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Sem bola de cristal, jovem engenheiro Zora Arkus-Duntov, da Chevrolet, antecipa previsão da preferência dos rodders pelos motores da marca

Texto: Aurélio Backo
Fotos: Divulgação

Em maio de 1953, a Chevrolet norte-americana contratou Zora Arkus-Duntov, engenheiro mecânico de origem belga que marcaria a história desta montadora e também a história dos hot rods. Em dezembro daquele ano, Zora, um apaixonado pela velocidade, escreveu um interessante memorando direcionado ao engenheiro chefe da Chevrolet, que transcrevemos abaixo:

“Pensamentos relativos aos jovens, hot rodders e Chevrolets” O movimento Hot Rod e o interesse em coisas ligadas a performance e velocidade continuam crescendo. Uma prova disto: as publicações dedicadas aos hot rods e a preparações, das quais cerca de meia dúzia têm uma circulação muito grande e são distribuídas nacionalmente, não existiam há cerca de seis anos. De capa a capa, estas estão cheias de Fords. Não é de se surpreender que a maioria dos hot rodders comam, durmam e sonhem com Fords modificados.

Eles conhecem as peças de um Ford de ponta a ponta, e melhor do que o próprio pessoal da Ford. Um jovem, ao comprar uma revista destas pela primeira vez, é imediatamente apresentado a um Ford. É razoável supor que, quando hot rodders, ou pessoas influenciadas pelos hot rodders forem comprar um automóvel, eles venham a comprar um Ford usado. À medida que progridem em idade e renda, passarão a comprar Fords seminovos, e em seguida, Fords novos. Devemos considerar que seria desejável fazer esses jovens simpáticos aos carros da Chevrolet? Eu acho que estamos em uma posição para realizar uma tentativa bem-sucedida. No entanto, há muitos fatores contrários:

1. Lealdade e experiência com a Ford.

2. Indústria de equipamentos de potência é voltada aos Ford.

3. Milhares estão e vão estar competindo com Ford.

4. Aparecimento do novo motor V8 da Ford, agora, um ano antes de nós (nota 1).

Quando uma linha superior de motores GM V8 apareceu, há alguns anos (nota 2), houve poucas e não muito bem-sucedidas tentativas para desenvolvê-los. Além disso, o aparecimento do Chrysler Hemi V8 (nota 3) foi recebida com relutância, apesar da semelhança com os motores Ford Flathead equipados com os cabeçotes Ardun (nota 4), que foram bem aceitos pelos hot rodders. Este ano é o primeiro em que os motores Chrysler preparados tiveram sucesso. Os registros das competições de velocidade no lago seco de Bonneville são divididos entre os motores Ardun-Ford e Chrysler.

Como todas as pessoas, hot rodders são atraídos pela novidade. No entanto, a experiência lhes ensinou que o desenvolvimento de um novo motor é caro e consome muito tempo. Da minha observação constato que um hot rodder consome cerca de três anos para ter êxito no desenvolvimento de um novo motor. O novo motor Ford lançado em 1954 chegará neste patamar entre 1956 e 1957. O potencial do nosso novo motor Chevrolet V8, lançado em 1955, é extremamente alto. Mas, se deixarmos as coisas seguirem seu curso natural, estaremos um ano atrás. E além do que poucos hot rodders vão pegar um motor Chevrolet para desenvolver. Um fator que poderia superar esta dificuldade seria o desenvolvimento de equipamentos de potência pela própria Chevrolet.

Se o uso do motor Chevrolet, pelos hot rodders, for facilitado, e as primeiras tentativas forem coroadas de êxito, o novo motor V8 Chevrolet não terá o estigma do custo de um Cadillac ou Chrysler, e poderá tomar o lugar do motor Ford antecipadamente. Isso significa que o desenvolvimento de uma variedade de peças especiais, como comandos, válvulas, molas, coletores, pistões, e tal, devem ser colocados à disposição do público.

Para consolidarmos o sucesso neste campo, deverão ser ofertadas peças de potência, não só para o motor, mas componentes de chassis também. Na verdade, peças de ligas leves e partes de freio com materiais compostos já estão na agenda do Grupo de Pesquisa e desenvolvimento da Chevrolet.

Estes pensamentos são oferecidos pelo que valem: um homem pensando sobre o assunto em voz alta.

Assinado: Z. Arkus-Duntov

zorawheel

Nota 1: A Ford, em 1954, substituiu o famoso motor V8 “Flathead” pelo V8 com bloco em “Y” ( o mesmo motor que no Brasil equipava os caminhões Ford e os primeiros Galaxie).

Nota 2: A General Motors passou a equipar o Cadillac e o Oldsmobile com modernos motores V8 nos modelos de 1949.

Nota 3: Motor V8 lançado pela Chrysler em 1951 de grande eficiência devido a câmaras de combustão hemisféricas.

Nota 4: Os cabeçotes Ardun transformavam um motor Ford “flathead” de válvulas laterais em um eficiente motor com válvulas no cabeçote e câmaras hemisféricas.

Este equipamento foi desenvolvido anos antes pelo próprio Zora e seu irmão. Zora Arkus-Duntov deveria ter, na época, uma bola de cristal, pois suas considerações foram quase uma previsão do futuro. O novo motor V8 lançado com o Chevrolet 1955 fornecia, na sua versão básica, 162 HP, mas com a opção “Power Pack” (carburador quadrijet e escapamentos duplos) fazia a potência pular para 180 HP.

Já no Corvette 1955, este mesmo motor equipado com um quadrijet, escapamentos duplos e um comando de válvulas de maior abertura fornecia 195 HP. O Chevrolet, que até 1954 era considerado um carro “pacato”, com seu motor de seis cilindros de pouca potência, passou, a partir de 1955, a ser desejado também pelo público mais jovem. Nos anos seguintes a Chevrolet foi aumentando a capacidade cúbica deste motor e, consequentemente, a potência. E o que parecia impossível aconteceu: os hot rodders passaram a preferir o motor Chevrolet em vez do motor Ford. E esta preferência permanece até os dias de hoje, quando a maioria dos hot rods americanos são modelos Ford equipados com motores Chevy!

 

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