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Lendária Studebaker resgata memórias e ressurge com  originalidade e “espírito hot” para consagrar maior entusiasta da marca com mecânica GM 350 e muito estilo

Texto: Bruno Bocchini
Fotos: Ricardo Kruppa

Picape Studebaker 1955

Mario Ferretti, 69 anos, pode não lembrar a cor da primeira camisa que vestiu, mas sua história – recheada de colorações – só permite esquecimentos pontuais. Na oficina de restauração de carros antigos no Jardim do Lago, em Campinas (SP), o empresário não quer apenas ser lembrado pelo título de maior incentivador da marca Studebaker no Brasil. Ferretti prefere fingir esquecer para lembrar mais tarde: recordar de um passado que rascunhou o presente e anseia pelo futuro.

Nessa trajetória que exibe paixão pelo antigomobilismo, restauração e manutenção de veículos antigos não cabe a velha relação “ser ou estar”. Quando há em jogo sonho e identidade os caminhos são resgatados. “Boa parte da nossa infância diz muito sobre quem vamos ser ou como vamos avançar. Não são apenas as relações familiares, mas principalmente o modo de vida, a cultura. Sempre quis andar na Studebaker do meu pai, mas ele trabalhava muito e, além da falta de tempo, a família era grande para passear em uma picape”, comenta Ferretti.

Em 1984 a recente memória do entusiasta recebeu doses de empolgação. Surgiria, naquele momento, o encontro com a Studebaker 1955. “A picape estava em uma concessionária em Campinas. Quando a vi perdi o chão, foi um encantamento, algo muito forte. Ela estava na loja, mas o proprietário à época não queria vendê-la, então recorri a um amigo que o convenceu a se desfazer dela. Paguei pela Studebaker o equivalente a R$ 3 mil”, lembra.

A “Azul”, como é chamada a picape 1955, era para ter sido relíquia solitária de Ferretti, mas com o tempo ganhou irmãs da mesma marca: a “Preta”, a “Amarela” e outras mais que não receberam apelidos. No quesito originalidade, o modelo Studebaker Starligh 1948 é referencial, mas a “Amarela” – dentre todas – é a que seguiu completamente a originalidade diante do processo que Ferretti utiliza. “É um hobby mesmo. Gosto de salvar carros que não são mais aproveitados e unir dois ou três carros em condições ruins para fazer um só. Esse trabalho de paciência, de seleção, com critério e amor é o combustível que me move”, aponta.

Celeste para a paz

Não importa o tom: azul-bebê, azul-celeste, azul-cobalto, azul-marinho, azul-esverdeado, azul-turquesa, azul-caribe ou azul-inverno. Sendo azul, Ferretti está satisfeito. Considerada a primeira picape com o estilo hot no Brasil, a Studebaker 1955 recebeu modificações que empolgam qualquer jovem “moderninho e avesso” a carro antigo. “Sempre existiram diversos automóveis modificados, mas fui o primeiro a fazer picapes preparadas. No caso da “Azul” pensamos como se fosse um carro de competição, mas claro, mantendo aquele toque original que é belo para o modelo”, explica Ferretti.

A harmonia sob o capô foi implantada pela oficina Nika Old Cars, também de Campinas. O responsável pela diversão é o motor Chevrolet 350 V8 alimentado por um carburador quadrijet, e equipado com uma caixa de transmissão TH 350. “Sugeri as alterações, já que o Ferretti só quer acelerar e curtir a picape no melhor estilo hot. Foi um trabalho importante, não só pela história, mas também por ser mais uma picape relevante no Brasil”, garante Nika, preparador que realizou outros projetos com Ferretti.

O interior do modelo remete ao estilo clássico da marca e conta com volante Rosseti com aro vazado e estrutura de madeira, detalhes cromados e bancos e forração em couro.

A picape recebeu premiação em julho passado durante o encontro de Águas de Lindoia (SP), não apenas por se tratar de um exemplar raro da consagrada Studebaker, mas pelo projeto original aplicado. Os automóveis de Ferretti renderam, em todos os anos, destaque em diversas cidades do Brasil e, sobretudo, ajudaram o entusiasta a receber o título de maior incentivador da marca Studebaker no Brasil. “Em 1997 o Museu da Studebaker nos Estados Unidos entrou em contato, mas olha que esse não foi para mim o maior motivo de alegria”, garante.

Ferretti, naquele mesmo ano, recebeu o primeiro prêmio em Águas de Lindoia. Mas este, carregado de emoção. “Em 1996 fui com meu filho para o evento, mas como não havia feito inscrição com antecedência, fiquei de fora da disputa. Retornei chateado para minha casa por não ter conseguido participar e meu filho percebeu. Então ele encostou a mão no meu ombro e disse: “Carinha, não fica triste, ano que vem você vai ganhar. Em 1997 de fato eu ganhei o prêmio, mas nessa época meu filho não estava mais comigo. Ele sofreu um acidente de carro e faleceu jovem. Toda vez que ganho algum prêmio eu me lembro dele. Por isso esse troféu foi especial, o melhor prêmio que ganhei”, relata.

O que lembraremos antes de esquecer? Para Ferretti, a certeza de ter vivido bons momentos e a magia que um automóvel antigo pode proporcionar – mesmo se a saudade, sem cor, forçar a memória.

FICHA TÉCNICA

Picape Studebaker 1955

Mecânica

Motor GM 350 V8, alimentação por carburador quadrijet, câmbio TH 350

Parte interna

Detalhes cromados, instrumentação Veglia Borletti, bancos e forração em couro, volante Rosseti com estrutura de madeira

Parte externa

Pintura original azul, detalhes cromados, grade original cromada, pneus Cooper Cobra e rodas cromadas

Quem fez?

Nika Old Cars – ID: 42*9168 e Ferretti Studebaker –

www.studebaker.com.br

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