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Da pequena miniatura para os sete metros de comprimento, exemplar COE exibe estilo e originalidade em pleno movimento moderno: raridade e exclusividade

Texto: Bruno Bocchini
Fotos: Ricardo Kruppa

Caminhão Ford COE 1946

O primeiro filme do diretor Steven Spielberg, (Duel, 1971 – traduzido para o português como Encurralado) mostra um vendedor de produtos eletrônicos sendo perseguido por um Peterbilt 281 enferrujado por estradas abandonadas da Califórnia. Ao volante de seu automóvel Plymouth, a vítima nunca consegue ver o rosto do caminhoneiro. Segundo Spielberg, o caminhão foi escolhido porque sua parte frontal lembra “uma face humana”.

A sigla COE poderia indicar alguma unidade policial como Comando de Operações Especiais, ou ainda, assim como o Peterbilt, emplacar mistério. Fato é que COE, de Cab Over Engine, é um estilo de corpo de caminhão com a frente plana e cabine estruturada acima do eixo dianteiro. É, em resumo, um verdadeiro contraste do tradicional caminhão que recebe o motor montado na frente do condutor. O COE é diferente e não esconde sua vocação de épico.

Orlando Souza França, 39 anos, empresário de Curitiba (PR), não é cineasta, mas faz do ofício uma arte. Ele foi responsável pelo projeto do caminhão customizado Ford COE 1946 que pertence ao amigo Ricardo Fiorin Anhoque, de Vitória (ES). “A inspiração veio de uma miniatura que eu tinha há muitos anos. Coincidentemente meu amigo Ricardo, hoje proprietário do COE, também tinha uma miniatura do modelo. Sempre gostamos muito dessa versão e então resolvemos fazer um seguindo a pequena réplica. Particularmente acho esse caminhão lindo”, comenta Orlando.

A ideia de resgatar os velhos caminhões das décadas de 40 e 50 foi mantida, mas, para garantir pequenas mudanças Orlando “apimentou” a proposta com elementos que transformaram o caminhão-cegonha em um veículo luxuoso. “Evidente que esse formato foi nascido para ser um cegonheiro, como ainda é, mas o deixamos incrementado. Foi uma soma do passado com a modernidade que o caminhão de hoje precisa receber. Por isso alguns vão dizer que dá até pena de carregar automóvel nele, mas o COE é bravo”, explica Orlando.

Dentre os detalhes em destaque modificados para o COE estão a suspensão pneumática com controle remoto e o para-brisa basculante em alumínio. Apesar do modelo antigo já contar com o formato basculante, Orlando alargou a cabine do caminhão e, por isso, definiu que a estrutura da janela frontal precisaria ser refeita. Com medida total de 7,20 metros, o COE recebeu ainda um equipamento de reboque elétrico com controle remoto, mesmo mecanismo visto em modelos utilitários 4×4.

Alguns detalhes estéticos seguiram a mesma linha da miniatura do modelo, como a grade frontal mais alongada e cromada e o mesmo para-choque curvilíneo. E foram os “mimos” que conceberam ao caminhão o tom mais luxuoso: rodas Speedline com usinagem feita pela empresa de Curitiba Artbillits, kit de escapamento polido e para-choque em alumínio. “Esse cuidado com o caminhão também é visto no interior, como a instalação do ar-condicionado e os relógios de instrumentos ODG, mas ainda falta personalizar o som”, sugere o projetista.

Para dar conta de empurrar a brutalidade do COE, Orlando optou pela mecânica bi turbo. O motor Cummins de 170 cavalos e quatro cilindros é moderno e mais compacto – projetado para atender veículos de até 9 toneladas. A vantagem de instalar o Cummins é que ele possui engenharia térmica mais avançada e permite operar em temperaturas mais altas, o que possibilita as reduções das dimensões do sistema de resfriamento. “Justamente por incluir nesse projeto uma mecânica mais moderna, minha maior dificuldade foi fazer a parte elétrica do caminhão. O motor tem muitos componentes eletrônicos, são muitos sensores e é difícil encontrar mão de obra especializada nessa área. Mas no fim deu certo e completamos a estrutura do COE com o kit de freios a disco e a ar”, lembra Orlando.

Na plataforma, prêmio para casa!

O Ford COE de Ricardo Fiorin só não é “coisa de cinema” porque falta esbarrar com algum produtor ou cineasta. Mesmo sem os holofotes de Hollywood, o caminhão foi centro das atenções durante a última edição, ocorrida em junho, do encontro de antigos na cidade de Águas de Lindoia (SP). Dentre as diversas premiações do evento, o COE venceu na categoria “Modificados Hot/Street” provando que do anonimato para a fama é só uma questão de tempo. Tamanho e estilo não faltam para preencher qualquer telona!

 

FICHA TÉCNICA

Ford COE 1946

Mecânica/estrutura

Motor Cummins de 170 cv; alimentação bi turbo; suspensão pneumática; guincho elétrico de reboque; freios a disco e a ar e kit de escapamento refeito e polido.

Parte interna

Volante Lenker Rossetti, instrumentos ODG, tapeçaria e bancos refeitos.

Parte externa

Rodas Speedline com usinagem, grade frontal alongada e cromada, retrovisores cromados, para-brisa basculante em alumínio e detalhes laterais cromados na plataforma.

Quem fez?

Orlando Souza França – (41) 9268-2065

VEJA TAMBÉM: Ford COE 1946: Caminhão? Eu?

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