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Cultura hot, assim como a kustom kulture, está ligada ao ato de tornar algo exclusivo, personalizado e, muitas vezes, uma forma pessoal de declaração de rebeldia

Texto: Victor Rodder
Fotos: Divulgação

Cultura Hot? O que é isso? Bom… Eu também não conhecia por esse nome até me dar conta de que era o nome da minha coluna mensal. Tenho de admitir que os anos 50 e a Kultura Kustom são muito mais a minha praia, mas não há nada que a gente não possa aprender. Google é meu pastor e nada me faltará! Como outras pessoas já disseram antes (e melhor), o hot rodding, ou a “cultura hot”, é um fenômeno tipicamente norte-americano, que óbvio, ganhou adeptos no mundo todo e que nasceu praticamente com a invenção da linha de montagem com Henry Ford. Mas é algo definitivamente muito maior do que simplesmente desmontar, lixar, remodelar, soldar, pintar e modificar um carro.

Muito mais do que melhorar o desempenho da máquina. Cultura hot, assim como a kustom kulture, está ligada ao ato de tornar algo exclusivo, personalizado, e muitas vezes, uma forma pessoal de declaração de rebeldia. E o que nos anos 20 começou com a alteração de veículos, hoje se traduz em um conceito de vida. Quando os primeiros hot rodders saíram juntos, se encontraram numa esquina de algum posto de gasolina ou numa lojas de bebidas, não imaginavam que suas jaquetas estampadas com nomes e imagens intimidadores se tornariam um marco na história, ou que tantos anos depois surgiriam revistas especializadas em hot rodding (ou cultura hot), e que se debruçariam sobre a origem de termos como “gow jobs” e “soup ups.”

Individualização

Está claro que o hot rodding mudou em muitos aspectos, crescendo enormemente em popularidade e aceitação durante os últimos 30 anos. Mas desde o início uma coisa não mudou. Algo que é o núcleo deste movimento: a individualização. Ser um rodder é ser diferente, é estar sempre fugindo da sua zona de conforto e fazer questão de mostrar isso! Algo típico dos adolescentes, não concordam? Pois é… nada mais certo do que isso! Somos eternos adolescentes! E podemos descobrir que ser um “rodder” não tem nada a ver com testosterona e hormônios em ebulição, pois se assim fosse, não existiriam “Old dogs”, “Xeriffs”, “Bonnies” e “Mikes” rodando por aí! Estou falando de carros, de projetos de hots e kustoms feitos por gente com um pouco mais de 30 e que, às vezes, parecem que ainda estão na adolescência. Hot rodding, como nós o conhecemos hoje, nasceu no sul da Califórnia e desenvolveu-se durante a década de 1930.

Mas, se olharmos para trás, vamos ver que até mesmo os primeiros construtores de automóvel da virada do século foram hot rodders. E, dentre eles, foi Henry Ford, em particular, o pioneiro em “pelagem automotiva” (strippin’ down) e no quesito “incrementação motorística” (hoppin’-up) ele se superava. Tendo como base carros comuns, saídos de linhas de montagem, Ford se divertia melhorando e adaptando seus próprios carros de linha, construindo carros superpotentes, verdadeiros “one-off”, os quais eram utilizados em corridas, feiras e outras competições, justamente para promover a sua nova empresa.

E quando ele estava finalmente confortavelmente estabelecido como fabricante e vendedor de modelos “T”, Ford passou a criar versões “stripped” e modificadas de seu próprio carro. Ainda melhores que as anteriores, apenas para ter o prazer de ver suas criações deixarem para trás os grandes e caríssimos Stutzes, Mercedes e Duesenbergs. Ver que, corrida após corrida, quebrando recordes mundiais a todo instante, ainda era possível se superar. Era o espírito do Hot Rodding.

Fruto da depressão

Mas, após a década de 1920, quando Henry Ford e os irmãos Chevrolet correram as 500 Milhas de Indianápolis, após o grande “boom” automotivo, veio a depressão. E muito por causa dela, da depressão, que se iniciou essa cultura hot que conhecemos hoje. Jovens que já tinham idade para dirigir, de uma hora para outra, viram seus sonhos de um dia comprar um carro esportivo “zerinho” irem por água abaixo. Diferentemente do que aconteceu na década anterior, estes jovens já não podiam experimentar com tanta facilidade a sensação de comprar um carro novo. Mas logo eles descobriram que podiam comprar um Modelo “T” ou um Roadsters “A” usado, por quase nada.

E aí, usando seu próprio trabalho e criatividade, transformá-los em carros rápidos e excitantes, que não só atrairiam a atenção, mas poderiam superar os carros mais caros na rua, acelerando de um semáforo a outro. Carros eram construídos nos quintais, e as peças vinham de ferrosvelhos. Na maioria dos casos os acabamentos, como pintura e estofamento, estavam por último na lista de prioridades. Eram os rodders pioneiros, que tinham um grande orgulho de serem únicos na estrada. Dirigiam roadsters realmente “quentes” e que tinham sido construídos com suas próprias mãos!

Clubes de Hot rodders

Rapidamente, ainda no início da década de 1930, esses verdadeiros “jockeys de roadsters” descobriram os lagos duros, lisos e secos do deserto. Localizada a nordeste de Los Angeles, no verão e aos finais de semana, aquela região tornou-se o destino comum para levar seus carros e seu cronômetro! Surgem então os primeiros Clubes de Hot Roders: Outriders (“correndo por fora” ou “rebatedor”), Low Flyers (“voando baixo”), Bungholers (“buraco de barril”), Knight Riders (“cavaleiros corredores”), e Sidewinders (uma espécie de “serpente do deserto”) são alguns nomes de clubes daquela época. E os carros? Nem preciso dizer que foram literalmente depenados: para-choques, capôs, capotas, vidros… tudo que podia sair, saía! A ideia era aliviar o peso. Eram barulhentos, sem dúvida, e alguns ganhavam pinturas com chamas e labaredas ou outros desenhos “ameaçadores”.

Mas só correr no deserto não bastava, e para infelicidade de muitos, correr nas ruas da cidade tornava-se uma atividade comum, mesmo sendo sabidamente perigosa e ilegal. O Hot Rodding então já se desenvolvia não apenas como um modismo local, mas também, e principalmente, como uma contracultura. Era a forma de dizer “não”! E em 1938, quando a imagem de “foras da lei” dos primeiros hot rodders já havia se intensificado tanto, os grandes clubes então existentes se organizaram e criaram a “Southern Califórnia Timing Association”, que até hoje se mantém ativa, como uma forma de melhorar a imagem pública dos rodders, supervisionar as corridas nos lagos secos e, principalmente, tentar aliviar o assédio da polícia. Era a oficialização da cultura hot!

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