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Com mecânica Plymouth, pintura especial e detalhes cromados, esse T-Bucket é um exemplar que vai “espancar” seu imaginário

Texto: Bruno Bocchini
Fotos: Ricardo Kruppa

Projetar um automóvel para os próximos 50 anos é desenhar sem lápis. A substituição do volante pelo computador de bordo, interagindo com as informações do GPS e dos transmissores instalados nas vias, fará com que o carro seja conduzido sozinho. Sensores evitarão acidentes e, em toda a rota, indicarão curvas e aproximações com outros veículos.

A cabine parecerá uma sala de visitas e os ocupantes poderão contemplar paisagens pelas janelas panorâmicas -– algo como uma sala de reuniões no topo de um edifício envidraçado. E o motor elétrico alimentado por células solares garantirá a ausência de poluição. Para qualquer criança, a ideia é um sonho e parece oferecer encanto. Mas os saudosistas só conseguirão resumir o futuro veicular em uma palavra: tédio. Representante da cultura Hot Rod, Cleverson Morais, 39 anos, é proprietário da oficina especializada em restauração de antigos Nenê NHRA, localizada em Curitiba (PR).

É neste espaço que ele fortalece o segmento, sem medo do que virá no futuro, para satisfazer proprietários de carros clássicos e, claro, somar doses de alegria para si. Este Ford T-Bucket 1923 é um exemplo de como as características do passado podem ser revividas com (quase) pouca modernização – mantendo o tradicionalismo invicto. “Escolhi esse T-Bucket por vários motivos. Era um sonho antigo montar um carro como esse, mas queria algo diferente dos demais, com muitos detalhes cromados e a própria pintura brilhante”, explica Cleverson, conhecido pelo apelido de Nenê. Empresário do ramo de hot rods, Nenê fabrica kits de chassis e suspensões para modelos, algumas de suas especialidades. Os serviços também contemplam muscle cars.

“Nós fazemos aqui serviços gerais em modelos hot, diversos antigos e também muscles. Adoro conceber a construção de cada carro, mas é claro: dizer que não vendo os meus automóveis é difícil, para tudo tem um preço”, brinca.

Reaprendendo da dirigir

Se você acha que o modelo Ford T foi o primeiro automóvel do mundo, engana-se. Esse mérito é do alemão Karl Benz que, em 1886, criou o primeiro automóvel movido a gasolina, o Patent-Motorwagen. A razão pela qual o Ford foi eleito em 1999 o “Carro do Século 20” por especialistas de todo o mundo é que ele foi pioneiro na produção em série, a partir de 1913, graças à visão de seu criador, Henry Ford. A revolução do T repercute até hoje em qualquer lugar. Um exemplo nacional mais próximo para entender a revolução que o automóvel da Ford causou: em maio de 1919, começou a montagem do T na rua Florêncio de Abreu, em São Paulo, com investimento de 25 mil dólares. Os 12 funcionários, à época, concluíram 2.447 unidades naquele ano.

Já em 1921, a empresa foi para uma linha de montagem completa na rua Sólon, no bairro do Bom Retiro. Três anos depois, os 124 empregados produziam 40 veículos ao dia, ou 4.700 carros. Era o início de um estilo que transformaria o modo de como as pessoas enxergariam o carro no cotidiano – não apenas como um veículo de locomoção, mas que também pudesse liberar sentidos e prazeres. E a versão T-Bucket nada mais é do que a inspiração da carroceria do modelo T, mas recortada para trocar o classicismo pela esportividade – “Bucket”, que do inglês sugere a palavra “balde”. Uma carroceria vazada no melhor da escola hot rod.

Referências induzidas

Nenê procurou inspiração na história do T-Bucket para criar o próprio “instrumento de diversão”. As referências, desde a estrutura da carroceria ao processo de produção artesanal, garantiram virtude ao “balde” representado em cima das quatro rodas. A mecânica escolhida foi herdada de um Plymouth 1957 e trata-se do motor 6 cilindros flathead. Para caracterizar o ímpeto do “Fordinho” foi construído um coletor de admissão com três carburadores, coletores de escapamento cromados feito sob medida, câmbio de três marchas com acionamento mecânico e diferencial Braseixo.

Os detalhes podem ser conferidos até no cofre: motor, câmbio e diferencial também contam com pintura especial brilhante na cor dourado. “São vários cuidados com cada parte do T-Bucket. Além das pinturas outro grande diferencial do projeto é a instalação da coluna de direção na vertical, bem diferente dos modelos que costumamos ver nas ruas. O tanque de combustível feito em alumínio fica escondido atrás do banco – sendo que o visor de nível de combustível está situado ao centro do banco”, conta Nenê. A suspensão também foi projetada por Nenê e confere eixo rígido cromado na dianteira e ladderbar com coilovers na traseira.

Como é impossível resumir os detalhes apenas no interior do T-Bucket, Nenê aprimorou o exterior do clássico com rodas dianteiras artesanais calçadas em pneus Firestone de motocicletas Chopper. As rodas traseiras de medida 15×10” da marca Rocket somam o delírio, mas é a pintura especial feita em tons de laranja Califórnia da Ford que completa o enredo. “Toda a montagem foi difícil, são muitos detalhes, volante feito sob medida, tampão em alumínio e outros tantos ajustes que vão brigando com nossas ideias. Mas acredito que tudo foi feito com muita criatividade em vários finais de semana dentro da minha oficina.

Se você imaginar um cara feliz, sou eu”, comemora Nenê. Ao passear pelas ruas e ver algum conhecido é fácil chamar atenção: basta acionar a corneta, tradicional buzina dos modelos T-Bucket, para cumprimentar o amigo no melhor do saudosismo fordiano. Se, no futuro, a buzina deixar de existir da forma como foi concebida, certamente Nenê não encontrará graça, já os netos…

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