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Conheça os motores V8 que foram a base do movimento hot rodding

Texto: Aurélio Backo
Fotos: Divulgação

Motor V8

O hot rodding começou com os motores de quatro cilindros dos Ford Modelo T. Em 1932 a Ford passou a produzir em larga escala um motor V8. Tão logo os hot rodders aprenderam a preparar essa nova máquina, o V8 se tornou o motor padrão de um hot rod. E continua sendo até hoje.

O V8 é a motorização clássica para um hot rod, e os V8’s clássicos para montar um hot seriam três: o Ford Flathead, o Chevy Small Block e, por fim, o Chrysler Hemi.

Motor Ford Flathead

Em 1932, Henry Ford surpreendeu o mundo ao oferecer nos automóveis Ford a opção de motor V8. Até então esse tipo de motor era reservado aos carros de luxo. O próprio Ford oferecia esse motor nos seus luxuosos Lincoln. Para produzir uma versão simples e de baixo custo de fabricação foi formado um grupo de três engenheiros que trabalhou em segredo sob a supervisão pessoal de Henry Ford. Henry percebeu que seria necessário fundir o bloco em uma única peça para baratear a produção. Os V8 de carros de luxo usavam um bloco central para o virabrequim e dois blocos para os cilindros. O grande trunfo de Ford foi desenvolver novos procedimentos de fundição.

Uma vez em produção, as vendas foram um sucesso: 178.749 Ford 1932 V8 foram vendidos, contra 75.945 com motor de quatro cilindros. O novo motor tinha 3,6 litros e seus 65 HP podiam levar o carro até os 130 km/h. Esse motor, nos anos seguintes, foi aprimorado e gradativamente teve a capacidade cúbica aumentada. Equipou os Ford até 1953 (nas últimas versões, as mais robustas e com todo o “veneno” possível que os rodders tinham em mãos, a potência ultrapassava os 300 HP).

A característica construtiva mais marcante do Flathead era as válvulas de admissão e escapamento nas laterais dos cilindros. Como as válvulas não estão sobre os cilindros, esses são fechados por uma tampa onde também são instaladas as velas. Dessa tampa chata vem o apelido do motor, Flathead, que significaria “cabeça chata”.

Motor Ford Flathead: as velas ficam sobre os cabeç

Motor Chrysler Hemi

O objetivo da Ford com o Flathead era um motor robusto de baixo custo, em detrimento da eficiência. O motor V8 Hemi da Chrysler tinha como objetivo a eficiência, porém, em contrapartida, era um motor caro para se produzir.

O Hemi começou a ser produzido pela Chrysler Corporation para equipar seus automóveis de luxo da linha de 1951, os Chrysler Saratoga e Chrysler New Yorker. Até 1950, o motor “top” dessas linhas era um oito cilindros em linha de 5,3 litros com válvulas no bloco que produzia 135 HP. O novo motor Hemi que o substituiu tinha 5,4 litros e fornecia 45 HP a mais! O aumento de 30% na eficiência do novo motor se devia principalmente a um cabeçote mais eficiente.

Nesse novo motor, as válvulas eram instaladas no cabeçote, solução que melhora a “respiração” do motor, mas, além disso, a Chrysler adotou também câmaras de combustão com formato de meia esfera, ou câmaras hemisféricas (origem do apelido “Hemi”). Outras montadoras norte-americanas na época já adotavam válvulas no cabeçote, mas câmaras hemisféricas, só a Chrysler. Com esse formato de meia esfera, as válvulas de admissão do combustível e de exaustão dos gases queimados podiam ficar posicionadas uma de frente para a outra, resultando numa excelente “respiração” do motor. E numa câmara hemisférica, a vela ficava numa posição quase central, permitindo a queima eficiente do combustível.

Visualmente, o que chamava a atenção nesses motores eram as enormes tampas de válvulas, sobre as quais entravam os cabos de velas. Nos anos seguintes, outras divisões da Chrysler Corporation passaram a oferecer motores semelhantes: a DeSoto, em 1952, e a Dodge, em 1953. E cada uma das divisões batizou sua versão com um nome próprio: Firepower na Chrysler, Firedome na DeSoto e Ram Red na Dodge.

Não demorou muito para que esses motores começassem a aparecer em ferros-velhos. E os rodders logo descobriram como esses motores respondiam bem a preparações. O motor da Chrysler passou a ser o motor “básico” para as categorias mais velozes das competições de quarto de milha. Um exemplo disso foi a quebra da barreira “mágica” das 200 milhas por hora em 1964.  O famoso Don Garlits percorreu o quarto de milha em 7,78 segundos atingindo 201,34 mph (322 km/h). O motor do dragster de Don Garlits? Um Hemi!

Motor Chrysler Hemi: sobre as tampas do cabeçote entram os cabos de vela

 

Motor Small Block Chevrolet

O objetivo da Chevrolet com seu V8 era produzir um motor com baixo custo, mas com ótima eficiência.

No final de 1954, a GM americana lançou o novo Chevrolet 1955. Até então, a marca era associada ao robusto e pacato motor de seis cilindros. Com o modelo de 1955, o carro ganhou um novo e belo desenho, mas também a opção de um novo e moderno motor de oito cilindros em “V”.  Com 265 polegadas cúbicas (4,3 litros) ele fornecia 162 HP, ou 180, se equipado com carburador de corpo quádruplo e coletores de escapamento duplos. Com um desenho enxuto, esse motor apresentava diversas inovações para a época, como:

– Balanceiros estampados para acionamento das válvulas, que permitiam atingir rotações maiores, pois substituíram os pesados balanceiros maciços e o seu respectivo eixo de montagem.

– Varetas de acionamento das válvulas com um orifício central que conduziam óleo para o cabeçote.

– Coletor de admissão em uma só peça e com múltiplas funções: fixação do distribuidor, saída de água para o radiador, aquecedor da base do carburador e cobertura do vale central do bloco.

Inicialmente produzido apenas com 265 polegadas cúbicas, já em 1957 esse motor ganhou pistões maiores, passando a 283 (4,6 litros). Em 1962 aparece o 327 (5,3 litros) e em 1968, enfim, aparece o modelo que virou um “standard” para os hot rods, o 350 (5,7 litros).

O nome small block (bloco pequeno) se deve ao lançamento em 1958, pela Chevrolet, de outra família de motor V8 baseado num bloco maior, com 348 polegadas cúbicas, o big block (bloco grande). Com suas dimensões compactas, o small block Chevy era uma opção natural para um rodder que quisesse substituir o seu lendário motor Ford Flathead por um propulsor muito mais eficiente e com muito mais potencial de preparo. Logo, componentes para aumento de potência passaram a ser ofertados, inclusive pela própria Chevrolet. Quando a Ford lançou, em 1963, um motor comparável ao small block, já era tarde: o motor Chevy já havia dominado a cena. Desde então, e até os dias de hoje, esse motor, em suas diversas opções, é o escolhido pela maioria esmagadora dos rodders americanos. Isso por conta da enorme oferta de acessórios de potência e com preços menores do que para equipar um motor Ford.

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