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Chegou a vez dos carros de lata. Veja dicas para conseguir a matéria-prima ideal para a realização do seu sonho

Texto: Manoel G. M. Bandeira
Fotos: Ricardo Kruppa

Já falamos sobre réplicas de fibra de vidro e nesta terceira parte do artigo vamos abordar os carros de lata, ou hot rods feitos a partir de carros produzidos pelos grandes fabricantes de automóveis do passado. No final da década de 1970, era possível ver muitos carros antigos rodando normalmente pelas ruas, que ainda não estavam tão absurdamente congestionadas como hoje. Naquele tempo ainda era possível rodar tranquilamente com carros das décadas de 1950, 1940, 1930 e até mesmo 1920 sem atrapalhar o trânsito. Se considerarmos que, em 1978, um Ford 1948 tinha apenas 30 anos de existência, fica fácil admitir que não era raro topar com um deles virando a esquina. Comparando com os dias atuais, seria como vermos rodando um Opala 1984, e todos sabemos que é muito fácil encontrar carros com mais de 30 de uso em plena atividade.

E foi mais ou menos no final da década de 1970 que o movimento Hot Rod começou, ainda timidamente, a tomar corpo no Brasil. É claro que, muito antes disso, tivemos carros construídos artesanalmente, no clássico estilo Hot Rod. Mas, tirando o movimento das “Carreteras” das décadas de 1950 e 60, o que se via era uns poucos pioneiros trabalhando aqui e ali de forma isolada.

Garimpo

Em 1979 meu passatempo predileto era sair nos finais de semana pela periferia da cidade, procurando nas garagens, nos quintais (ainda existiam quintais) e nos terrenos baldios, qualquer vestígio de carros antigos. Lembro-me bem que podiam ser encontrados facilmente os famosos Chevrolet Torpedo (Flatline) da década de 1940. Eram carros que ninguém queria, pois eram grandes demais por fora e tinham a visibilidade reduzida para quem estava dentro. Hoje, esses carros, e tantos outros Ford, Chevrolet, Dodge, Plymouth etc que encontrávamos tão facilmente, são joias raras para quem quer construir um bom hot rod. Certa vez comprei de um catador de papel um Ford 1937 sedã duas portas “slantback”, evidentemente por um preço irrisório. Este carro hoje em dia é um dos mais belos hot rods que conheço. Hoje, se você conseguir encontrar um carro desses em um estado razoável, certamente o valor a ser pago será bem alto.

Ranking

Ainda para efeitos de comparação, há 30 anos, os carros que tinham maior valor eram, por ordem de preço: os conversíveis duas portas, coupes três e cinco janelas, sedãs duas portas, conversíveis quatro portas e, finalmente, os carros de teto duro com quatro portas. Estes serviam praticamente para retirada de peças. Hoje a história é bem diferente. Um carro em bom estado, mesmo sendo de quatro portas, alcança um bom valor. Afinal de contas, praticamente tudo em termos de carros antigos está muito escasso e raro. É muito difícil dizer quanto vale um carro original em chapa de aço para se iniciar um projeto de hot rod. Porém, depois de anos de prática, hoje procuro analisar o projeto como um todo, considerando a compra do carro em si, apenas uma terça, ou quarta parte (dependendo do estado do carro) do que será o projeto acabado.

Às vezes, um carro muito raro, mas em péssimo estado de conservação, não é um investimento tão bom quanto um carro menos raro, porém mais completo de detalhes e com menos coisas por fazer. Principalmente se você está procurando um carro para sua diversão, e não está pensando em vender o hot logo que ele ficar pronto. É claro que não adianta comprar um modelo do qual você não gosta apenas porque o preço está atrativo. Ou porque o estado do carro é bom, a menos que você pense somente em ganhar dinheiro com ele. Então, para efeito de cálculo de valores, eu diria que você deve considerar alguns detalhes.

Em primeiro lugar, antes mesmo de analisar a raridade do modelo a ser cotado, você deve considerar a qualidade, ou a falta dela, no trabalho de lataria ou lanternagem que já foi realizado no carro. Um veículo pouco mexido sempre é uma opção melhor. Não adianta nada você comprar ou montar um modelo raríssimo, totalmente torto e desalinhado. Também não adianta o carro estar com boa aparência se, por baixo das camadas de tinta, a lata estiver prejudicada, enferrujada ou mal trabalhada. O velho sonho do carro sem massa plástica já morreu. Hoje em dia é muito difícil, e até mesmo sem lógica, tentar fazer um carro antigo sem utilizar a massa plástica ou massa poliéster. Esses materiais evoluíram muito, e hoje já não causam mais os problemas que foram responsáveis pela sua má fama. Depois de considerar o trabalho feito, aí, sim, vem a consideração pelo modelo do carro. Um conversível, coupe, ou mesmo um sedã duas portas, de um ano/modelo que lhe agrade, e com um trabalho bem feito, sem dúvida alguma terá um valor bem maior. Nesta fase da análise, os carros de quatro portas ainda saem perdendo.

Porém, insisto em dizer, é bem melhor um carro quatro portas em excelente estado do que um coupe todo torto.

Harmonia é essencial A tapeçaria é outro ponto que deve ser analisado com carinho. Neste quesito, vale ressaltar que o estilo é tão importante quanto a qualidade do acabamento. Um carro com rodas de ferro, calotas e pneus de faixa branca não pode ter um estofamento cheio de desenhos em alto relevo no melhor estilo hi-tech, pois as coisas simplesmente não combinam. Um carro que tenha o estilo nostalgia por fora deve manter o mesmo estilo em seu interior. Os materiais utilizados no estofamento também devem ser considerados. Couro legítimo sempre terá mais valor, é claro que considerando sempre o trabalho a que ele foi submetido.

A parte elétrica é outro detalhe importante. Fios e cabos aparecendo, terminais com acabamento ruim, chaves ou luzes que não funcionam também depõem contra a qualidade do projeto como um todo. Esta série de artigos “Quanto vale o seu hot rod” está sendo feita com o intuito de levar os rodders a pensar melhor sobre o verdadeiro valor dos seus carros. Sabemos que muita gente esperava que essas matérias tratassem de valores em reais sobre as diversas fases da construção de um hot. Porém isso seria injusto de nossa parte, pois estes valores podem variar muito de uma região para outra.

Queremos apenas mostrar os fatores que são determinantes na construção, na compra e na venda de hots, instigando o leitor a pensar e analisar cada detalhe em separado, chegando assim a um valor final mais próximo da realidade. Nos Estados Unidos, os preços dos carros por fazer sempre foram muito baixos. Isso se deve, em parte, à grande oferta de carros e carcaças lá existentes até hoje, e também ao alto valor da mão-de-obra e sua influência no preço final dos hots acabados. Já no Brasil, a oferta de carros a serem restaurados é muito pequena.

Infelizmente nossa frota foi dizimada pelas siderúrgicas e hoje muitos Ford e Chevrolet dormem dentro do concreto nos prédios de nossas cidades. Na próxima edição faremos uma pausa nesta série para contar uma parte dos 20 anos de história do clube Curitiba Roadsters em uma edição comemorativa de aniversário. Mas voltaremos na edição seguinte com a última parte desta série, quando falaremos sobre a parte mecânica dos carros, motores, transmissões, suspensões, rodas e pneus, além dos serviços de adaptação e também da documentação dos carros. Todos fatores muito importantes para definir quanto vale o seu hot rod.

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2 COMENTÁRIOS

  1. Gostei da reportagem muito legal. Estou construindo um rat rod aparti de um fusca com teto rebaixado e motor v8 na frente exposto e chassi feito por mim tbem. Brunn bikes custom bsb DF .

  2. Realmente existem muitos valores a se considerar na hora de comprar um hot como histórico do veículo, conservação, estilo do construtor e muitos outros aspectos que no final o que vale mesmo é curtir o seu carro na estrada e ver a reações das pessoas, fico impressionado quando uma criança puxa o braço da mãe ou do pai e aponta pro meu carro, fico feliz e contente de participar de algo único. Se alguém ainda tem duvida de reconstruir um auto antigo e rodar nas ruas de hoje, fica minha dica pois vai sentir estas e outras sensações únicas em sua vida.

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