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Cruzamos o Arizona e, finalmente, chegamos à Califórnia, o “Estado Dourado”, onde rodamos os últimos quilômetros desta aventura

Texto e Fotos: Ricardo Kruppa

Rota 66

Deixando para trás as centenas de quilômetros de areia do Novo México, entramos na sua continuação natural, o deserto do Arizona.

CONFIRA A PARTE 1 DESSA AVENTURA.

Lupton, Sanders, Chambers e Holbrook foram as primeiras localidades. Foi em Holbrook nossa primeira significativa parada neste estado.

Foi lá que conhecemos o Wigwam Motel, estabelecimento inaugurado em 1950 por Chester Lewis, empresário que atuava no ramo já desde a década de 1930.

O Wigwam Motel funcionou até 1982, quando foi fechado por Chester, que veio a falecer em 1986. Para manter vivos a memória e os anseios de Chester, seus filhos reabriram as instalações em 1988, colocando para funcionar 15 tipí, tendas típicas dos índios da América do Norte.

Entre estas tendas a administração utilizou hot rods para enfeitar o ambiente. Entre os veteranos utilizados estão picape Studebaker, Impala 1959, Chevrolet 1952, Bel Air 1958 e Ford F1. A ideia da família com a reinauguração era recriar um ambiente no estilo dos anos 50. A combinação das tipí com os veículos antigos relembram o período em que o hotel funcionava a pleno vapor, em um momento em que a Rota 66 era uma das mais importantes da malha viária do continente.

 

A casa mal-assombrada

Deixando para trás o curioso hotel de Holbrook, passamos por Joseph City, Winstow, Two Guns Winona e Bellemont até chegar a Fragstaff. Lá, conhecemos o Museum Club, um local cheio de histórias preservadas.

A história do local tem início em 1931, quando foi fundado pelo taxidermista Dean Eldredge. À época, a ideia de Dean era aproveitar a movimentada Route 66 para exibir seu trabalho.

Por este motivo, comprou o terreno que antes pertencia à Reserva Federal e montou o que chamou de a “maior casa de toras de madeira do mundo”.

Com o passar do tempo, Dean descobriu que sua casa não era a maior do mundo, nem mesmo a maior da América, mas se satisfez com o título de maior casa feita de tora de madeira do Arizona.

Animais empalhados, vasto armamento e artefatos indígenas lá expostos, comercializados e até mesmo trocados, deram ao lugar um carinhoso apelido dado por seus visitantes: the zoo, o zoológico, apelido que permanece com a casa até hoje.

Dean morreu de câncer logo depois e sua casa foi adquirida pelo jovem casal Don Scott e Thorna Scott.

O casal abriu no local um night club, que foi sucesso imediato na região, durante as três décadas que viriam a seguir.

A história da casa, bem como de Don e Thorna, passaria por mudanças drásticas nos anos 70. A começar pela morte de Thorna, em 1973, ao quebrar o pescoço caindo da escadaria principal do local.

Mas o trágico acidente viria a selar também o destino do então viúvo Don, que, depressivo após a perda da esposa, cometeu suicídio dentro da casa, em 1975.

Três anos depois das trágicas mortes o local foi adquirido por outro casal: Martin e Stacy Zanzucchi.

O apelo taxidermista original do local foi retomado e passou a decorar a casal de shows que passou a funcionar ali.

A casa continuou bastante visitada pelos viajantes da Rota 66 e, até hoje, recebe vários artistas locais frequentemente, para apresentações musicais.

Acontece que, de acordo com relatos dos atuais proprietários, bem como de pessoas que trabalharam por lá nas últimas décadas, os fantasmas de Don e Thorna jamais deixaram o local.

Ao conhecer o local e a história por trás dele, resolvemos prosseguir viagem e passar a noite na cidade que viria a seguir. Apenas por precaução.

Uma pausa na Rota 66

Dizem que, por mais que um viajante se programe, os melhores momentos são aqueles que acontecem de maneira inesperada. Dito e feito!

Ainda dentro do estado do Arizona, enquanto completávamos mais um longo trecho de deslocamento, uma breve busca no Google nos indicou a existência de um ferro-velho nos arredores.

Já que este era o principal propósito de nossa viagem, não havia como ignorar esta informação.

E lá fomos nós! Deixamos a Rota 66 pela primeira vez em toda esta viagem e nos embrenhamos 40 milhas adentro, rumo à cidade de Rye. Abandonamos a 66 por intermédio da Rota 17, depois pegamos a Rota 260 e, cerca de uma hora depois, sob um sol escaldante de aproximadamente 40 graus, lá estávamos nós no aguardado ferro-velho denominado All Bikes.

O “Cemitério All Bikes” como o apelidamos carinhosamente, é um local onde motos, bicicletas e automóveis vão para nunca mais sair.

Ron Adler, proprietário do local, estima que cerca de 9.000 unidades repousem ali, entre motos e carros.

Ele é extremamente ligado a cada modelo existente ali e nem sequer permite que visitantes vasculhem o local minuciosamente. No nosso caso, Ron nos levou até um muro relativamente alto, que dava visão para boa parte do terreno, acreditando que nossa curiosidade pudesse ser saciada com apenas um olhar panorâmico. Ledo engano!

O local tem cerca de 40 anos de idade e, de acordo com relatos, existem duas regras que precisam ser religiosamente respeitadas. A primeira é: não toque em nada. A segunda é: jamais discuta preços com Ron se, por acaso, topar negociar algo com você.

Apesar de bater o olho em diversas coisas que nos interessaram, Ron não permitiu que nenhum de nós tivesse contato com aquelas relíquias. Quem fez esse papel por nós foi nosso drone, guiado diretamente de cima do muro do ferro-velho.

Deixando o ferro-velho, nossa ideia era retornar à Rota 66 e, finalmente, seguir para a Califórnia. Acontece que, enquanto cruzávamos a cidade de Phoenix, capital do Arizona, tomamos conhecimento de um evento de hot rods, denominado Rock and Roll McDonalds Classic Car Show.

E, como não conseguimos dispensar uma reunião de carros antigos sequer, alteramos novamente nossos planos e demos um pulinho lá. (Confira os detalhes deste evento aqui).

Destino: The Golden State

Entramos no último estado da nossa epopeia, a Califórnia, um dos mais receptivos locais pelos quais passamos. Kingman foi a cidade que nos recebeu e de lá passamos por Needles, Essex, Bagdad e Yermo.

Nesta última, nos deparamos com a exótica cidade fantasma Calico Ghost Town. Um grupo de viajantes norte-americanos que também admirava o local abandonado fez questão de nos contar a respeito da história enterrada ali.

Tudo começa em 1881, quando uma mina de prata foi descoberta ali. Em menos de cinco anos, 1.200 trabalhadores já haviam chegado à cidade em busca de trabalho nessas minas. O local, durante algum tempo, foi reconhecido como o mais rico do estado, produzindo anualmente o equivalente a 86 milhões de dólares em prata e 45 milhões em bórax, outro minério encontrado por ali em abundância à época.

O curioso é que a reserva durou apenas nove anos, e em 1890, havia apenas 80 pessoas morando ali. Atualmente, 125 anos depois do fim da atividade exploratória que conta a história da cidade, pudemos encontrar um ambiente totalmente preservado pelos locais. E são estes casebres, objetos e letreiros que comprovam que, em algum momento, muitos seres humanos habitaram ali.

Após a cidade fantasma de Calico, nos dirigimos para outra que não mais existe: Daggett.

Lá em Daggett, apesar de procurar, não encontramos absolutamente nenhuma pessoa com qual pudéssemos interagir. Só algum tempo depois, já de volta ao Brasil, é que por intermédio de uma pesquisa na internet, descobri o motivo: o último censo registra a existência de 200 pessoas habitando o local.

Santa Mônica

Nossa viagem termina onde, inicialmente, ela teria início: no litoral californiano, mais precisamente em Santa Mônica, no condado de Los Angeles.  A cidade turística representa não apenas o final da nossa viagem, mas o final da Rota 66 em si.

Entre os principais pontos de interesse do local estão a “Ocean Avenue”, um boulevard extremamente popularizado pela cultura ocidental, mencionado em filmes e músicas, e o píer, que oferece uma fotografia única, também bastante utilizada como referência cultural em filmes conhecidos, como, por exemplo, em “Rocky, o Lutador”, estrelado por Silvester Stallone.

Diversos artistas, dentre eles músicos, atores e diretores hollywoodianos residem na região. Tinha lugar melhor que encerrar uma viagem única como esta, do que entre as estrelas?

VEJA TAMBÉM: Vídeo: Hot Rods percorre a Rota 66 (EUA).

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