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Da série “Ícones da Hot Rod Cultura”, um pouco da história de Clay Smith e de seu Mr. Horsepower

Texto: Victor Rodder
Fotos: Arquivo pessoal

A pós um começo de ano animado, vamos contar um pouquinho da história de Clay Smith e de seu “Mr. Horsepower”! Todos conhecem a imagem do “picapau” vermelho de expressão desafiadora e que carrega em seu bico amarelo um charuto fumegante. Mas nem todos sabem que Mr. Horsepower, como é conhecida a imagem, é na verdade o logotipo da Clay Smith Cams, empresa fundada em 1931, e que nada tem a ver com o personagem de desenho animado criado pelo estúdio de animação de Walter Lantz e distribuído pela Universal Pictures em 1940. Mr. Horsepower é uma caricatura do seu fundador, Clay Smith, e é sinônimo de velocidade, performance e muitos cavalos de potência desde os anos 30! Mas essa história começou pelo menos uma década antes.

O legado de Clay “Mr. Horsepower” Smith remonta à sua infância. Clay era um menino agitado, cheio de ideias e, principalmente, fascinado pelas centenas de peças de precisão necessárias para montar o verdadeiro quebra-cabeça que é um motor de corrida. Com seus cabelos vermelhos arrepiados, aos 12 anos Clay passava os dias rondando a loja e oficina de Pierre “Pete” Bertrand, famoso corredor do Kansas da década de 1920 e que, logo após a grande depressão nos EUA, havia se mudado para a Califórnia. Já naquela época essa região era o melhor lugar para corredores e apreciadores de motores potentes, e foi lá, no berço da Hot Rod Culture, que Pete decidiu que abriria talvez a primeira loja dos EUA especializada em peças automotivas de alta performance.

Clay Smith era fascinado por motores e sua esperteza e singularidade envolveram Bertrand, que acabou por apadrinhá-lo, passando a lhe ensinar todos os truques e manhas necessárias para preparar um motor de corridas. Em 1931, Clay Smith trabalhava na empresa de Pete, como chefe de oficina e líder de equipe de corridas, quando sua primeira criação passou a fazer sucesso. Os comandos de válvula preparados para melhorar o desempenho de motores de corrida de Clay Smith foram o estopim para que, rapidamente, seu talento e as técnicas inovadoras em engenharia fossem reconhecidas pela indústria de corridas. E, naquele mesmo ano de 1931, Clay fundou sua primeira empresa, em Long Beach, Califórnia: a Smith & Jones Camshafts!

Clay continuava trabalhando na empresa de Pete, mas não demorou para que seu nome e talento individual despontassem. Clay, além de ser um bom competidor, preparava motores para carros e barcos de corrida, e suas habilidades foram responsáveis por uma sucessão de recordes de velocidade nas pistas e nos lagos (secos e “molhados”) do Sul da Califórnia, fazendo com que os competidores ficassem hipnotizados pelo desempenho de seus produtos.

Próprio negócio

Em 1942, o mentor de Clay Smith, Bertrand, morreu de pneumonia. Smith então demonstrou que tinha não só talento como engenheiro, mas também como empresário, comprando a companhia na qual aprendeu grande parte do que sabia, passando de empregado a proprietário de uma das primeiras empresas de peças de performance do país. Clay Smith renomeou a empresa de Bertrand, solidificando o nome Clay Smith Cams e aos poucos ia mostrando a todos que de fato sua fama era merecida. Numa época em que as corridas de barcos excitavam tanto quanto as de carro, a parceria com Stroppe trazia ótimos resultados e realmente impressionava. Tanto que chamou a atenção inclusive dos engenheiros e diretores da Ford quando, em 1947, a dupla venceu uma regata com o hidroavião de Art Hall, que era impulsionado por um motor de 6 cilindros em linha da Ford. Clay teve de modificar o sistema de pressão de óleo e corrigir um problema de vibração para adaptar o motor Ford e possibilitar sua utilização na água. Isso garantiu não só o primeiro lugar na competição, como uma série de contratos com a Ford para desenvolvimento e aperfeiçoamento de projetos especiais no futuro.

Mas mesmo com o sucesso de seus empreendimentos, Smith não tirava as mãos da graxa e do volante. Continuou a competir e a construir e preparar seus próprios motores, fazendo com que o sucesso da venda de peças de performance apenas aumentasse. Clay pessoalmente se encarregava de finalizar os comandos de válvula que construía, ajustando as peças para que servissem perfeitamente a um determinado motor. Além disso, Clay costumava rebaixar ele mesmo os cabeçotes de motores e construir as bombas e distribuidores de combustível que equipavam seus motores. Clay Smith acreditava que a melhor publicidade era a satisfação de seus clientes e os troféus na prateleira. E foi assim que Mr. Horsepower entrou na década de 50: vendendo bons produtos e serviços, ganhando corridas e exalando testosterona.

O pica-pau que rosnava atrás de um volante e mastigava charutos era reconhecido como sinônimo de potência e bons resultados. E foi na década de 50 que o reconhecimento nacional e internacional de Clay Smith e de sua empresa chegou. Em 1950 e nos anos seguintes, Smith participa da primeira “Carrera Panamericana” – uma maratona de quase duas mil milhas e que tinha a intenção de promover o recém pavimentado sistema de rodovias do México – e em 1952 vence as 500 milhas de Indianápolis. Mas isso é assunto para a próxima edição, na qual também contarei sobre o trágico acidente em 1954, como a marca se consolidou, transformando-se em um negócio de família até os dias de hoje, e sobre a campanha “Brazilian Horsepower”!

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