Original: O Fabuloso Hudson 1948-1954

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Fabricado por montadora independente, o Hudson, com um motor de apenas seis cilindros, era capaz de vencer nas pistas os carros com motores V8

Texto: Aurélio Backo
Fotos: Divulgação

Hudson

A Hudson Motor Car Company foi fundada nos Estados Unidos, em 1910. Nos seus anos iniciais, a fábrica se destacou ao produzir modelos fechados a um bom preço. Nesses anos iniciais da indústria automobilística, o padrão para os carros mais acessíveis eram os modelos abertos. A sobrevivência de uma montadora independente não era fácil, pois, com uma linha de produtos limitada, ficava mais difícil ir ao encontro dos desejos do mercado.

Entre períodos de sucesso e períodos de dificuldade, a Hudson chegou no começo da década de 1940 enfraquecida por vendas em baixa. Mas uma tragédia mundial iria reverter a sua sorte: a Segunda Guerra Mundial. Produzindo motores para aviões e barcos militares, a montadora chegou ao final do conflito mundial, em 1945, com uma boa reserva financeira. Com dinheiro em caixa ela pôde desenvolver e lançar, no final de 1947, um novo e muito moderno modelo 1948.

Hudson
Hudson 1946: modelo alto, habitáculo estreito e com para-lamas destacados

Hudson pós-guerra

A primeira impressão do novo Hudson 1948 era de um carro muito baixo. Comparando com o modelo 1947, era um veículo 22 cm mais baixo. A segunda impressão era a dos para-lamas incorporados ao desenho do carro. O estilo do Hudson anterior, o modelo 1947, adotava o mesmo desenho básico das demais montadoras. Nesses, os para-lamas eram destacados da carroceria (semelhante a um Fusca). A desvantagem clara nesse desenho antigo era que o espaço dos passageiros ficava comprometido. No novo Hudson, a largura do habitáculo dos passageiros foi igualada à largura do carro e os para-lamas foram incorporados ao desenho do carro. Assim, as laterais ficaram “lisas”.

Esse aprimoramento acabou sendo adotado por outras montadoras na mesma época, mas a Hudson foi além e adotou uma inovação que só seria copiada pelas concorrentes vários anos depois: o assoalho da carroceria mais baixo que o chassi. Qual a vantagem disso? Dessa maneira a altura do carro era menor e o centro de gravidade ficava mais baixo. Um centro de gravidade mais baixo deixava o carro mais estável nas curvas. E mais confortável, pois nas curvas inclinava menos. Para permitir esse assoalho baixo, o chassi foi feito contornando a carroceria. E era soldado à carroceria, diferente das demais montadoras, que fixavam a carroceria no chassi com coxins e parafusos.

O estilo era inovador por fora, mas os motores que equipavam o carro, apesar de robustos e confiáveis, eram de concepção antiga. Esses eram motores de seis e oito cilindros em linha com cabeçote em “L”. semelhantes aos já usados havia vários anos pela montadora. No cabeçote em “L” as válvulas ficam ao lado dos cilindros, uma configuração não tão eficiente para a respiração do motor. O motor de seis cilindros, com seus 4,3 litros, fornecia 121 HP. O motor de oito cilindros, apesar de menor, com 4,1 litros, forneceria 128 HP.

As opções de carrocerias eram sedãs de duas e quatro portas, coupé e conversível. A linha 1948 era dividida em quatro séries: Super Six, Super Eight e as mais luxuosas Commodore Six e Commodore Eight.

Nas ruas o novo Hudson surpreendia pela ótima estabilidade, o que o tornava um carro mais seguro do que os da concorrência. Mas, no quesito desempenho, era um carro mediano. No balanço final das vendas do modelo 1948, foi vendido um total de 117.200 unidades. Um bom número!

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Hudson Commodore 1948

Hudson Hornet

O Hudson foi produzido até 1953, basicamente com o mesmo desenho. Mas uma versão de 1951 fez com que a Hudson deixasse sua marca na história da indústria automobilística. Essa versão era a Hornet.

O Hudson Hornet era equipado com o motor de seis cilindros, mas esse recebia pistões maiores e de maior curso. Essa versão tinha 5 litros, desenvolvia 145 HP e levava o carro a uma velocidade máxima de 156 km/h. Uma ótima marca para a época. Se preparado para competir, a velocidade chegava próxima de 180 km/h! O Hudson, que já tinha uma excelente estabilidade, agora tinha um motor potente. Com esse conjunto, o Hornet surpreendeu quando venceu em 1951 treze corridas de categoria “stock car”.

Os concorrentes dispunham de motores V8 bem mais potentes, mas o Hornet tinha um conjunto superior, e se destacava nas curvas. O sucesso nas pistas se refletia nas vendas. Em 1951 foram vendidos 131.915 veículos da marca, um crescimento de 8% em relação ao ano anterior. E, desse total, mais de um terço eram de Hornet.

O desempenho nas pistas no ano seguinte, 1952, foi ainda mais sensacional, com 49 vitórias. Até 1954 o Hudson Hornet conquistaria um total de 126 vitórias. Uma marca memorável! Mas isso já não se refletia nas vendas. Em 1952 o volume produzido quase caiu pela metade, 70.000 unidades e em 1953 e 1954 os valores foram ainda mais desalentadores, 45.000 e 34.436 unidades.

A baixa nas vendas era um reflexo do desgaste do produto. Enquanto a Hudson oferecia basicamente um mesmo carro desde 1948, as demais montadoras ganhavam clientes oferecendo carros com novos desenhos e com o motor preferido dos motoristas, o V8. Mesmo uma grande remodelagem do Hudson para 1954 não ajudou nas vendas, pois o carro continuava basicamente o mesmo e movido apenas por motores de seis cilindros. Nessa remodelagem o carro ganhou novas estampas da linha dos vidros para baixo, nova frente e nova traseira.

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Hudson Hornet 1951: com motor de seis cilindros, atingia 156 km/h

Personagem de cinema

Em maio de 1954, a Hudson, para melhor enfrentar a concorrência, se fundiu a outra montadora independente, a Nash. Dessa união surgiu a American Motors Corporation. Era o fim dos automóveis Hudson. O nome Hudson continuou ainda a ser usado até 1957, mas esses carros eram mesmo modelos da Nash.

Em 2006 o Hudson recebeu uma grande homenagem da Pixar no desenho animado “Carros”. Um Hudson Hornet era o personagem “Doc Hudson”, que, fiel à “vida” real, tinha um passado de vitórias nas pistas. “Doc” transmite seus conhecimentos ao personagem principal, o carro de corridas Relâmpago McQueen. Com esses ensinamentos do velho carro, o modelo jovem melhora nas competições e no seu caráter!

VEJA TAMBÉM: Ford F1 1951: Charmosa.

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