Esta F-100 1964 chegou às mãos de administrador paulistano com a pintura em ótimo estado, por isso ele fez questão de mandar envelhecê-la um pouco

Texto: Flávio Faria
Fotos: Ricardo Kruppa

F-100 1964

No universo dos hot rods, as picapes têm lugar de honra. As possibilidades são muitas para quem busca este tipo de projeto, como deixar no estilo “street”, com visual mais original; rat, com muita ferrugem; ou até um estilo mais envelhecido, evidenciando o caráter mais “bruto” deste tipo de veículo, mas não tão agressivo quanto os “ratos”. Esta última opção foi o caminho seguido pelo administrador paulistano José Rosnei Piccoli, conhecido como Nei, de 50 anos, que encontrou esta F-100 1964 um dia, por acaso, em um site de compra e venda na internet. Segundo ele, tudo indicava que o carro estava em bom estado. “O preço estava bom, fiquei até desconfiado, pois a caminhonete parecia ser bonita.

O veículo estava no interior de São Paulo e, após alguma negociação, marquei de ver a picape no dia seguinte. Um amigo me acompanhou na viagem e fomos conhecer aquela F-100. Quando vimos o carro, meu amigo disse que, se eu não a comprasse, ela seria dele”, comenta o proprietário, que tratou de verificar detalhadamente o estado do veículo. “Ela não rodava havia anos, mas a pintura estava novinha, parecia que havia sido feita recentemente. Muitos detalhes estavam pintados de cinza, como para-choques, quebra-mato, grade dianteira e aros dos faróis. Faltava colocar vidros, maçanetas, manivelas, bancos. Na cabine, um volante esportivo pequeno, de carro, e não havia forração e tapeçaria. O motor era de Opala, com câmbio “clek-clek” antigo, hidrovácuo adaptado, mas sem funcionar.

Olhei por baixo, feixes de molas dianteiro e traseiro no lugar, cardã e diferencial no lugar. O chassi também parecia em ordem, sem emendas, trincos ou rachaduras. Olhando aquela F-100 montada parcialmente não tive dúvidas: o importante era ter a cabine e a caçamba em ordem, o resto eu daria um jeito”, explicou Nei, que na mesma hora fechou o negócio e chamou o guincho para levar a picape para casa.

F-100 1964
F-100 1964

Lixa nela!

O trabalho de restauração da F-100 foi feito com muita calma. Foram trocados acessórios externos, como lanternas, piscas e faróis. A pintura, que chegou como nova às mãos do administrador, teve um contato imediato com a lixadeira e foi propositalmente deixada para enferrujar em pontos estratégicos. Em seguida, foi passada uma camada de verniz, para que a ferrugem não “comesse” a carroceria. O objetivo de Nei foi dar um aspecto envelhecido à carroceria. “Nos encontros e eventos sempre encontramos muitos carros originais ou hots restaurados da melhor forma possível.

Notei que não tinha carros envelhecidos. Havia muitos rats, com muita ferrugem mesmo, mas nenhum modelo mais sóbrio. Pesquisando mais na internet, descobri que os carros envelhecidos estavam agitando os eventos americanos há anos, mas aqui no Brasil esta onda ainda não estava em alta. Como eu queria ter um carro diferente e que provocasse uma sensação boa de aparência, além da tendência atual para carros envelhecidos, não pensei duas vezes: “Vai entrar na lixa”, decidi. No entanto, antes de fazer qualquer mudança eu pesquisei muito para não perder as características da caminhonete”, conta.

Se você, leitor, ficou com dó da Fordinha, não foi o único. “Minha esposa quase endoidou quando me viu lixando a caminhonete”, brinca o proprietário. Ainda foram feitos pinstripings, para deixar o visual ainda mais old school. As rodas são de 15”, da Mangels, cromadas. O ar vintage é garantido pelas calotas adaptadas do Ford 36. As redondas estão montadas em pneus Zhone 235/75 na dianteira e Pirelli Scorpion 255/75 na traseira.

F-100 1964
F-100 1964

Rústica

Por dentro foi mantido o máximo de originalidade. Não foi feita forração interna. Os bancos originais foram trocados por um inteiriço, que combina melhor com a Fordinha. No painel, os instrumentos originais foram mantidos, após restauração. Para monitorar a saúde do motor ainda foram adicionados um termômetro de água e de óleo e um medidor de combustível. O volante é original, mas recebeu uma adaptação no cubo para ficar mais alto e dar uma posição de direção mais confortável. Até o rádio é nostálgico, original dos anos 60.

F-100 1964

Vai de seis

Na época da reforma, Nei tinha na garagem duas opções de motores: um GM 4.1 de seis cilindros e um Dodge V8 318”. Por uma questão de custo, ele acabou decidindo pelo primeiro, o que com certeza não foi má ideia. A unidade, moderna, tem ignição eletrônica, tuchos hidráulicos e carburador Solex H-34, de corpo duplo. Além disso, o sistema conta com um jogo de cabos de vela Accel 8mm, encaixadas em velas da NGK. Atualmente, a picape roda a gasolina. O câmbio é manual, de quatro velocidades, com acionamento no assoalho. Os freios são a tambor nas quatro rodas, mas dão conta tranquilamente de parar os 200cv de potência do seis cilindros. A suspensão, embora original, teve o feixe de molas invertido, para rebaixar um pouco a carroceria. Segundo Nei, o carro é perfeito para pegar a estrada. “Está muito bom de dirigir, ainda mais para viajar, é muito estável, com a caixa de direção nova, pneus largos, mas precisa ter braço para segurar”, conta o proprietário, que utiliza a picape todos os dias para trabalhar. “É meu carro de uso diário, confio muito nele. O engraçado é que encontro muitas pessoas na rua que não conhecem este tipo de personalização de carros antigos e vêm me perguntar de que cor eu vou pintar”, conta, divertido.

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