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Empresário curitibano restaura raro Hudson Essex Super Six 1927, um clássico concorrente dos Fords e Chevys da época

Texto: Flávio Faria
Fotos: Ricardo Kruppa

Hudson Essex Super Six 1927

O primeiro olhar engana mesmo. Parece um Tudor, na lata, no estilo e no jeito de rodar, só que não é. Adquirido em 2010 pelo empresário Alexandre Zilian, de 46 anos, o carro não estava nos seus piores dias, mas deu bastante trabalho para ser restaurado. Isso porque o curitibano decidiu fazer tudo sozinho, em casa mesmo, apesar de, até então, não ter nenhuma experiência com carros antigos. “Este carro não estava em mau estado, mas, por estar parado havia muito tempo e sem algumas peças, deu algum trabalho. Fiz sem a ajuda de ninguém, uma experiência sem dúvida muito gratificante”, conta.

Apesar da aparência de um Tudor, este carro na verdade é um Essex Six 1927, produzido pela Hudson Motor Company, fabricante norte-americana que fechou as portas em 1957 para a criação da American Motors, que também acabou falindo em 1988. A Hudson ainda é cultuada com carinho pelos nossos amigos do norte, pois foi uma empresa inovadora em diversos aspectos (tirando o design), como ter sido a primeira a incorporar um instrumento para leitura da pressão do óleo no painel, entre outros detalhes que à época faziam diferença. Além disso, foi um verdadeiro fenômeno da Nascar, ao vencer seguidamente entre 1951 e 1954. Este sucesso, aliás, fez com que a marca fosse lembrada pelos estúdios da Pixar, no filme “Carros”, que criou o personagem “Hudson Hornet”, multicampeão da fictícia “Copa Pistão”, análoga à categoria americana. Outro motivo que levou a Hudson ao sucesso foi a estratégia de oferecer “o mesmo por menos”. Isso é, a ideia da companhia era oferecer carros tão bons quanto os dos concorrentes, mas por um preço mais acessível. O projeto vingou e, ainda na década de 1920, a montadora se tornou uma das campeãs de vendas nos EUA.

Raridade

Para o Brasil não vieram muitas unidades, por isso é difícil encontrar modelos como este rodando pelas nossas ruas, o que torna o Essex de Alexandre ainda mais especial. Aliás, para conseguir as peças no exterior, como frisos, retrovisores e outros detalhes, o empresário teve de ir ao Uruguai. “Eu e um amigo fizemos um verdadeiro garimpo pelos ferros velhos de lá para encontrar tudo”, conta. A pintura foi mantida como chegou, inclusive com os pontos de ferrugem, que, segundo Alexandre, conferem algum charme ao veículo. Apenas os para-lamas foram pintados. A capota de vinil foi o único detalhe que o empresário mandou fazer em uma oficina. As rodas são de Jeep, aro 16, mas com o centro adaptado de um aro de Opala, isso porque o proprietário utilizou cubos de roda do modelo Chevrolet. Os pneus possuem faixas brancas, modelos Pirelli 225/70 na traseira e 185/65 na dianteira.

Bem lavado

Por dentro, apesar do tempo que o carro ficou parado, a tapeçaria não precisou ser refeita. “Resolvi deixar tudo original, só lavei diversas vezes os bancos e forros e ficou muito bom”, explica o proprietário, que instalou os instrumentos necessários para rodar, como velocímetro e marcadores de temperatura e nível do combustível, mas todos doados por modelos antigos. Até a parte elétrica, que normalmente exige um pouco mais de conhecimento especializado, ele resolveu fazer sozinho. E, segundo contou, até quem entende do assunto elogiou.

Seis por quatro

Tradicionalmente, a Hudson sempre equipou seus carros com motores de seis cilindros em linha. A montadora foi a primeira a utilizar virabrequins balanceados, o que tornava o funcionamento dos seus motores mais suave, principalmente em faixas mais altas de giro. Contudo, para contar com um conjunto mais confiável, Alexandre decidiu trocar tudo pelo sistema herdado de um Opala quatro cilindros.

O motor é de 2.5L e rende cerca de 90cv de potência. Obviamente não é um carro de corrida, mas sem dúvida conta com um bom  propulsor para rodar pela cidade e até encarar uma estrada, principalmente porque trabalha em conjunto com um câmbio de cinco marchas vindo de um Chevette. A suspensão ainda é a feixe de molas, como no modelo original. Ao todo, o trabalho de restauração, montagem e adaptação levou dois anos. Nada mau para um marinheiro de primeira viagem!

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