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Entusiasta transforma Dodge Dart em um Charger R/T para acalmar o coração e continuar ouvindo o bom e velho som do bloco V8

Texto: Bruno Bocchini   Fotos: Ricardo Kruppa

“Nem todo dentista gosta de motorzinho”. Essa é a ideia que Ronei Lopes Campos, 46 anos, cirurgião dentista de São Paulo, projeta diante de seu modelo Dodge Charger R/T. O sonho de ter um autêntico motor V8 já era formulado ainda na infância e, claro, a memória se fez presente. “Lembro-me, quando criança, jogando bola na rua de terra do Parque São Domingos, em São Paulo, ver um grande carro, com teto de vinil e dois escapamentos. Eu nunca me esqueci daquele Charger dourado, ele ainda visita meus sonhos”, relembra.

A trajetória de Ronei até encontrar o Dodge foi, no mínimo, inusitada. Este modelo estava em uma oficina na cidade de Mairiporã (SP) e havia sido entregue a um funileiro como parte de pagamento da restauração de um Cadillac. Mas, mesmo diante de toda empolgação, problemas iriam incomodar o entusiasta. “Para ser bem sincero, eu não escolhi o Dodge, eu fui escolhido por ele. Esse funileiro precisava de grana e então eu realizei o sonho de ter um autêntico V8. Após um ano de trabalho diante do Dodge percebi que ele estava com uma cor feia, sem as linhas e frisos demarcados, que são características do carro. Fiquei decepcionado”, conta.

O modelo original era um Dodge Dart 1975 cupê. Como o carro já estava em uma oficina de restauração, Ronei optou por realizar os serviços ali mesmo. Sem a empolgação ao ver o clássico pronto, o cirurgião dentista decidiu “convocar” um amigo para refazer o trabalho. “Foi nesse ponto que o grande amigo e de extrema competência Rogério Seawright me disse: ficou bom, mas, se você quiser, eu refaço tudo. Aceitei imediatamente. Naquela época, Rogério chamou Cosme Santos, especialista em Dodge e em todo tipo de restauração, para nos ajudar com novas ideias”, explica.

Durante a fase de pesquisa e discussão do novo projeto, Ronei conta que Cosme percebeu a falta de empolgação dele com o modelo Dart. “Logo de cara, na primeira conversa, Cosme perguntou se eu não gostaria de transformar o modelo em um Charger R/T. Aceitei na hora e foi ele quem me fez entrar de corpo e alma nesse projeto”, garante.

Transformação com T maiúsculo

Para Ronei, um projeto como este nunca acaba, sempre há algo para acrescentar. “Se você está pensando em embarcar na restauração de um clássico, saiba que a ferrugem entra nas artérias e nunca mais sai. Você olha para ele e vê alguma coisa que ainda pode ser melhorada”, diz.

O Dodge teve de ser reconstruído e, para isso, a equipe da Garage Oldschool, de São Paulo, liderada por Cosme Santos, refez as linhas e características que não existiam no modelo. “Reconstruímos tudo. Deu muito trabalho e ainda continua dando, mas o mais importante é ter pessoas competentes e que entendem do trabalho, eu sempre pensei envolvido pela emoção, mas os profissionais me orientaram e mostraram o melhor caminho para solucionar cada problema”, pontua Ronei.

Na parte mecânica, José Luis Gabanella e Cosme Santos atuaram tanto na recuperação do motor como da suspensão. O projeto de funilaria foi definido pelo Rogério Seawright, Cosme e também por Sérgio Antonio Baliviera, que arrematou e cuidou dos acertos finais. “Optamos pelo bloco original 318, mas com um quadrijet na carburação, além do câmbio de três marchas na coluna, que foi apenas adaptado no assoalho. Por fora o estilo foi garantido com as rodas Magnum de 15” e pneus Cooper Cobra 225/70/15 na traseira, que dão o charme”.

Toda parte elétrica e instalação do ar-condicionado ficaram por conta do profissional Jorge Kocis. “Quando faltava algum tempero, o pessoal da Garage Oldschool terminava tudo com o máximo de requinte e competência. Outras pessoas também trabalharam nesse projeto, meus amigos Marquinhos, Gibi e Matheus, todos fundamentais para a realização do meu sonho”, reforça Ronei.

Desde a compra do Dart até a finalização do Charger R/T foram cinco anos. Por outro lado, durante o longo tempo Ronei teve o apoio da família. “Ana Paula, minha esposa, ajudou na escolha da cor, nos bancos e até na película dos vidros. Mariana, minha filha, escolheu o nome do carro, “Vermelhão”, e o Felipinho, meu outro filho, tomou o carro para si. Ele já diz que o Charger é dele”.

Da vestimenta branca, do consultório e da agenda cheia, Ronei parte para as ruas com o Charger RT relembrando a infância, mas desfrutando do presente, ao lado da família, revigorando cada momento. “Algumas pessoas vão dizer que eu tirei a originalidade do Dart e matei um grande clássico. E é verdade, assim como é verdade que meu sonho se completou no Charger R/T e isto é o que me interessa. Plante sua árvore, tenha um filho, escreva algumas linhas e restaure um clássico para ficar eternizado na história”, completa.

Do motorzinho para o motorzão. Uma troca justa e também mais “barulhenta”. Como todo bom “dogeiro” gosta.

FICHA TÉCNICA

DODGE CHARGER R/T

Mecânica

bloco original 318, quadrijet na carburação, câmbio de três marchas na coluna

Exterior

Rodas Magnum 15” e pneus Cooper Cobra 225/70/15 na traseira; cores vermelho e branco com frisos e demarcações do Charger original

Quem fez?

Rogério Seawright e Cosme Santos (Garage Oldschool) – facebook.com/garageoldschool

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