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Conhecido tanto pelo talento nas pistas quanto pela generosidade e humildade, Clay Smith morreu fazendo o que gostava: correr

Texto: Victor Rodder
Fotos: Arquivo pessoal

Neste nota, você conheceu um pouco da história desse ícone da Hot Rod Culture, Clay Smith, e seu “Mr. Horsepower”. Dando continuidade à saga deste californiano de cabelos avermelhados e apreciador de charutos, vamos direto aos anos 50: a década em que Smith e sua empresa ganharam reconhecimento nacional e internacional. Em 1950, Clay Smith e sua equipe participam da primeira “Carrera Panamericana”, preparando o Lincoln de Johnny Mantz em uma parceria de sucesso que durou até 1954.

A “Carrera Panamericana”era uma prova de quase duas mil milhas pelo recém-pavimentado sistema de rodovias do México e que tinha a intenção de promover o novo sistema viário daquele país. Ocorre que, em muitos trechos, era difícil diferenciar o que era estrada pavimentada do que era estrada de terra, e do que seriam simplesmente terrenos rurais. Sem mencionar os sinuosos trechos pelas montanhas, cheios de curvas fechadas e sem qualquer grade ou proteção. Já no ano seguinte, Smith resolve retornar como co-piloto de Troy Ruttman, que liderou durante boa parte da corrida. Mas foi em 1952 que Smith vence as 500 Milhas de Indianápolis alcançando, ao lado de seu companheiro de equipe, Ruttman, um dos pontos mais altos de sua carreira como piloto.

Com a vitória em Indianápolis, a equipe cresce em entusiasmo e, às vésperas da 3ª edição da Carreira Panamericana (1952), Smith e Stroppe são convidados por Benson Ford a criarem o “Lincoln Racing Team”. Os dois então dirigem o Lincoln até o deserto de Bonneville e lá passam a noite toda acordados, reconstruindo o motor do carro para, nas primeiras horas da manhã, cruzarem a 200 km/h os poucos quilômetros que os separavam do início da prova. Dali para frente, a equipe formada para a competição mexicana se tornou um modelo de sucesso para a Ford Racing.

Mesmo competindo com Mercedes, Ferrari e Lancia – carros com notória superioridade no campo das corridas – a equipe Lincoln garantiu primeiro lugar em 52 e quarto lugar em 53, com Stevenson pilotando e Smith como seu co-piloto. E, no ano seguinte, a façanha se repetiu com a equipe emplacando uma dobradinha com Ray Crawford em 1º e Walt Faulkner em 2º, ambos do “Lincoln Racing Team”. Porém, 1954 marcaria o fim não só da “Carrera Panamericana”, que ano a ano vinha se tornando cada vez mais trágica e perigosa, dado o grande número de curiosos e expectadores que acabavam envolvidos em acidentes, como também para o próprio Clay Smith.

Tragédia

Em setembro de 1954, Smith acompanhava um de seus grandes amigos, o piloto Roger Ward. Roger era um dos pilotos mais talentosos da época, e Smith seu chefe de equipe. Ward literalmente voava pelo autódromo de Du Quoin, Illinois, quando perdeu o controle do carro na reta em frente aos boxes, bateu contra a mureta de proteção e arremessou

partes da carenagem do carro sobre os boxes. O acidente matou seu próprio chefe de equipe, o talentoso mecânico e amigo Clay Smith. Smith morreu fazendo o que gostava e numa carreira em plena ascensão. Seus motores e peças de performance eram conhecidos por todos os Estados Unidos e fora dele. Smith já havia vencido em praticamente todas as competições que envolviam velocidade e mesmo assim sua humildade e generosidade eram mais notórias do que seus troféus.

Em sua autobiografia, “Best Damn Garage in Town”, Smokey Yunick, ao falar sobre Clay Smith resume bem essa característica do Mr. Horsepower: “Era sempre um prazer assisti-lo e aprender com ele como um trabalho deveria ser bem feito! Tão perfeitamente e com uma execução tão aparentemente fácil! Clay Smith era um gênio, provavelmente o maior mecânico de corridas do mundo em sua época! Porém nenhuma de suas habilidades impressionava tanto quanto sua disposição a ajudar aos demais competidores com conselhos e dicas, e muitas vezes, com ferramentas e peças.”

Clay Smith era assim o tempo todo. Não importava o quão cansado estava, sempre havia tempo para ajudar alguém que o procurasse. Fez isso por toda sua vida e foi campeão com carros e barcos de corrida de diversas categorias. E é impossível não pensar o que teria acontecido se Clay tivesse vivido mais algumas décadas. O que teria feito em parceria com a Ford na época dos muscle cars.

Continuidade

Mas, para nossa sorte, pelo menos o que Smith criou até o dia de sua morte permaneceu. Após a tragédia, a viúva manteve os negócios com a ajuda de empregados comprometidos com o trabalho e amigos de Smith. Casou-se novamente com outro engenheiro e aficionado por corridas, Guy “Red” Wilson, que também faleceu em um acidente automobilístico em 1964.

Duplamente viúva, Ruthelyn acabou vendendo a companhia em 1969 para George “Honker” Striegel, um notório e respeitado engenheiro mecânico, que assim como Smith havia feito nas décadas passadas, vinha conquistando troféus com seus motores em diversos campos e classes. Em 2010 a companhia completou 80 anos e George Striegel continua ainda hoje à frente dos negócios, ao lado de seus filhos, filhas e netos.

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