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Conheça a origem do estilo que originou a cultura lowrider: “low and slow, bajito e suavecito”

Texto: Victor Rodder
Fotos: Divulgação

Lowrider

A palavra “lowrider”, no dicionário norte-americano, é utilizada para descrever um veículo customizado, alterado para rodar o mais próximo possível do chão. Mas a cultura lowrider, ou lowriding, é muito mais do que isso e tem suas raízes na década de 1930, nas comunidades latinas do sudoeste do México. Naquela época, os jovens “Pachucos”, com seus ternos Zoo, para darem um efeito diferenciado em seus carros, faziam com que eles rodassem de maneira a parecerem orgulhosos, de peito estufado. Para isso, sacos de areia eram colocados no porta-malas, o que dava a impressão de que os carros eram mais baixos. O objetivo dos lowriders, desde aquela época, era cruzar as ruas rodando o mais baixo e lentamente possível, “low and slow “ – “bajito y suavecito”.

Esse é o lema! Mas, em que pese sua origem remota, da mesma forma que aconteceu com os hot rods, foi apenas com o final da Segunda Guerra e com a prosperidade que se seguiu nos anos 50, que essa cultura ganhou força. Com o fim da guerra e o retorno dos jovens soldados das minorias dos Estados Unidos para seus bairros e guetos, muitos com conhecimentos que iam além do treinamento militar. Com o aprendizado de técnicas de mecânica e agora com um pouco mais de dinheiro, os tão sonhados “carros” puderam finalmente entrar nas garagens de muitos norteamericanos. Com soldos e pensões, além do valor acumulado durante o período em que serviam, o mercado de carros novos e usados conheceu uma nova realidade. E com os novos talentos adquiridos, para os jovens, veículo semi-novo era sempre uma boa escolha. Ainda mais quando era possível incrementá-los e personalizá-los.

Lowrider
Lowrider

Lowrider x Hot Rod

Porém, apesar de muitas coincidências em sua origem com os hot rods, o lowriding sempre foi algo distinto. Um verdadeiro movimento cultural das minorias, extremamente ligado aos latinos, mas que com o tempo se expandiu. E uma das grandes diferenças entre hot rods e lowriding, além das gritantes diferenças étnicas e sociais, estava nos objetivos procurados durante as alterações que eram feitas. Se os hot rodders baixavam seus carros para aumentar a estabilidade e a performance, lowriders faziam a mesma coisa para rodar “baixo e devagar, low and slow, bajito y suavecito”.

Porém, a popularização do estilo lowrider logo conheceu sua primeira reação oficial já em 1958, quando o Código de Veículos da Califórnia proibiu os carros de terem qualquer parte mais baixa do que a parte inferior de suas calotas. E, por conta desta restrição, em 1959, um customizador chamado Ron Aguirre desenvolveu uma forma de contornar a lei: com o uso de equipamentos hidráulicas e válvulas retiradas de um bombardeiro B-52, ele desenvolveu um sistema que permitiria mudar a altura dos carros pelo simples acionar de um botão! E foi neste ano de 1959 que, em Los Angeles, surgia o que seria a característica mais marcante do lowriding!

E, com o surgimento do Chevy Impala com chassi em forma de X, em 1958, tudo se somou! Esse modelo de carro era perfeito para receber as modificações necessárias para instalação dos sistemas hidráulicos. Mas esse era apenas um dos motivos que levaram o Impala a se tornar praticamente sinônimo de lowriding. Não existe dúvida de que são os Chevrolet Impala do final dos anos 50 e início dos anos 60 os maiores ícones da lowriding culture. Mas a popularização deste modelo entre os adeptos da cultura do “low and slow” não ocorreu só por conta das inovações introduzidas em 1958, com o novo modelo de chassi apresentado pela Chevrolet.

A empatia entre lowriders e Chevrolet é uma herança dos primórdios desta cultura e se deve principalmente a um único homem: Winslow Felix. Filho de pais mexicanos e nascido nos EUA, Felix era o típico cidadão de Los Angeles, Califórnia, e, em 1922, inaugurou uma revenda Chevrolet em LA. A primeira revenda de automóveis de um latino no sul da Califórnia. Winslow era amigo do cineasta e diretor Pat Sulivan, criador da série animada do Gato Felix, e conseguiu do amigo autorização para utilizar a imagem do gato associada à sua revenda da Chevrolet.

E foi Winslow Felix quem possibilitou que “américo-mexicanos” pudessem adquirir seus primeiros carros novos. Felix dava crédito e condições de pagamento às minorias e era invariavelmente de sua concessionária que saíam todos os Chevrolets dirigidos por lowriders em Los Angeles nas décadas de 40 a 60. Isso explica a associação entre a imagem do Gato Felix e a cultura lowrider.

Lowrider
Lowrider

LA- A capital e o berço do Lowrider

A cidade de Los Angeles é conhecida como a capital mundial do lowriding e vem inspirando desde sempre o crescimento e o desenvolvimento dessa cultura que, infelizmente, ainda é muito associada aos submundos e às gangues. Outros lugares, como a cidade de Espanhola, no Novo México, disputam com LA o título de cidade berço do lowriding. Mas esse movimento cultural tão associado aos carros parece mesmo ter vindo da Califórnia. Com o surgimento da “Pachuco-Zoo suit culture” dos anos de 1940 que, como dito anteriormente, aumentou significativamente de popularidade com o surgimento da indústria automotiva no pós-guerra de Los Angeles – CA.

Hoje, o lowriding não é mais exclusivo da cultura mexicana. Latinos, sul-americanos, afro-americanos, asiáticos e outros grupos étnicos vêm contribuindo fortemente para o desenvolvimento dessa cultura. Desde o início de 1990, os lowriders tornaram-se comuns na cultura jovem urbana em geral, principalmente na cena hip hop da West Coast norte- americana. Hoje, com a multicultural diversificação do lowriding, e com a amplitude de marcas e modelos de veículos, os estilos visuais também mudaram. No entanto, continua a ser uma parte importante da comunidade chicana.

VEJA TAMBÉM: Rat Rod Lowrider: Ford Tudor 1949.

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