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Picape ganha mecânica 6cil para embalar “espírito” fazendeiro; influência partiu de um modelo norte-americano, mas há muita brasilidade

Texto: Bruno Bocchini
Fotos: Fabiano Guma e Luiz Ricardo Silveira

Picape Chevrolet 1951

Quem observa a picape Chevrolet 1951 de Fabiano Rabelo, 41 anos, morador de Joinville (SC), pode lembrar facilmente de Riobaldo, jagunço e narrador-personagem do livro ‘Grande Sertão Veredas’, de João Guimarães Rosa. O estilo rústico da picape lembra, claramente, o padrão de vida sertaneja – inspiração para Fabiano customizar o modelo. “Pesquisei na internet e vi uma picape Chevy que participou de um dos eventos do Kansas, nos Estados Unidos. Aquele modelo me deixou apaixonado e logo defini que minha picape seria igual. A cor, o jeito ‘barn find’, as rodas, tudo me encantou muito e serviu de referência para montar a minha”, conta.

Transformar automóveis em verdadeiros clássicos recheados de história é parte fundamental de qualquer entusiasta hot rod, por outro lado, somar características e influências em um projeto requer cuidado redobrado. Ainda mais quando se trata de uma picape (tradicionalmente com vocação para carga e, fatalmente, com pouco conforto). “Iniciei as buscas pelo modelo em 2004 e após dois anos encontrei esta, por meio da indicação de um amigo de Curitiba, mas só em 2006 efetivei a compra. Quando comprei a picape ela já tinha a estética muito semelhante à que tem agora, porém, ela não tinha condições de andar, estava com a mecânica bastante defasada, mas com muitas características originais. Uma das melhorias que fizemos foi retornar o câmbio para cima, no volante, como era originalmente”, descreve o proprietário.

Fabiano conta que foram necessárias algumas alterações (fora do padrão original) para que a Chevrolet 51 alcançasse o vigor pleno. As mudanças somaram freios a disco da Silverado nas rodas dianteiras, uma vez que os originais a tambor estavam em más condições, além de mudanças pontuais no interior do modelo. “Outra grande melhoria feita foi no interior, pois as condições eram precárias, a tal ponto que minha mãe, que gosta de antigos, disse que não entraria no carro naquele estado. Assim, motivado pelo estilo americano dos rat rods, resolvi restaurar a pintura e o estofado (original) do interior. Com essas melhorias minha mãe aceitou entrar no carro”, brinca.

Influenciado desde a infância em Braço do Norte, no sul de Santa Catarina, o entusiasta garante que a família (incluindo, sobretudo, a mãe) carrega paixão por automóveis antigos. “Quando era jovem comprava revistas americanas para admirar as criações e cultura de hots e antigos. Tempos mais tarde, com a chegada da internet, e até hoje, fico horas e mais horas”, afirma.

Diadorim de Fabiano

Assim como a relação entre Riobaldo e Diadorim – personagens de ‘Grande Sertão Veredas’ –  que se coloca nos limites entre a amizade e o relacionamento afetivo de um casal –, Fabiano e a picape 1951 parecem, eventualmente, discutir a relação. “Meu falecido tio morava na mesma cidade em que nasci e ele tinha uma picape deste mesmo modelo, mas naquele período ele a colocou à venda. Eu era muito jovem e também não tinha dinheiro para comprá-la. A partir dessa memória eu sei que minha vontade em ter um modelo como o dele foi aumentando. Hoje há uma forte relação entre mim e essa picape”, garante Fabiano.

Recentemente desligado da antiga atividade de comprador em uma empresa do ramo plástico, Fabiano decidiu comprar outra picape e fazê-la para vender. “É um sonho antigo, montar carros e customizá-los para vender e transformar a R1 Garage (rancho onde são feitas as alterações e trabalhos da picape). Estou confiante”, revela.

O projeto da 51 também foi caseiro, mas contou com a ajuda de profissionais diante da construção efetiva, segundo conta o proprietário. “O principal envolvido diretamente foi meu pai, Geraldo Rabelo, mas também tive grande influência de Sergio Liebel, da Hot & Rusty, Alexandre Benevides, da HCB, e os parceiros Nilo Fedorovicz e Adriano Domingues de Oliveira, da N&A Garage. Esses foram grandes orientadores e inspiradores”, reforça.

“Espírito” rancheiro

A mecânica utilizada na picape é original e conta com um motor Thrift Master 216, de 6 cilindros em linha (refrigeração líquida, capacidade cúbica de 3.550 cm3, bloco de ferro fundido, compressão de 6,6:1 e potência de 92 cavalos a 3.400 RPM). O câmbio também é original de três marchas na coluna de direção e os freios dianteiros são da Silverado, adaptados à suspensão original com feixe de molas na frente e atrás com freios a tambor originais e também feixe de molas.

O interior foi pintado na cor dourada, que se assemelha a uma das opções de cores originais. Ainda na cabine, o banco é inteiriço e original, revestido com curvin cinza (que ainda será modificado para uma cor que combine com a pintura do interior), com botões e instrumentos originais e acabamentos cromados.

As peças cromadas, como grade, espelhos, emblemas laterais, frontais de capô, e lanternas traseiras em LED foram importadas. Essas aquisições, como os acessórios do interior, eram características do projeto com a ideia, segundo Fabiano, de não aparentar um “carro velho e relaxado” andando nas ruas.

A estética da picape é ovacionada pelas rodas de seis furos, calotas originais cromadas aro 16 com pneus Dunlop 215/65/R16 na dianteira e Wrangler Goodyear 255/65/R16 na traseira, com as clássicas faixas brancas. Mesmo diante de tantos detalhes, que fazem do modelo um carro “especial à moda do rancho”, Fabiano ainda prevê alterações. “Já projetei algumas mudanças. O revestimento do banco será feito em outra cor e em couro para dar um ar mais “nobre” e limpo, combinando com a cor da pintura interna da cabine. Ainda pretendo também instalar ar-condicionado, pois este modelo deixa a cabine muito quente, principalmente no verão. Outra melhoria que quero fazer é substituir as madeiras da caçamba e confeccionar suportes para transportar minha réplica de Board Track 1912 que aparece em algumas imagens”, detalha.

Diante das dificuldades encontradas com a proposta para a Chevrolet 51, Fabiano lembra dos desafios ao montar a suspensão. “O que deu mais trabalho foi conseguir manter a suspensão dianteira original (feixe de molas) e rebaixá-la ao ponto que está. Para chegar neste ponto foram inúmeras horas de pesquisas na internet, em projetos e fóruns americanos, muitas vezes deitado ao solo olhando outras picapes por baixo em eventos e incontáveis horas de trabalho com grande ajuda de meu pai – que já trabalhou em oficina mecânica no passado – para conseguir deixá-la baixa e estável com dirigibilidade”, relata.

Fabiano só conseguiu rodar com a picape pela primeira vez em 2012, quando o carro apresentou condições de andar, ainda sem o trabalho da suspensão. Portanto, seis anos após a compra. Nessa fase ele afirma ter passado diversas noites de trabalho e várias horas de estudos para acertar o clássico – que hoje leva a esposa e duas filhas de Fabiano em passeios ao finais de semana. Sempre com um “cadin” de carinho e muito entusiasmo.

FICHA TÉCNICA

PICAPE CHEVROLET 1951

Mecânica

Motor Thrift Master 216 de 6 cilindros em linha, refrigeração líquida, bloco de ferro fundido, compressão de 6,6:1, potência de 92 cavalos a 3.400 RPM, câmbio de três marchas na coluna de direção, freios dianteiros da Silverado, suspensão original com feixe de molas na frente e atrás com freios a tambor originais

Interior

Pintado em dourado, banco inteiriço original em curvin cinza, botões e instrumentos originais e acabamentos cromados

Exterior

Grade, espelhos, emblemas laterais, frontais e lanternas traseiras em LED cromadas, rodas de seis furos, calotas originais cromadas aro 16, pneus faixas brancas Dunlop 215/65/R16 na dianteira e Wrangler Goodyear 255/65/R16 na traseira

Quem fez? Fabiano e Geraldo Rabelo

*Matéria publicada na edição #135 da revista Hot Rods.

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