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A linha Americar, da Willys, teve seu fim no auge da Segunda Guerra Mundial e, também por causa dela, foi uma das primeiras a ter modelos transformados em hot rods

Texto: Flávio Faria
Fotos: Ricardo Kruppa

Em tempos de guerra tudo vira uma bagunça e os esforços dos países se voltam para o campo de combate. A Segunda Guerra Mundial foi o exemplo perfeito disso. Com milhões em batalha na Europa, os Estados Unidos tiveram de fazer um grande esforço para produzir armas e veículos que pudessem abastecer suas tropas na ofensiva contra os nazistas. Todas as empresas da época entraram no chamado “esforço de guerra” e com a Willys não foi diferente. Até meados de 1940, ainda início do conflito, a companhia, à época batizada Willys-Overland Motors, era uma concorrente direta de outras grandes montadoras norte-americanas, como Ford, Chevrolet e Chrysler.

Os modelos criados no início daquela década, chamados Americar, vinham em diversas carrocerias, entre elas sedã, coupé, station wagon e picape. Porém, com a entrada dos americanos na guerra, no final de 1941, após o ataque à base de Pearl Harbor, a Willys ficou incumbida da produção de jipes militares e, mesmo após a vitória dos Aliados, em 1945, a empresa, se dedicou basicamente apenas à construção de jipes, os conhecidos CJ, deixando de lado a produção de carros até 1952, com a chegada do Aero Willys, que também teve vida curta e encerrou a história da companhia com carros de passeio. Para muitos, aliás, os modelos da década de 40 são os últimos “verdadeiros Willys”, mas esta é outra discussão.

Na fibra

Hoje, encontrar um Willys da década de 1940, original, em lata, é uma tarefa quase impossível, pois poucas unidades foram comercializadas na época e, por uma questão até de necessidade, quase todas hoje em dia são hot rods. A explicação para isso é que a mecânica quatro cilindros original daqueles modelos não era muito robusta, e como a Willys estava envolvida com as forças armadas, parou de produzir peças de reposição, forçando os proprietários a criarem adaptações, algumas muito mais potentes do que as originais e exclusivas, que mais à frente seriam chamadas de hot rods.

Mas, e quem sonha em ter um modelo como este? Por obra de alguém muito esperto, foram criados os modelos de carroceria em fibra, que hoje em dia não devem em nada aos modelos em lata. Este, clicado por Hot Rods em Curitiba (PR), é de propriedade de Durair do Rosário Filho, de 59 anos, proprietário da revenda de carros Clássicos e Antigos, cujo nome já indica o ramo de atuação. Adquirido pronto pelo empresário, este Willys 1940 foi produzido pela SS Fiberglass e conta com todos os elementos que tornam o modelo um dos preferidos pelos rodders.

A pintura é clássica, em vermelho, com flames na dianteira, imortalizada pelos hots dos anos 50 e que até hoje faz sucesso. Os pigmentos são da PPG e foram usadas três camadas de tinta. Grade e faróis são originais do modelo, que nas suas versões hot rod nunca trazem para-choques ou frisos. Este modelo ainda teve as maçanetas das portas e do porta-malas retiradas, para dar um aspecto liso à carroceria. Os espelhos são importados. As rodas são da Weld Racing, de 15”, modelos Pro Star, montadas em pneus 195/55 na dianteira e 275/65 na traseira.

Elegante

Por dentro, os bancos individuais revestidos de couro bege, mesma tonalidade dos forros de porta, dão um contraste bonito com a cor do painel, vermelho como o exterior, onde estão instalados instrumentos da marca brasileira Cronomac. O volante é cromado, estilo banjo. Sobre o carpete também bege está um detalhe a mais: tapetes com a inscrição “Willys”.

É do brasil!

Por baixo do capô do clássico americano está uma peça de engenharia bem brasileira. O motor escolhido para o projeto é um 6 cilindros em linha, 250-S, original do Opala. A carburação é feita por um modelo DFV de corpo duplo, sendo a única adição de fôlego para o propulsor, que originalmente rende aproximadamente 200cv de potência. Os cabos de vela de 8mm, da marca Accel, além de contribuírem com o visual, também promovem melhores faíscas dentro dos cilindros. A tampa de cabeçote cromada com a inscrição da Chevrolet dá um toque especial ao conjunto.

O escape conta com coletor dimensionado, para dar conta do grande volume de gases queimados pela unidade e gerar um ronco bonito de se ouvir nas duas saídas. Para transmitir a força para as rodas foi escolhido um câmbio Clark, mecânico, em conjunto com diferencial Dana. Com suspensão independente, o modelo tem uma dinâmica boa em curvas, mas nunca é bom abusar demais da cavalaria com tração traseira. Gostou? Hoje parte do acervo da Clássicos e Antigos, este Willys pode ser seu. É só convencer o Durair!

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