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A série “Desbravadores do Hot Rodding Nacional” apresenta um Chevrolet 1934 batizado de Boddy

Texto: Aurélio Backo
Fotos: Benedito Giannetti Junior/ Arquivo pessoal

Neste artigo conheceremos outro hot rod nacional desbravador e com uma boa história para contar: um Chevrolet 1934 batizado de Boddy. Benedito Giannetti Junior, um apaixonado por velocidade, se encantou com os hot rods em uma viagem que fez aos Estados Unidos. Quando voltou para sua cidade, Piracicaba, interior de São Paulo, ele decidiu que iria montar um carro daqueles. Nada de novo até aqui, a não ser por um pequeno detalhe: quando iniciou o seu hot rod o ano era 1968!

Em um tempo em que não existia Internet, Dito, como é conhecido, começou a estudar revistas americanas para aprender como se montava um daqueles carros de que tanto gostou. Logo descobriu que precisava de um motor forte e de uma carcaça antiga. O motor precisava ser V8 e em 1968 havia duas montadoras nacionais que fabricavam este tipo de motor: o Simca, com 140 cavalos, e o Ford, com 161 cavalos. Dito acabou comprando um Cadillac 1952 batido que estava no pátio da delegacia de polícia de Piracicaba. Esta foi uma excelente escolha, pois mesmo sendo um carro com 16 anos de uso, sua mecânica V8 tinha uma concepção moderna e, com 5,4 litros, desenvolvia 190 cavalos.

Carro “bacana”

E agora a parte mais divertida na montagem de um hot rod: achar um carro bacana! Dito e um amigo acharam em um ferro-velho na cidade de Saltinho uma carcaça de Chevrolet 1934 fechada com quatro portas (à época uma carcaça com 34 anos; hoje seriam 80 anos!). Mesmo em 1968, conseguir uma carroceria destas era um “achado”, pois modelos fechados da década de 1930 eram escassos (hoje temos uma quantidade razoável de Ford modelo A fechados de duas portas, que foram trazidos em anos recentes do Uruguai). Se o par de amigos tivesse encontrado uma carcaça do modelo conversível de dois lugares (roadster), esta seria bem mais apropriada para montar um hot rod, não só pelo apelo mais esportivo, mas também porque seria bem mais leve (e mais veloz!). Um Chevrolet Standard 1934 Roadster pesava originalmente 350 quilos a menos que o Chevrolet 1934 Master Sport Sedan com suas quatro portas e porta-malas (modelo da carcaça que compraram). E agora a parte reservada aos bravos: juntar tudo isto e dar uma volta na quadra!

Sábia decisão

Foi decidido alterar o chassi do Cadillac para aceitar a carroceria do Chevy. Para tanto, foi diminuída em 45 cm a distância entre-eixos, a parte traseira foi estreitada e o motor foi instalado um pouco mais para trás, para deixar o radiador sobre o eixo dianteiro. Esta última alteração provava que Dito sabia o que estava fazendo! Nos carros da década de trinta, as rodas dianteiras ficam posicionadas bem lá na frente. Se fosse escolhido o caminho fácil, de

deixar o motor na posição original de um Cadillac 1952, o carro teria ficado “narigudo”, e parecido com um daqueles antigos Scania-Vabis alaranjados!

Este motor foi “envenenado” com o aumento da taxa de compressão, uso de quatro carburadores de corpo duplo de Simca, e coletor de escapamento com saídas individuais para cada cilindro. Externamente o carro foi pintado de branco e o teto foi “estofado” com vinil preto com detalhes gomados. O estilo deste teto era coerente com os carros da década de 60, em especial os carros construídos nos Estados Unidos para competir em exposições. Uma capa do radiador foi especialmente construída para o carro e foi pintada de branco para não ofuscar todos os detalhes cromados do motor. Sobre as rodas dianteiras foram instalados pequenos para-lamas que viravam com as rodas.

Na traseira, uma chapa curvada cobria parcialmente os pneus. Internamente o carro era todo revestido com napa preta, inclusive o painel e um console central. Uma vez pronto, Boddy se mostrou um excelente carro. Em 1970 uma revista nacional o experimentou e relatou que ele tinha uma aceleração “bastante violenta” e nas curvas o carro “chegava a surpreender, pois a estabilidade era muito boa”. Além disto afirmavam que “em qualquer lugar que para[va]m, junta[va] uma multidão” e que “até um Dodge Dart , o carro nacional mais veloz na época, levou uma poeira na arrancada!”.

Mas a vida de glórias de Boddy foi curta. Cerca de dois anos depois de pronto, Dito se envolveu num acidente no qual, por sorte, não se feriu, mas que deixou muito danificado seu carro. Dito, em vez de recuperá-lo, decidiu montar outro hot rod aproveitando a mesma mecânica.

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