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Clássico fordista, Maverick adormece por nove anos e retorna para provocar intensas doses de prazer com V8, 200 cv e carburador: o melhor do “way of life” americano

Texto: Bruno Bocchini
Fotos: Ricardo Kruppa

Maverick

Houve um tempo em que você poderia não ter o estilo e aquele cabelo imponente de Steve McQueen, mas era facilmente possível “mergulhar” em cenas de Bullitt, filme em que o ator voa pelas ladeiras da cidade de São Francisco, na Califórnia, pilotando um Mustang perseguindo bandidos que estão a bordo de um Dodge Charger, para aflorar o desejo de ter um esportivo de época e, cada vez mais, passar longe da barbearia e mais perto de uma oficina. Ryo Ashimine, 47 anos, autônomo de Campinas (SP), mantém o clássico Ford Maverick GT 1974 como relíquia.

Sem vocação para os negócios de antigos, ele não é colecionador, tampouco revendedor. Seu “dom” é saber desfrutar dos prazeres que o motor V8 proporciona. “Desde criança meu sonho era ter um Maverick GT. A primeira vez que vi o modelo foi quando meu pai comprou um caminhão em uma concessionária Ford, em Suzano, no interior de São Paulo. Eu tinha 8 anos e, desde então, carrego essa paixão”, conta. Em 1983, então com 16 anos, Ryo começou a trabalhar em uma oficina mecânica – local onde conheceu o antigo proprietário do Maverick GT. “Ele sempre levava o Ford para fazer revisão”, lembra. Cinco anos passaram e Ryo, com 21 anos, encontrou um amigo que havia acabado de comprar um Maverick. “Quando esse amigo me mostrou o carro, vi que era o mesmo Maverick que frequentava a oficina. Contei a história para ele, falei da minha relação e sonho com o modelo e acabei comprando o carro”, conta.

Assim que adquiriu o Ford, Ryo pensava em refazer a pintura e deixar a mecânica em ordem, mas no período – final da década de 1980 – não havia muito recurso financeiro e o Maverick foi colocado para dormir. “Estava sem dinheiro e acabou surgindo uma oportunidade de trabalho no Japão. Durante os nove anos em que fiquei no exterior o Maverick permaneceu na garagem do meu cunhado, em Mococa, interior de São Paulo”, explica. Ao retornar do Japão e se estabilizar em São Paulo, Ryo retomou a velha ideia de revigorar o clássico para desenhar em cores o sonho da infância. “Com esse contato passei a me interessar por mecânica V8 e me apaixonei pelos modelos de carros americanos”, define.

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“The King of Cool”

Havia seis anos Ryo procurava uma oficina especializada para restaurar o Maverick GT. Após ler reportagem publicada em hot Rods sobre um modelo Chevelle Malibu, restaurado pela empresa Nika Old Cars, de Campinas, o projeto começou a ganhar moldes. “Tentava entrar em contato com a restauradora depois que li a matéria, mas não conseguia falar com o dono.

Liguei na redação da revista e consegui o contato direto do restaurador. Foi o começo de tudo”, relembra. Todas as ações diante do programa de mudanças para o Maverick foram executadas pela Nika Old Cars com o empenho de Rogério Orta e equipe. Para a mecânica, o projeto recebeu retrabalho no motor 302 V8 original com cilindrada 5.0L e potência de 200 cavalos. A alimentação partiu de um carburador Holley bijet, comando de válvulas original e ignição eletrônica Procomp. O kit de freios, hidrovácuo, também manteve originalidade.

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“Nesse começo de refinamento do carro encontramos algumas dificuldades diante de detalhes. Mas o mais trabalhoso foi atuar com a instalação da direção hidráulica. Foi uma opção particular que deu dor de cabeça, mas ficou ajustada para o carro”, revela Ryo. Por dentro o modelo recebeu estofamento de couro, volante GT, tapeçaria em tom preto e forração das portas de couro. A instrumentação é original, marca dos modelos norte-americanos. E há ainda, sem ser rebuscado, um rádio com leitura para MP3.

Na parte externa o tradicional estilo esportivo do Ford Maverick foi mantido, com pintura prata original e faixas do modelo GT de 1977. As rodas aro 17 da American Racing Torq Thrust ajudam o carro a manter o “espírito bom de briga, mas moderninho”, calçadas com pneus dianteiros de medidas 225/45-17 e traseiros 235/50-17. “Nós procuramos fazer as mudanças sem perder a linha original, que para mim é o melhor do carro.

Gosto desse conservadorismo. A única ação que ainda pretendo fazer é acrescentar uma marcha ao câmbio e trocar, talvez, o carburador pela injeção eletrônica”, pontua. A alavanca do câmbio de quatro marchas fica bem próxima do motorista e faz com que se mudem as marchas com facilidade e rapidez. São características que fazem parte do DNA do Maverick. Durante a troca, uma acelerada. Menos para manter o giro, mais para ouvir o som dos oito cilindros embalando a agulha do pequeno conta-giros sobre o volante. Está longe da precisão e da progressividade dos modelos atuais.

Mas poucos quilômetros de estrada são suficientes para uma boa adaptação. À medida que se acelera, o Maverick V8 vai devolvendo em prazer os litros de gasolina que desaparecem do tanque. Certamente esse mesmo prazer não é compartilhado pelos passageiros do banco traseiro. O espaço é apertado e com teto baixo. Mas esse é o verdadeiro esportivo e, para quem é fã, como Ryo, nada melhor que acelerar o Maverick no melhor do imaginário “Bullitt”. É quase um Steve McQueen de Campinas, sem o par de sapatos camurça e o revólver, claro!

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