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Com mecânica 455 V8 de 500 cv, “Olds” faz “cair o queixo” de João a John, seja o DeLorean ou o Beltz; carro de colecionador para instigar memória americana

Texto: Bruno Bocchini
Fotos: Ricardo Kruppa

Oldsmobile 442 conversível 1969

Hot rodders, mecânicos e entusiastas circulavam pela avenida Woodward, em Detroit, nos Estados Unidos, e debatiam sobre a cultura e como acelerar mais rápido no percurso de 34 km da via – que era um misto de pista de arrancada com campo de provas. Ali nasceu a rivalidade entre John DeLorean e John Beltz, chefes de engenharia da Pontiac e Oldsmobile, respectivamente. Embate que foi para dentro da GM, dona das duas divisões.

Em 1964, DeLorean instalou um V8 de 389 polegadas cúbicas (6,4 litros) no modelo médio Le Mans, ignorando norma interna da GM que limitava a cilindrada da categoria a 330 polegadas (5,4 litros): nascia o mítico Pontiac GTO, um dos primeiros muscle cars. A diretoria da GM ficou enfurecida com DeLoren, e Beltz saiu contrariado. Para respeitar o regulamento, a Oldsmobile tinha criado o 442, versão esportiva do Cutlass. Os números indicavam carburador com quatro corpos, câmbio de quatro marchas e duas saídas de escape para o motor V8 de 330 polegadas cúbicas (5,4 litros). Tinha menos torque, potência e vendas que o GTO. Mas a versão conversível mudaria qualquer enredo.

Identidade preservada

Pedro José de Souza Neto, 35 anos, empresário de Casa Branca (SP), poderia ter circulado pela Woodward e, talvez, somasse alguma rivalidade. Ele é o responsável pelo projeto que revigorou o modelo Oldsmobile 442 que pertence a um colecionador brasileiro. Junto ao pai, de mesmo nome, Pedro cuidou do “Olds” como se fosse Beltz: resgatando o clássico V8 e preservando a identidade americana. “Quando esse modelo chegou para nós o mais difícil foi realizar os ajustes do motor, freio e suspensão. O 442 mantém originalidade e, nesse caso, acho correto não alterar, uma vez que o carro nasceu com essa filosofia e o V8 pulsante. Então realizamos mais um cuidado preventivo e de manutenção, sem alterações absurdas”, explica o preparador.

Diante das pequenas alterações escolhidas (que se encaixam com o perfil do 442), Pedro e a equipe de sua oficina, a PJS Restaurações, reforçaram a receita com um carburador quadrijet Holley 750 CFM, ignição eletrônica MSD, câmbio original Hurst de quatro marchas, freio a disco na dianteira e hidrovácuo, além de um escapamento de 2,5 polegadas com abafadores Flowmaster (que produz um som de entontecer).

Por dentro, o fato de o modelo ser conversível atrai ainda mais olhares. O vermelho invade a cabine desde os bancos de couro, passando pelo painel e forração das portas. Em contraste com o preto da lataria, o 442 (sob olhares curiosos) deixa claro sua vocação norte-americana. Para ajudar no estilo “racing-chique”, as rodas Oldsmobile Rallye SSIII calçadas com pneus Cooper Cobra de 255×70/15 na traseira e 235×65/15 na dianteira finalizam a ideia inspirada pela antiga movimentação de entusiastas em Detroit.

O 442 restaurado por Pedro lembra também o modelo antigo do empresário George Hurst (da Hurst Performance) que era imbatível em um Cutlass com V8 de 455 polegadas (7,5 litros) vindo de um Oldsmobile Toronado. Fornecedora da indústria, não demorou para que a Hurst criasse a parceria com a Oldsmobile, artimanha que não violaria a regra da GM pelo fato de ser executada por outra empresa. Naquele período surgiu o Oldsmobile Hurst/Olds.

Com essa fusão, à época, John Beltz aniquilaria o Pontiac GTO, o Chevrolet Chevelle SS, o Buick Grand Sport e todos os muscle cars da Ford e Chrysler. Apenas 515 unidades do Hurst foram produzidas, todas prata: a produção artesanal consistia na aplicação de faixas pretas e itens de acabamento pela Demmer Engineering, responsável pela transformação. O V8 455 de 390 cv fazia de 0 a 96 km/h em 5,4 segundos e máxima de 209 km/h. Percorria 1/4 milha em cerca de 13 segundos. Tempos depois, a GM percebeu a rentabilidade dos muscle cars e acabou com o limite de cilindrada em 1970. John Beltz estava livre para colocar o V8 455 original do Toronado no Cutlass 442. Por outro lado, George Hurst já havia firmado seu nome na história. O 442 V8 de 500 cv, em memória a Beltz, circula pelas ruas brasileiras e, mais ainda, pode encontrar um Pontiac pelo caminho entre Rio-São Paulo. Já pensou?

FICHA TÉCNICA

Oldsmobile 442 conversível 1969

Mecânica

Bloco 455 V8 de 500 cv, carburador quadrijet Holley 750 CFM, ignição MSD, câmbio original Hurst quatro marchas, freios a disco na dianteira e hidrovácuo e escapamento 2,5 polegadas com abafadores Flowmaster

Parte interna

Forração das portas, bancos em couro e painel em vermelho vibrante, rádio, instrumentos originais e volante esportivo importado dos EUA

Parte externa

Carroceria em preto com faixas laterais em vermelho e inscrição ‘442’, rodas Oldsmobile Rallye SSIII e pneus Cooper Cobra de 255×70/15 na traseira e 235×65/15 na dianteira

Quem fez?

PJS Restaurações Especiais – (19) 9.9241-3693 ou 3674-0261

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