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Três amigos personalizam raríssimo Mercury Sedan quatro portas de 1951, um verdadeiro clássico americano do pós-guerra

Texto: Flávio Faria
Fotos: Ricardo Kruppa

Mercury Sedan

Personalizar um clássico é sempre um grande desafio. Saber equalizar a ousadia necessária para se criar um hot único e, ao mesmo tempo, manter a essência de um visual consagrado, é uma tarefa que deixa os rodders de cabeça quente. Sem exageros, a marca Mercury é um verdadeiro tesouro da cultura norte-americana. Subsidiária da Ford, foi criada em 1938 pelo filho de Henry Ford, Edsel. Seu objetivo era criar um nicho de carros de luxo à parte do nome Ford, que tinha como viés os carros mais “populares” (embora, na época, não existissem “carros populares”, pelo menos no que diz respeito ao preço e à acessibilidade do consumidor como conhecemos hoje em dia). Além de elegância e sofisticação, a marca também criou versões que vendiam um espírito jovem, com ares de rebeldia, influenciada principalmente por James Dean, que em 1955 estrelou o longa “Juventude Transviada” (Rebel Without a Cause), em que dirigia um Mercury Coupé 1949.

O carro, inclusive, ainda está exposto em um museu nos Estados Unidos. O modelo clicado por Hot Rods em São Paulo é de 1951, bem diferente do modelo Coupé de duas portas utilizado por Dean no cinema. Além de ter detalhes estéticos diferentes no seu design original (1951 foi um ano de reestilização do modelo), este Mercury, modelo Sedan de quatro portas, ainda passou por transformações que modernizaram o seu visual, dando ainda mais esportividade às suas linhas. O carro pertence a três amigos, que se identificam apenas como Osvaldo, Araújo e Linneu, que depois de muito tempo quebrando a cabeça com profissionais que não acertavam o ritmo, deixaram o trabalho sob a batuta do restaurador Norberto Jensen, da Hot & Custons, oficina paulistana especializada em projetos de hot rods. Com anos de experiência em projetos únicos, Norberto mais uma vez mostra que é possível repaginar um clássico sem deixar que o seu espírito se perca.

Clean Lines

Ao olhar para o carro, qualquer um sabe que se trata de um Mercury, mas não precisa ser muito atento para perceber que tem algo diferente e mais jovial no visual. Algumas coisas foram retiradas, outras colocadas e outras, ainda, modificadas. Algumas visíveis, outras não. A adaptação do chassi, por exemplo, foi a parte mais desafiante do projeto, segundo Osvaldo, um dos proprietários. A peça, vinda de um Landau 1979, à primeira vista parecia fácil de adaptar. Mas só parecia. “Achávamos que seria simples, pois as medidas são similares e não tínhamos mecânica, mas acabou levando muito tempo. Porém, depois de andar no carro, dá para ter certeza que foi a decisão certa. Não existem muitos Mercury dos anos 50 com essa dirigibilidade, conforto, segurança e confiabilidade”, conta.

Muitas coisas visíveis também foram modificadas. A começar pelo teto, que agora está cinco centímetros mais baixo, o que dá um visual bacana, mas sem aquela sensação de estar apertado dentro do carro. Os para-lamas traseiros foram alongados e receberam lanternas com LED’s. O para-choque, que no modelo original vai de um extremo a outro na traseira, agora está apenas entre os para-lamas. A frente foi toda alisada. Os faróis foram embutidos e perderam o aro cromado. A grade foi desenhada pelos próprios donos do carro e customizada a partir do para-choque original. O resultado final deu um ar ao mesmo tempo mais esportivo, mas também mais elegante que o original.  No entanto, o maior destaque do exterior é a lateral. Os frisos originais são finos e atravessam toda a lateral.

Norberto criou algo diferente, uma espécie de onda, utilizando o friso de outro carro. Ficou curioso para saber qual? Nós também! Este é um segredo guardado a sete chaves na Hot & Custons, mas segundo o restaurador, além de utilizar o friso de outro carro, ainda foi necessário fazer um grande trabalho de personalização para deixar como está, para que a curvatura e a distância ficassem visualmente harmoniosas com o restante. A parte entre o friso e o para-lama dianteiro foi pintada em branco, que dá um contraste interessante com o restante da carroceria, que é vermelha. As rodas são 15”, de aço, com calotas customizadas. Elas estão montadas em pneus BF Goodrich 215/60 na dianteira e 235/60 na traseira, com faixas brancas.

Elegante

As portas do Mercury, que se abrem ao estilo “suicida”, revelam um interior muito bem montado e com cara de moderno. Os bancos originais, inteiriços, deram lugar a modelos individuais, com um console atravessando a parte central do carro. A forração é toda em couro no tom areia. Demais forrações, como assoalho e teto, seguem o mesmo padrão de tonalidade. O painel foi personalizado, mas apenas para tirar botões que já não tinham função, e cobrir o espaço de um rádio que, segundo os donos do carro, era impossível de ser restaurado. O volante é original do modelo, mas ainda faltam detalhes de acabamento, que terão de ser garimpados fora do país.

Condução com prazer

Na parte elétrica, o Mercury conta com distribuidor, bobina e cabos de vela da americana MSD. O câmbio é automático do Landau, com conversor de torque e diferencial do mesmo carro. A relação do diferencial foi encurtada, dando mais força para o carro nas acelerações. Os freios e a suspensão também são do sedã setentista da Ford. As frenagens são assistidas a disco na dianteira e tambor na traseira. O sistema de suspensão não foi colocado “cru” no carro. Segundo Norberto, o sistema foi “modernizado”, mas o preparador não contou o segredo. No entanto, ele garante que o carro não tem, nem de longe, a dirigibilidade de um carro dos anos 50.

Desde que ficou pronto, o Mercury rodou muito pouco e atualmente está guardado na garagem de um dos sócios, que só abre em dias de sol. Eles contaram que trabalhar neste projeto foi um verdadeiro desafio, uma grande escola de Hot Rods.”Foi uma escola muito difícil, mas acredito que passamos e conseguimos nos formar”, brinca Osvaldo. Sobre os próximos projetos do trio, ele já tem na ponta da língua: será uma Chevy Nomad 60. Perguntado se acha que terá o mesmo trabalho, ele responde: “Os próximos projetos com certeza serão mais fáceis. Não sei se melhores, mas com certeza mais fáceis”.

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