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Mecânica GM Opala, estilo rat look e último licenciamento feito na década de 60: picape é o exemplo da cultura “quanto mais desgastado, melhor”

Texto: Bruno Bocchini
Fotos: Ricardo Kruppa

Picape Dodge 1927

Talvez você compreenda bem, mas seus filhos e netos certamente vão achar esquisita a época em que para-choque traseiro e limpador de para-brisa eram opcionais em um automóvel. Em 1927 nascia o Dodge Fast Four – rápido, ele se parecia com os modelos antecessores de quatro cilindros, mas com desenho mais arredondado. De série, apenas velocímetro, amperímetro e um kit de ferramentas. O comprador teria que desembolsar mais dinheiro se quisesse para-choque traseiro, limpador do vidro e aquecedor. “Mimos” que nos dias atuais são essenciais em qualquer carro.

Roberto Alves Junior, 30 anos, comerciante de Santo André (SP), não precisou “abrir a carteira” para somar acessórios no modelo Dodge 1927 que ele decidiu transformar. Ao contrário: por ser fã da cultura rat look, Junior é do “clube” que prefere eliminar requintes em busca de um projeto que seja mais visceral nas ruas. Quanto mais desgastado, melhor. É a frase que norteia os amantes do segmento. “Sempre adorei esse estilo e quando comprei o carro ele já estava nessa pegada. Decidi manter, sem frescuras”, conta.

Junior coleciona um Ford Galaxie, um T Bucket e ainda está montando outros hots, mas confessa que o Dodge 27 fazia sua cabeça. “Esse carro era de um amigo, já namorava comprar ele há um bom tempo. E então, tempos depois, em 2011, consegui comprar em sociedade com meu primo Eduardo Pache. Parcelamos o pagamento”, lembra.

Em 2015, o empresário comprou a parte do primo e se tornou proprietário integral do modelo. Ele garante que gosta de negociar automóveis antigos, mas que não venderá o Dodge de jeito algum. “Tenho uma oficina em casa, gosto de montar alguns hots. É paixão mesmo. Negocio alguns carros, mas esse Dodge é impossível sair de perto de mim”, garante.

Influenciado pela família, Junior teve o primeiro carro antigo aos 18 anos, um Ford Landau. O tio era dono de uma oficina mecânica e os primos mais velhos idolatravam muscles e clássicos brasileiros. “Era fácil entender o motivo desse amor pelos automóveis antigos, via isso neles e passei a gostar também. Tanto que a partir dos 18 anos me vi mergulhado nesse universo”, explica.

Um V8 à porta

O projeto do Dodge 27 foi feito por um amigo de Junior, Fernando Dias (conhecido em Santo André por ser proprietário de uma hamburgueria temática). A mecânica escolhida para o carro partiu de um Chevrolet Opala: motor quatro cilindros, câmbio quatro marchas, diferencial e suspensão. “Optamos por ser uma estrutura simples e que cabia bem nesse carro, mas confesso que já comprei um bloco V8 e em breve vou colocar motor de Dodge mesmo. Além disso quero mudar a suspensão, é um próximo passo”, diz Junior.

Por fora, o modelo recebeu rodas aro 15 com calotas de Dodge Dart. A pintura foi uma história à parte, curiosa. “Um amigo pegou várias latas de tintas que estavam na oficina,  misturou as cores e surgiu essa. Não foi planejado, nem sabemos que nome dar a essa cor. Acabou combinando com a tapeçaria rústica, bem simples”, diz.

John Francis Dodge e Horace Elgin Dodge, fundadores da marca, certamente ficariam orgulhosos (ou assustados) com o projeto de Junior. Mas a homenagem aos irmãos está presente no modelo: basta observar o emblema “Dodge Brothers”. O fato de o último licenciamento do rat ter sido feito na década de 60 é um mero detalhe.

VEJA TAMBÉM: Picape Dodge 1951: Quebra-cabeça.

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