colocar o pé na estrada, por indicação de Luciano, fomos a um famoso desmanche localizado próximo à sua loja. Trata-se do local utilizado pela trupe do programa da Discovery Channel Desert Car Kings.

Lá, além de encontrar peças extremamente raras de se ver por aqui, pudemos bater um papo com parte da equipe do programa. Para se ter uma ideia, este local reúne cerca de 2.000 carros, além de peças. Um verdadeiro museu no meio do deserto de deixar qualquer aficionado de queixo no chão. Talvez apenas o calor de aproximadamente 47 graus Celsius tivesse desanimado um pouco neste dia. Sem contar a preocupação com cobras e aranhas, para as quais fomos exaustivamente alertados pelo pessoal local. Entretanto, a paixão pelos restos mortais de verdadeiras relíquias automobilísticas nos fez encarar estes pequenos obstáculos.

Pé na estrada

Devido às mudanças no plano original, tivemos que refazer nosso itinerário. Chegamos à conclusão que seria mais fácil percorrer a Rota partindo de Chicago já que nos encontrávamos em Phoenix, e assim fizemos. Por meio das Highways 40 e 44, levamos três dias para percorrer cerca de 2.900 quilômetros e chegar ao que seria o início da nossa verdadeira viagem.

Não é fácil encontrar o início da Rota estando em Chicago. Tivemos que parar para buscar informações em diversos momentos. Acontece que a saída para a Rota fica em uma rua absolutamente comum e sem sinalizações que favoreçam os viajantes. Apenas uma singela placa “Begin Historic Route 66”, cravada bem na área limítrofe, entre a desconhecida Rua Adams e a lendária Rota.

No início da Rota, em alguns momentos, ela corta o centro das cidades que atravessa e ainda na parte que corresponde ao município de Chicago, conhecemos alguns pubs e pontos turísticos famosos na região, tais como o Lake Shore Drive e o Chicago History Museum.

Illinois, Missouri, Kansas, Oklahoma, Texas, Novo México, Arizona, Nevada e Califórnia. Foram necessários 10 dias para cruzar 9 estados, dirigindo cerca de 18 horas por dia, num esquema de revezamento.

Das estradas em melhores condições do Illinois, passando pelos poucos pontos atrativos do Missouri, chegando a um maior e melhor sinalizado sistema rodoviário do Kansas. Este foi apenas o início da nossa aventura.

Illinois

No início a sensação era de que estávamos perdidos. A todo momento sentíamos a necessidade de parar e buscar alguma confirmação sobre nossa localização, isso devido à má sinalização, que é facilmente compreendida pelo fato de que a Rota é um sistema viário já desativado oficialmente.

Um dos primeiros pontos de interesse visados foi o Roadside Attraction, ainda em Illinois. Trata-se de um posto de combustível Texaco da década de 30 que foi preservado como ponto turístico local.

Museu

Em seguida, nos deparamos com um dos pontos mais interessantes de toda a viagem. A cidade de Pontiac. Pontiac (nome originário de uma tribo indígena) é uma cidade pequena, porém muito charmosa, que possui cerca de 12.000 habitantes. É conhecida por estar situada ao longo da histórica e folclórica Rota 66. Trata-se, aliás, de uma cidade que aprendeu a capitalizar os benefícios geográficos de estar situada ao longo da rota. Sua avenida principal faz com que você esqueça por alguns instantes que está em uma cidade tão pequena.

É nesta fusão de cidade pequena, muito calor e um boulevard extremamente charmoso que se situa o Pontiac Automobile Museum.

A história do museu começou há exatos cinco anos, em 2010, quando Tim Dye, um dos maiores aficionados pela montadora Pontiac, retornava para casa, em Oklahoma, após participar de um encontro de proprietários de Pontiac em Chicago.

Durante o trajeto, Tim se deparou com uma placa que indicava a cidade de Pontiac e, por curiosidade, resolveu dar um pulinho até lá para conhecer o município que levava o nome de sua marca predileta.

Lá se deparou com o museu da cidade e, ao perceber que a parte reservada para a montadora não passava de um livro de memórias, tratou de procurar imediatamente o diretor do Museu. E sem pestanejar, lhe ofereceu uma oportunidade. “Eu tenho o maior acervo e a maior coleção Pontiac que você irá ouvir falar em toda a sua vida. Se quiser ter um verdadeiro museu Pontiac dentro da cidade de Pontiac, basta me procurar”.

Não deu outra! Em janeiro de 2011 o museu da cidade estava se reformulando para receber toda a relíquia de Tim e, em julho daquele mesmo ano, o museu Pontiac Automobile abriu as portas para o público pela primeira vez.

Nós, da equipe Hot Rods, estivemos lá e podemos garantir que as imagens que trouxemos conosco são pouco perto da riqueza e grandiosidade que este local reúne. Não apenas para o fãs da Pontiac, mas do automobilismo em geral.

Welcome

Percorrendo a Rota 66 os viajantes se deparam com centenas de sinais, murais e outras formas de propaganda e comunicação visual. Trata-se da maneira que os comerciantes locais encontraram para atrair clientes quando a estrada estava no auge, lá nos anos 60.

Alguns destes locais permanecem abertos e com seus banners e estátuas ainda ativos. Acontece que mesmo os comércios já extintos, deixaram pra trás seus chamarizes e alguns podem ser vistos ao longo da rota. Em comum, estas “boas-vindas” publicitárias são feitas de fibra de vidro e algumas possuem tamanhos que podem chegar aos cinco, seis metros de altura.

Um destes exemplos é o simpático Paul Bunyan Café e seu mascote, criado originalmente em 1962, desenhado naquele momento para segurar um machado, que acabou passando por um tratamento politicamente correto e que hoje ostenta um inofensivo hot dog em suas mãos.

Festival

Ainda em Illinois, outra importante atração do roteiro. O International Route 66 Road Festival, em Springfield. O evento, que acontece anualmente em setembro, reúne milhares de veículos clássicos e vintage, além de oferecer atividades culturais, comidas típicas e atividades de integração para toda a comunidade local, bem como para visitantes da região. Infelizmente nós passamos por lá duas semanas antes da realização do evento, mas pudemos conferir sua organização e montagem, o que apenas nos deixou ainda mais interessados em, quem sabe, um dia retornar para prestigiá-lo.

Kansas

Pela primeira vez cruzamos fronteiras na Rota 66. Kansas foi o segundo estado visitado. Riverton, Baxter Springs e Galena foram as três cidades cruzadas neste estado. Em Galena, nossa parada foi no Cars on The Route. O local, décadas atrás, funcionava como um posto de abastecimento e era propriedade de quatro mulheres. À época chamava-se “Four Women on the Route”, “Quatro mulheres na estrada”. As mulheres já não são mais proprietários do local, que nem mesmo combustível vende mais. Apenas o ponto turístico e uma lanchonete minimalista funcionam no local.

Linhas férreas abandonadas ao longo do estado e algumas poucas lojas de peças e suvenires em Baxter são as demais atrações locais.

 

Missouri

Cidades abandonadas ou habitadas por uma quantidade extremamente pequena de moradores. Esta foi a primeira impressão que o estado do Missouri nos deixou. Talvez um dos trechos menos entusiasmantes de toda a Rota 66. Um dos principais polos ferroviários e portuários do país, é no Missouri que fica o hotel Main Stay Suites, onde finalmente pudemos repousar um pouco mais após um começo de viagem a todo vapor.

Este trecho da viagem também foi marcado pela existência de alguns carros abandonados em terrenos baldios, tais como Studebaker, Impala e Ford F1.

SOBRE A ROTA 66

A Rota 66, com 3.850 quilômetros, é considerada a estrada mãe para os americanos. Ela foi aberta em 11 de novembro de 1926 e inaugurada  em 1928, com o nome de Will Rogers Highway, embora a maior parte da estrada tenha sido pavimentada décadas mais tarde.

Declarada extinta do sistema viário americano em 27 de junho de 1985, a Rota foi uma estrada que deu origem a muitas cidades, que nasceram em sua função e que depois desapareceram depois de seu fechamento. Durante o final dos anos 80 e começo dos anos 90, devido a seu envelhecimento, a Rota foi sendo destruída e outras novas estradas nacionais mais largas e modernas surgiram. No deserto, há trechos totalmente destruídos, até mesmo sem asfalto, e outros onde a estrada, literalmente, acaba. Muitas das cidades abandonadas hoje ostentam apenas ruínas e se tornaram aquilo que chamamos de cidades-fantasma.

Esta viagem só foi possível graças ao apoio das seguintes empresas:

Revista Hot Rods

www.cteditora.com.br/revistahotrods.

VFort Pneus

www.vfortpneus.com.br.

Ferretti Studebaker

www.studebaker.com.br.

Garage Old School

www.garageoldschool.blogspot.com.

Main Stay Suites

http://fortwoodhotels.com/mainstay-suites-fort-leonard-wood.asp

Lucky Luciano Custom Paint

www.luckylcustom.com

VEJA TAMBÉM: Vídeo: Hot Rods percorre a Rota 66 (EUA).

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