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No melhor estilo rat rod, Chevy embala soma de mecânica original com detalhes que fazem a diferença por onde passa; marcha lenta é “a menina dos olhos” para este que é o terceiro proprietário

Texto: Bruno Bocchini
Fotos: Ricardo Kruppa

Chevy Commercial 1938

Fábio Athaydes Tatsch, 41 anos, parece inquieto. Não apenas pela profissão que escolheu, mecânico de automóveis, mas, sobretudo, pela capacidade de não desistir tão facilmente de projetos e aliá-los ao gosto excessivo por modelos antigos. Proprietário da Old Brothers Customs and Repair, em Curitiba (PR), o entusiasta reviveu este modelo Chevy Commercial 1938 em sua própria oficina. E, acredite, passaram-se muitos anos até que o automóvel chegasse a essa configuração atual.

“Curto muito carros Chevrolet das décadas de 1920 a 50. Tenho outros carros e caminhões de outras marcas também. Comprei esse Chevy em 1993, todo original, do filho do primeiro proprietário. Então já faz 23 anos que mantenho o veículo”, conta Fábio.

Antigamente, o veículo era utilizado pela família do primeiro dono para a prática de caça. Mas 30 anos avançaram e o clássico ficou parado durante todo esse período. “O carro permanecia em um galpão desde que o dono havia falecido. Mas a família se preocupava em fazer a mecânica funcionar sempre. Quando decidi comprar, usei o Chevy com a pintura e interior originais durante cinco anos”, lembra.

Após essa fase, Fábio dava sinais de que precisava implementar suas características no automóvel. Foi então que resolveu desmontá-lo. “É aquela velha história: casa de ferreiro, espeto de pau. Desmontei o carro e ele ficou por 15 anos assim, encostado na minha garagem”, explica.

Chevy Commercial 1938
Chevy Commercial 1938

RETOMANDO O FôLEGO

Somente no ano passado Fábio decidiu resgatar o projeto do modelo Commercial e colocar em jogo suas ideias e inquietudes diante das ações. Para isso, manteve a mecânica praticamente original (que hoje registra 30 mil milhas). Trata-se de um motor seis cilindros em linha com sistema de lubrificação “pescador”, bomba de combustível de vidro e filtro de combustível de vidro, carburador pé de ferro, motor de arranque no pé (com quatro pedais no assoalho, sendo que o do canto direito é a partida), um câmbio de três marchas e diferencial e caixa de direção originais.

A suspensão é composta de quatro feixes de molas originais recalandrados para rebaixar e amortecedores originais de varão com dupla ação. “Foram alterações para melhorar o rodar do carro no dia a dia, mas mantive original pensando em deixá-lo alinhado para somar a linha original com o estilo rat rod que viria”, garante.

Na estrutura interna da carroceria um show à parte: há referências de ipê amarelo inclusive nos arcos do ragtop 100% originais. O painel permanece com a pintura original bege com todos os instrumentos originais funcionando. Fábio fez apenas duas alterações internas: chave de seta de painel anos 50 e os bancos, que vieram de um Chevrolet Suburban 1949. “Parecem bancos concha de lata forrados de algodão cru no tom bege e marrom. Ficaram legais. Detalhe também do Rat Fink pintado a pincel por mim no porta-luvas”, detalha.

Esteticamente, o Chevy teve a cor do bloco e caixa em vermelho (antes era verde). O chassi, eixos e a suspensão foram devidamente tratados e pintados de preto Cadillac PU. Já a lataria por fora teve apenas a pintura original removida e é mantida escura com produto antiferrugem. “Esse tipo de carro sempre fez sucesso por onde passa. Neste caso, quando as madeiras apodreciam eram enviadas diretamente para a fundição. Sempre havia cuidado em manter a originalidade. E uma curiosidade é que, como apliquei o visual rat macabro e nas portas a pintura “Funerária Saint Gertrudes” sempre tem gente que pergunta se é um carro funerário mesmo. É engraçado”, comenta Fábio.

A inscrição nas portas não foi acaso. Gertrudes era a sogra do primeiro proprietário deste Chevy Commercial e Fábio quis manter a homenagem (mas de um jeito um tanto quanto inusitado). E para completar esse visual “agressivo”, rodas aro 16 pintadas de vermelho com sobrearo de inox de Ford 1941. Há ainda calotas de C10 brancas com pintura original para combinar com as faixas brancas dos pneus 6.50 convencionais. “Eu nunca vi uma igual, muito menos nesse estilo rat. Sei que existem três registradas no Brasil, mais também nunca vi algum desses modelos. Uso  esse Chevy raramente. Tenho prazer em mantê-lo comigo, mas só saio em dias ensolarados ou noites estreladas para dar uma voltinha. A marcha lenta é linda. Se os outros donos de Chevy Commercial também rodam pouco, por isso nunca os encontrei”, pontua.

Do velho meio de locomoção para um trabalhador que caçava, passando pela poeira de trinta anos de um galpão até chegar ao vigor pleno que exibe nas ruas. Este Chevy Commercial tem “aposentadoria” especial por tempo de serviço. E se precisar, as calotas originais existem e estão guardadas. Dá para acreditar?

Chevy Commercial 1938

Mecânica

Bloco 6 cil em linha com sistema de lubrificação “pescador”, bomba de combustível de vidro e filtro de combustível de vidro, carburador pé de ferro, motor de arranque no pé, câmbio de três marchas e diferencial e caixa de direção originais;

Estrutura

Suspensão de quatro feixes de mola originais e amortecedores originais de varão com dupla ação;

Interior

Volante original, painel original, chave de seta de painel anos 50 e os bancos de Chevrolet Suburban 1949;

Exterior/estética

Carroceria estilo rat rod (desgastada), rodas aro 16 pintadas de vermelho com sobre aro de inox de Ford 1941, calotas de C10 brancas com pintura original, pneus faixas brancas 6.50 convencionais, ragtop e acabamentos em Ipê amarelo;

Quem fez?

Old Brothers Customs and Repair. Tel. (41) 9909-2622.

VEJA TAMBÉM: Vídeo: Caminhão Fargo 1948.

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