Customização: Aparando as arestas – Parte 1

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Aparando as arestas
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­Cantos arredondados em customs são uma das muitas “ferramentas” disponíveis para o customizador deixar o carro mais suave, com linhas que fluem melhor

Texto: Victor Rodder
Fotos: Custom Car Chronicle/Divulgação

Aparando as arestas do carro

Como já mencionei em vários outros artigos, no Brasil as fronteiras entre hot, street, custom, kustom, low, etc são muito mais flexíveis do que em outros países. Mas, se olharmos bem, vamos ver que temos uma tendência muito maior a admirar, e consequentemente, produzir mais hot rods do que outros estilos de antigos modificados.

E como aqui temos algumas boas opções de carrocerias de fibra para modelos fabricados entre 1927 e 1940, os customs da década de 1950 circulam por aí em menor número. E se falarmos de customs feitos seguindo as receitas certas, tradicionais mesmo, o número cai ainda mais!

Talvez por isso eu ainda não tenha visto em nenhum custom brasileiro uma das personalizações que acabaram se tornando características nos customs das décadas de 1940 e 50, e que se tornaram muito marcantes: os cantos arredondados em porta, capô e tampa de porta-malas.

Cantos arredondados em customs são mais uma das muitas “ferramentas” disponíveis para o customizador deixar o carro mais suave, com linhas que fluem melhor, combinando mais com o desenho geral do carro (como expliquei algumas edições atrás). Uma carroceria bem cortada, alinhada, livre dos excessos que a indústria automotiva dos anos 40 e 50 às vezes impingia, quando finalizada com os cantos de capô, portas e porta-malas arredondados, faz com que o conjunto estético de um carro fique surpreendentemente mais agradável.

Ao primeiro olhar, você nota que o carro agrada, atrai, mas não sabe bem explicar o porquê. E esse é justamente o segredo: fazer alterações suaves e sutis no carro, não agressivas. Alterações que, aos olhos do leigo, pareçam ser parte do projeto original do carro. E os cantos arredondados são assim: uma mudança sutil, que não salta aos olhos, mas que quando não está lá, faz falta.

Aparando as arestas
Os Mercury 1939 vinham de fábrica com os cantos superiores da tampa do porta-malas arredondados, o que tornava esses modelos realmente muito atrativos. Os Mercury 1940 conversíveis e os modelos coupe também tinham esse mesmo desenho de tampa traseira. Mas, para todos os modelos produzidos a partir de 1941, esta característica foi simplesmente deletada do design dos carros.

Quando começou? 

Para apresentar a vocês um pouco da história desse tipo de alteração, fui pesquisar em alguns lugares, e quem melhor definiu as origens dos cantos arredondados foi Rik Hoving, do site Custom Car Chronicle, que gentilmente me cedeu as imagens que ilustram esse artigo.

Rik é, dentre outras funções, o editor-chefe do CCC, historiador de carros personalizados, e quem iniciou em 2004 um verdadeiro museu on-line de customs cars. Rik também é designer gráfico e tem muitas histórias e conhecimento para compartilhar. Ainda vamos falar muito dele nesta revista.

Mas voltando aos cantos arredondados, sempre pensei que esta técnica fosse algo inerente aos primórdios da customização, lá pelos idos de 1930, já que se encaixam tão bem na aparência suave exigida na modificação desses carros.

Mas, segundo Rik, na verdade o arredondamento de porta, capô, etc. é algo que começou somente muitos anos depois, quando cortar tetos já era um “padrão”.

Como acontece com a maioria das coisas no início da história dos carros personalizados, não há muito registro escrito ou fotográfico dos primeiros anos. Por isso, é muito difícil dizer quando exatamente o primeiro teto foi cortado, a primeira grade foi estreitada ou quando os primeiros cantos foram arredondados, para fazer com que um carro parecesse melhor, maior, mais ágil, e mais exclusivo.

O que se pode dizer com certeza é que, já em 1950-51, arredondar os cantos de carros personalizados era muito popular. Mas muitos carros famosos no mundo da customização já tinham cantos arredondados desde a década anterior.

E o curioso é que, pelo visto, neste casso os customizadores é que imitaram Detroit, já que os Mercury cupês e conversíveis de 1939-40 já vinham de fábrica com essa característica. Sim… saíam da fábrica com os cantos do porta-malas arredondados.

Não é possível dizer ao certo porque, em 1941, a FoMoCo tirou da linha de montagem os cantos arredondados. Mas, obviamente, arredondar cantos da tampa traseira tornava a fabricação mais cara e demorada, já que era necessário mais material na fabricação e uma mão de obra mais qualificada para os acabamentos.

Mas, mesmo sendo inegável para qualquer um que olhasse, que os cantos arredondados nesses carros pareciam tão bons, e faziam tudo fluir muito melhor, depois de 1940 nunca mais tivemos cantos arredondados saindo de uma linha de montagem. E veja, essa característica era exclusiva dos Mercury 39/40. Os Ford do mesmo ano tinham os cantos regulares, retos.

De acordo com Rik, o arredondamento dos cantos em carros feitos “sob medida” começou em meados da década de 40, na Califórnia, quando os carros com teto de metal, os cupês e os sedãs de 5 janelas, tinham os tetos rebaixados e os trilhos (ou calhas, ou canaletas) de chuva eram retirados. Com essa nova forma lisa no teto, mais “limpa”, o teto aparentava realmente ser muito maior, e as linhas do carro fluíam mais, deixando-o muito mais agradável do que com as calhas de chuva e o teto na altura original.

Mas os cantos superiores quadrados das portas interferiam nesse fluxo estético. Como melhorar isso? Você já sabe a resposta!

Este problema, das linhas das portas em conflito com as linhas do teto, não era tão evidente nos cupês de 3 janelas, como os Ford 35. Estes carros já tinham de fábrica os quadros superiores da porta arredondados, acompanhando melhor a parte traseira dos tetos. Assim, mesmo depois de cortar o teto desses cupês 3 janelas, as linhas do carro pareciam bem casadas. Mas com os sedãs 5 janelas, com o teto baixo e as calhas retiradas, a solução era arredondar os cantos superiores das portas, para assim, fazer com que as linhas se combinassem e a nova forma do teto não “brigasse” com as portas.

Na próxima edição, vou trazer um pouco mais desse tema, e mais algumas fotos de carros customizados na década de 50, com e sem os cantos arredondados! Confiram!

VEJA TAMBÉM: Customização: Aparando as arestas – Parte 2.

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