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Lakester com motor Chevy 4 cilindros chama a atenção de todos por onde passa e transforma dono em celebridade instantânea

Texto: Flávio Faria 
Fotos: Ricardo Kruppa

Desconhecida da maioria das pessoas, a cultura Hot Rod chama bastante atenção e gera muita curiosidade. Não por acaso, os proprietários acabam se tornando um pouco “embaixadores” da cultura, respondendo a dúvidas e disseminando informações. Pelo seu visual charmoso, os modelos baseados nos Fords da década de 30 costumam fazer muito sucesso pelas ruas. Essa realidade agora está sendo vivida por Tiago Ribas, profissional de logística de 31 anos, morador de Curitiba (PR).

“Na rua, principalmente as crianças olham bastante, tiram fotos e fazem muitas perguntas”, comenta o proprietário, que quando criança também se interessava por carros e motores, herança do pai, engenheiro mecânico, que influenciou positivamente o garoto. “Cresci dentro de oficinas mecânicas e observando motores. Durante a infância, desenhava e montava miniaturas de carros, que só fizeram minha paixão por máquinas crescer. Após assistir a um programa na TV, conheci a cultura Hot Rod e decidi que, um dia, teria um carro desses. Por questões pessoais, só foi possível começar a montar o carro em 2011”, conta.

Visual despojado

Para realizar seu sonho, foi escolhida uma carroceria Lakester, criada pelo reconhecido rodder curitibano Aurélio Backo, baseada em modelos do final da década de 20. Feita em fibra, a peça oferece excelente custo x benefício para quem tem paixão por hots, mas não quer encarar a restauração de um modelo de lata, que pode levar muito tempo e ser muito custosa. Por gostar do estilo rat, Tiago decidiu pintar o modelo de preto fosco e personalizar a fibra como se estivesse enferrujada. Espelhos, chaves de seta e faróis são importados. As rodas são herdadas de uma Ford Ranger, com 15” de diâmetro. Os pneus são da Pirelli, nas medidas 5.60 na dianteira e 7.10 na traseira.

Dentro da cabine de dois lugares da “banheirinha”, foram instalados bancos feitos sob medida. Para seguir a linha despojada do projeto, a forração é a mesma utilizada em sofás. O volante é nacional, com visual de apelo esportivo. A instrumentação foi toda adaptada de um modelo Hudson 1934, mas ainda não está funcionando, pois, segundo o proprietário, as peças ainda estão em fase de restauração. O interior ainda recebeu uma manta mexicana e pinstripings, que dão o toque final no estilo rat do Lakester. A “alavanca” de câmbio merece atenção especial. Localizada fora do carro, ela foi feita a partir do braço de uma antiga guitarra de Tiago e, por si só, já é bastante chamativa.

Quatro cilindros

Segundo Tiago, a escolha por um propulsor quatro cilindros foi basicamente pelo custo envolvido. “Meu sonho é adaptar um V8, mas, por questões financeiras, escolhi um motor menor”, explicou. Com 90cv de potência, a unidade da Chevrolet tem 2.500cc e oferece boas arrancadas e retomadas, principalmente por conta do baixo peso da carroceria em fibra. O proprietário não fez nenhuma mudança na parte de performance, mas pretende em breve instalar dois carburadores, para deixar o visual “mais agressivo”, como ele mesmo aponta, além de trazer alguns cavalinhos a mais para o conjunto.

O câmbio é automático, de três velocidades, com a quarta overdrive, também original do Opala. Esta foi uma parte complicada do projeto, segundo Tiago, pois foi necessário comprar três diferentes unidades, até que o conjunto ficasse “redondo”. Os freios também foram herdados do sedã da Chevrolet, com disco na dianteira e tambor na traseira. A suspensão foi feita a partir dos componentes de um Ford 1947 na dianteira. Na traseira, foi utilizado um sistema com coil overs, que garante uma excelente estabilidade, independente da velocidade.

Ainda pouco acostumado com a fama repentina, o proprietário ainda fica um pouco desconfortável em algumas situações. “Utilizo o carro no mínimo duas vezes por semana, quando o tempo permite, vou trabalhar, a encontros de hots e de antigos e até ao mercado com ele. É um carro bastante gostoso de andar e que tento deixar o mínimo possível na garagem. Por ser um carro conversível, chega a ser estranho parar na rua e se tornar o centro das atenções”, comenta o rodder, que já tem em vista novas restaurações. “Já estou pensando nos projetos futuros, um Ford Tudor e um Ford 5 janelas, agora com V8”, afirma.

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