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Chevrolet Fleetmaster 1947, projeto da vida de rodder catarinense, é apresentado por belíssima hot rod girl! Confira!

Texto: Victor Rodder
Fotos: Mel Gabardo/Divulgação

Chevrolet Fleetmaster 1947

A história deste Chevrolet Fleetmaster 1947 que começamos a contar agora teve início quando recebi um convite para visitar a ilha de Florianópolis (SC). E assim parti, em companhia da fotógrafa Mel Gabardo, que iria então “estrear” neste universo, já que seus trabalhos anteriores eram oriundos do universo da moda.

Deixamos Curitiba (PR) com três opções de veículos em mente. Nada, no entanto, 100% confirmado. Entendi que era o momento de buscar algo “com mais cor” para a publicação, e em conversa com Mel Gabardo durante o deslocamento chegamos à conclusão de que a utilização de pin-ups nos ensaios era uma ótima ideia, mas que buscar uma “hot rod girl” seria ainda melhor.

O problema é que devido ao pouquíssimo tempo que tivemos para organizar a viagem e todos os seus pormenores tornaria praticamente inviável a possibilidade de realizar um produção completa, o que incluiria encontrar, além da modelo, quem fizesse a maquiagem, o cabelo, a iluminação, achar uma locação ideal e tudo mais.

A ideia começou a sair efetivamente do papel depois que havistamos, da própria janela do hotel onde nos hospedamos, uma pequena vila de pescadores próxima ao Iate Clube local. Alguns telefonemas depois já possuíamos autorização para fotografar naquele local, enquanto Mel Gabardo localizara, com sucesso, uma excelente opção de modelo fotográfica para a nossa proposta: Mágeli Martinez, com quem fomos nos encontrar na Lagoa da Conceição.

Mágeli é gaucha, mas vive em Santa Catarina já há muitos anos. Modelo para ela é apenas um hobby. Faz apenas os trabalhos que gosta e com as pessoas com as quais simpatiza (para sorte dos leitores da Hot Rods, ela topou fazer esse ensaio fotográfico).

Faltava então confirmar a máquina. Meu primeiro contato, feito com os dedos cruzados, foi com Mário Pacheco de Sousa, empresário de Blumenau (SC), cidade que ficava a 160 quilômetros de distância de onde nos encontrávamos. Por este motivo, imaginei que convencê-lo a fazer esse trajeto poderia ser um empecilho.

No entanto, já nas primeiras palavras, ficou bastante claro que se tratava de um verdadeiro hot rodder. Mário só perguntou o essencial e disse que estaria disposto a ajudar no que fosse preciso. Para fechar o staff responsável pelo ensaio, conhecemos, aos 45 minutos do segundo tempo, o cabeleireiro Luis Alberto, do salão Jacques Janine, outro apaixonado por hot rods e rock and roll, que fechou com chave de ouro essa muito bem-sucedida empreitada.

A fera

Nas mãos de Mário, e sua esposa Lucia de Sousa, desde 2003, o carro chegou em Blumenau original. Logo de cara já ganhou um chassi de Blazer, assoalho levantado em 20 cm – colando o carro no chão, mas garantindo o conforto para rodar, e um motor mais potente: um propulsor seis cilindros do Opala 1992 com três carburadores.

As rodas foram presentes da esposa de Mário, que um dia entrou numa loja de rodas, e deu de cara com este modelo Foose, que não lhe deixou dúvidas. O casal entendeu que a configuração atual “chamava” por um V8, e chegou a comprar um Chevrolet V8 350 novinho, mas com todos os altos e baixos dos oito anos fazendo o sonho de um hot virar realidade, tiveram que vender o motor, câmbio e mais algumas peças para investir em sua fábrica. Foram tempos difíceis. Somado a isso, o nascimento da filha fez com que muitas prioridades fossem revistas. Mas a dupla já tinha a ferrugem no sangue e as dificuldades só tornaram mais interessante toda essa aventura.

Passadas as dificuldades, voltaram ao projeto do carro com toda força e, hoje em dia, o 47, que ainda está sendo finalizado, já trás uma boa dose de entretenimento aos seus proprietários. O carro vai de 0 a 100 Km/h em menos de cinco segundos e passa facilmente dos 200 km/h. É seguro e confiável, com todas as peças novas, muitas delas fabricadas pelo próprio Mario, como o coletor de escapamento, as barras de tração, suporte de cambio, suporte de motor, radiador, alternador e até o curioso suporte do conta-giros: o copo é de filtro de óleo cortado e o pé veio do retrovisor de um Landau, sendo que ambas as peças estavam “perdidas” dentro carro quando este foi comprado.

Além disso, Mário colocou, literalmente, a mão na massa. Preparou mais de metade da lata, refez algumas partes da lataria, como parede de fogo, sinaleiras embutidas e a placa embutida e sempre que podia ajudava nos demais trabalhos realizados no carro.

Foram oito longos anos que, segundo Mario, serviram como uma escola, onde ele aprendeu a soldar, tornear e, principalmente, fazer novos amigos. “Você entra em outro mundo”, afirma o orgulhoso proprietário da máquina. “Gostaria de agradecer aos meus amigos, que ajudaram em muitas ocasiões, e em especial à minha esposa, Lucia, que sempre acreditou neste sonho sobre rodas! Gostaria de dizer a todos que não desistam dos seus sonhos, por mais torto, enferrujado ou difícil que sejam”, conclui Mario. “Realizar é a melhor parte!”, finaliza.

VEJA TAMBÉM: Chevrolet Bel Air 1956: Um sonho de Chevy.

Agradecimentos: APEP – Associação dos Pescadores da Prainha

Ficha Técnica – Chevy 1947

Parte externa

Shaved – a lataria foi toda alisada, sem frisos e maçanetas

Lanternas traseira – impala 1962

Faróis embutidos – opala

Parachoques – Kombi

Paralama traseiros – alargados 3 cm

Paralama dianteiro – borda alargada e friso vincado inspirado no Camaro ‘69

Espelho externos – Harley Davidson

Pintura – tinta fabricada em poliéster

e verniz PU

Parte interna

Instrumentos – dolphins e altometer

Coluna direção – art billit

Volante – specilaties billets

Bancos – peugeot 207 e traseiro mazda mx3

Mecânica

Chevrolet V8 big block 454 com 500 HP e 73Kg torque

Comando – Compcams XE 274

com 9.8 de taxa

Carburador – Migthy Demon 800 cfm c/ annular booster

Bomba oléo – milodon HV

Bomba água – HV de corvette

Cabeçotes – aluminio Procomp

Pistão forjado – K&B

Biela forjada – Scat

Virabrequim forjado – do motor 502 ZZ

Dimensionado em inox – fabricada pelo proprietário

Cambio – tremec TKO 600

Embreagem – centerforce dual friction

Diferencial – dana 44 c/ blocante

Eaton True Trac

Freio a disco dianteira blazer v6 e traseira zafira c/ pinça do peugeot 307

Roda Foose 17×8 e 18×10

Amortecedores – a gás

VEJA TAMBÉM: Vídeo: Chevy 1934: Na pele!.

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