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Cadeirante, militar reformado e piloto de corridas constrói T-Bucket adaptado e acelera forte em Curitiba

Texto: Flávio Faria
Fotos: Ricardo Kruppa

T-Bucket

Não existe dificuldade grande o bastante para inibir um sonho. Apaixonado por motores fortes, o militar reformado Sérgio Adriano Vida, de 45 anos, nunca deixou que obstáculos o impedissem de atingir seus objetivos. Piloto de kart há dez anos, Sérgio sempre correu com modelos adaptados. A aventura deu tão certo, que ele chegou a pilotar carros da Stock Car. “Fui duas vezes campeão metropolitano de kart, em 1998 e 1999, vice-campeão das 500 Milhas de Joinville em 2003 e 2004 e campeão paulista em 2008 na categoria Parakart. Em 2009 recebi diversos convites para categorias de F3 Sul- americana, GT4 e Stock Car. Resolvi encarar o maior desafio de minha vida, o de pilotar um carro de Stock Car.

Foi um desafio e tanto, pois o carro de Stock necessitava ser adaptado para acelerador, freio e embreagem. Como não disponho de movimento das pernas, tudo precisou ser adaptado para que eu pudesse fazer as três coisas ao mesmo tempo. Henrique Nemeth, da HN Adaptações, conseguiu fazer isso tudo com um sistema elétrico/ hidráulico que funcionou perfeitamente. Pilotei e competi por três corridas, em Curitiba, Brasília e São Paulo”, conta o piloto. A paixão por hot rods começou nos anos 80, ainda na época da adolescência, quando Sérgio via carros passeando pela orla. “Como sempre fui aficionado por carros e velocidade, quando passeava com meu tio por Balneário Camboriú, sempre via hots desfilando, então com o passar dos anos comecei a montar o meu projeto”, afirma.

T-Bucket
T-Bucket

Baldinho

Baseado no Ford modelo T, o T-Bucket é um tipo bem particular de hot rod. Por terem sido produzidos somente até 1927, hoje em dia existem pouquíssimos modelos originais para serem restaurados. A saída, para quem gosta do estilo, é fazer uma réplica, que pode ser bem fiel à original, inclusive com traços em lata. No caso de Sérgio, a escolha pelo T-bucket foi natural. “Minha ideia inicial era montar um Tudor em parceria com o meu irmão. Mas como ele desistiu temporariamente do projeto, e eu sempre gostei de carros abertos, decidi pelo T-Bucket”, conta.

A carroceria, em fibra, foi adquirida com Aurélio Backo e foi pintada em amarelo. Espelhos, faróis e lanternas foram importados dos EUA. A caçamba original do projeto foi alongada em 15cm para que pudesse acomodar a cadeira de rodas de Sérgio. As rodas são de Galaxie, com calotas cromadas, estilo hot, montadas em pneus de faixa branca nas medidas 195/60 na frente e 275/70 atrás. A parte interna se manteve simples, mas com toques de requinte.

O estofamento e as portas foram cobertas em couro, com carpete sobre o assoalho. Os instrumentos do painel são da Auto Meter, entre eles velocímetro, manômetros de óleo e combustível, voltímetro e termômetro. O volante é Grant. Pelo fato de Sérgio não ter o movimento das pernas, foi necessário que os comandos de acelerador e freios fossem adaptados para acionamento com a mão esquerda, por meio de uma alavanca. “Quando comprei a mecânica, procurei um carro com câmbio automático, pois a adaptação ficaria mais fácil, sendo somente freio e acelerador para adaptar.

Como sou piloto de kart e Stock Car, não foi muito difícil adaptá-lo. Tínhamos uma solução antiga, usada nos karts. Pedi então aos mecânicos que fizessem suportes diferentes para a coluna. O Leandro (mecânico, da oficina Irmãos Bochesko) encontrou um braço de freio de Rural que tinha um desenho muito bonito e com visual bem ao estilo do carro. Nós cortamos, fizemos a furação para os parafusos e pronto. Ficou lindo e mais fácil do que imaginava”, conta Sérgio.

T-Bucket
T-Bucket

Antigo sonho

A mecânica adquirida por Sérgio, V8, era parte obrigatória do projeto. “Sempre planejei esse hot com mecânica V8, para que não se distanciasse muito dos verdadeiros T-Bucket”, contou o piloto, que adquiriu um Galaxie para ser doador de peças. Dele veio o propulsor Ford de 302”, de 190cv originais. Todo o propulsor foi mantido original, até porque, com o peso baixo da carroceria em fibra, a relação de peso e potência é muito boa. Inclusive o carburador original Motorcraft foi mantido.

As maiores alterações foram na parte estética, com a tampa do filtro pintada na cor do carro, tampas de válvula cromadas da Edelbrock, cabos de vela de 8mm e coletor de escape feito sob encomenda.

Na parte elétrica, o T-Bucket está servido de bobina, módulo de ignição e distribuidor MSD, além de velas Bosch. O câmbio é automático, de três velocidades, também original do Landau, com diferencial Dana. A suspensão dianteira é feita com eixo rígido do Ford 40, o que dá um aspecto mais vintage para o “T”. Na traseira, Sérgio optou pelo sistema four link, que oferece maior estabilidade. Os amortecedores são Monroe. Segundo Sérgio, o carro só fica parado em casa quando não há alternativa. “Só não saio em dia de chuva. Estando sol, ele vai para a estrada”.

VEJA TAMBÉM: Hot rod de fibra: um Fordinho com motor V8.

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