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Criador do “K da Kultura Kustom, o papa da customização automotiva se vai às vésperas de completar 90 anos

Texto: Victor Rodder
Fotos: Victor Rodder e Divulgação

A importância de George Barris para a Kultura Kustom não pode ser medida! Seus trabalhos e sua influência são a pedra fundamental. E, para quem não conhece sua história, vou citar apenas um dentre os inúmeros feitos que são atribuídos a Sam Barris, George Barris e a Barris Kustom Shop: o “K” da Kultura Kustom! Diz a lenda que foi Barris o primeiro a utilizar essa grafia, que rapidamente foi absorvida e incorporada por todos os customizadores. E hoje, em sua homenagem, contarei um pouco da sua história.

Durante todos esses anos em que venho escrevendo para Hot Rods, tenho ensaiado um artigo sobre George Barris, mas nunca cheguei a publicar nada que falasse exclusivamente dele até hoje, por uma simples razão: George é meu maior ídolo, minha inspiração e a pessoa no meio Kustom que eu mais admiro.

Tive a sorte de conhecê-lo pessoalmente em minha primeira viagem aos EUA, quando já era um entusiasta de seu trabalho. Mas, após aquele encontro, me tornei um fã da pessoa, do ser humano por trás da lenda. E foi pelo peso da responsabilidade que era, para mim, escrever sobre ele, que posterguei até o dia de hoje essa matéria.

E é uma pena que eu tenha demorado tanto para criar coragem… George já não está entre nós. Faleceu no último dia 5 de novembro, a apenas duas semanas de completar 90 anos. Não terei como lhe mandar uma cópia da revista, como gostaria de ter feito. Mas hoje quero trazer à tona boas lembranças. Exaltar a vida e não chorar a morte. Então, vamos ao texto!

Personagens de séries

Assim como muitos dos leitores desta coluna, cresci assistindo a séries de TV e, coincidência ou não, dentre minhas preferidas estavam “Família Monstro”, “Batman” e, um pouco mais tarde, “Os Gatões”. Todas séries que tinham “personagens” criados por George Barris.

E, desde que me lembro, sempre fui aficionado por carros. E quando finalmente tive oportunidade de ir para os EUA, fiz uma lista de lugares e pessoas que gostaria de conhecer, e um dos primeiros nomes era o de George Barris!

Iria passar alguns dias em Los Angeles, e não poderia deixar de visitar o criador do Batmóvel e do icônico Hirohata Merc! Fiz meus preparativos, troquei alguns e-mails com seu assistente, tentando arranjar o encontro, mas sempre sem garantia nenhuma. E, para ajudar, fui informado de que o prédio estava em reformas, e por isso não teríamos acesso aos veículos.

Mas resolvi tentar a sorte. Tinha noção de que não seria algo fácil, mas pelo menos sabia que Barris estava na cidade, e não em nenhuma convenção ou evento, e assim, numa atípica nublada manhã de terça-feira em Hollywood, cheguei à porta da loja e oficina desta lenda.

A fachada do prédio já era um espetáculo, e demorei um pouco para entrar, pois fiquei ali fora admirando as assinaturas na calçada, os desenhos na vitrine e o beco do lado direito, onde um enorme grafite do Batmóvel decorava a parede. Entrei pela porta de serviço, e fui recepcionado pelo simpático Tony, assistente de George, que me disse que o senhor Barris estava, sim, em seu escritório, mas que estava aborrecido com a reforma, e que havia dias não recebia ninguém.

Mas aí lembrei a Tony que já havíamos conversado por e-mail, e já que tinha vindo de tão longe, gostaria de tentar ao menos uma foto. Tony me desencorajou, mas entrou no escritório assim mesmo. Alguns minutos se passaram até que surgiu um senhor com aspecto cansado, e realmente com cara de poucos amigos.

Acho que Tony deve ter insistido um bocado para fazer com que George Barris saísse de seu escritório. Mas, para minha sorte, lá estava eu, ao lado do homem que tinha criado alguns dos carros mais incríveis do mundo, e que acompanharam meus passos desde a infância.

Mal nos apresentamos e Tony já pediu a máquina fotográfica para fazer a foto. Foi tudo muito rápido. E se hoje meu inglês ainda é sofrível, imaginem na primeira vez que estive lá… Mas foi com esse inglês de “pasteleiro” que gaguejei alguma coisa para o rei da customização. E, antes que ele pudesse dar as costas e voltar para seu escritório, consegui articular uma frase completa, onde contei que tinha um carro no Brasil e que muito do que havia feito nele tinha sido inspirado no trabalho dos irmãos Barris.

Nesse momento acho que George passou a me olhar de uma forma diferente. Eu não era apenas mais um turista que passava ali para ver o Batmóvel (sim, o Batmóvel estava lá… e eu vi!). Era uma pessoa que conhecia e reconhecia seu trabalho.

George Barris então abriu um sorriso e perguntou de onde eu era. Quando disse “Brasil”, ele me olhou melhor, sorriu e me perguntou: “Você tem fotos aí do seu carro?”. Eu, com a ingenuidade de quem não conhece bem seus limites, disse que não tinha nada em mãos, mas se ele me emprestasse um computador, poderia lhe mostrar.

Santa caranga, Batman!

Fui então não só convidado para entrar na loja (que realmente estava em reforma), como para ir até o escritório de George Barris. UAU! No caminho, um enorme carro sob uma lona… Acho que George deve ter lido nos meus olhos, e sem que eu sequer balbuciasse qualquer palavra, me disse: “Sim, é o Batmóvel! Quer ver?” Eu devo ter feito uma cara de retardado e gemido alguma coisa! Ele então levantou a lona e começou a explicar alguns detalhes do carro: falou sobre a sirene, o bat-fone, a turbina… Mas eu realmente não conseguia tirar os olhos das faixas que envolviam aquela verdadeira obra de arte. Eram de um vermelho fluorescente tão intenso que me impressionaram muito, e quando eu disse que até hoje só tinha visto aquele carro em “preto e branco”, George Barris deve ter tido até pena de mim.

Fato é que, dali para frente, foram momentos incríveis, e o Mr. Kustom em pessoa passou a me dar uma atenção ímpar. Quando finalmente estávamos em seu escritório e eu consegui parar de babar dentro daquele verdadeiro santuário, acessei uma página na internet com as fotos de meu Ford Business Coupe1951 e George passou a olhá-las com muita atenção, até que, em determinado momento, me perguntou, quase incrédulo: “Vocês realmente têm carros assim lá no Brasil?”. Neste momento pude compartilhar com ele um pouco da Kultura Kustom brasileira, e mostrei fotos de carros de alguns amigos, falei da Revista Hot Rods, dos eventos, e vi que ele se animou.

Nossa conversa só foi interrompida porque Tony lembrou que George tinha um compromisso, e tinha que sair. Mr. Barris se desculpou, se despediu, mas não sem antes me dar alguns presentes incríveis, que guardo até hoje com muito carinho. Alguns deles, como a foto autografada, uma miniatura 1:64 do Batmóvel, que além de numerada, assinada e com o selo da Barris Kustom, na época ainda não havia chegado no Brasil, fazem parte da decoração da minha casa até hoje.

A verdade é que a simpatia e humildade que George Barris mostrou naquele dia foram marcantes, e me levaram a admirar ainda mais aquele homem apaixonado pelo que fazia, e estará sempre em minha memória como o protagonista de um dos dias mais incríveis da minha vida!

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