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Sonho de gerações, Charger com famosa mecânica big block reúne características que empolgam até os que desconhecem a marca

Texto: Bruno Bocchini
Fotos: Ricardo Kruppa

Dodge Charger 1974

Não é modismo. Andar de Dodge é uma sensação transcendental e a relação homem-motor é indescritível. Fazer parte desse mundo é algo sobrenatural, é como uma religião mopariana, amigos até tatuam seus carros no corpo, outros a marca e assim segue uma admiração nunca vista no meio automobilístico. Você pode ter qualquer outra marca, mas nenhuma proporciona o prazer de um Dodge, seja nacional ou importado. Vi isso nos Estados Unidos, a admiração e paixão são passadas de avós para netos, seguem gerações”, descreve Miguel Salomão, 48 anos, empresário de São Paulo, dojeiro “de carteirinha” e proprietário deste modelo Charger 1974.

Dizem que fãs excessivos são chatos. Outros garantem que a inveja é o mal para quem almeja o Dodge do vizinho. E há ainda aqueles que nunca sentaram em um banco de Dodge, mas afirmam: “Gostaria de ter um”. Não importa se for um Dart ou um Magnum, pode até ser o encorpado Challenger, se o modelo tiver sido desenhado pela Chrysler e carregar motor e espírito invocado, fatalmente haverá espaço em sua garagem.

Miguel é entusiasta apaixonado pela marca e, desde a infância, sonhava com o momento em que compraria seu primeiro exemplar do Charger R/T. “Em 2010 conquistei meu primeiro Dodge e, de lá para cá, não parei mais, tive vários e hoje, além desse Charger 74, tenho outro do mesmo ano, um R/T nacional amarelo ocre barroco”, comenta.

O sossego de Miguel ainda não teve fim. Segundo ele, falta um modelo especial para acalmar os nervos. “Meu objetivo maior é um Charger americano 1969, com ele eu sossegaria um pouco. Não tenho tanto espaço na garagem, porque se tivesse estaria lotado de modelos Dodge”, pontua.

Quando sai com o Charger 1974 de casa, Miguel mantém dois pontos clássicos para encontrar outros modelos e, de quebra, exibir o seu. Além de visitar com frequência o Encontro de Antigos da Luz e o Sambódromo do Anhembi, ambos em São Paulo, há um local especial, o Mopar Clube Brasil, em Jundiaí (SP). “É onde mais me agrada e me sinto em casa. O pessoal tem respeito, é família. E a amizade e consideração vão além, bem diferente de muitos clubes e associações de antigos que você só vale pelo que tem. Ali faz todo sentido você ter um Dodge”, define Miguel.

“Vaquinha” por um R/T

Mães sempre perguntam se os filhos estão levando blusa porque “mais tarde vai esfriar”. Agora, imagine um filho que sai sem casaco e ainda pretende voltar para casa com um Dodge R/T. “Desde garoto já tinha um pouco de ferrugem nas veias e quando via o pessoal mais velho detonando com um Dodge para cima e para baixo da rua tinha vontade de ter um. Não havia condição financeira, mas teve um período que reuni cinco amigos para comprar um R/T. O problema é que quando chegamos ao local o carro já tinha sido vendido. Sorte ou azar, não sei. Fato é que também iríamos detonar”, relembra.

O Charger 1974 demorou para surgir na vida de Miguel, mas o tempo de espera, segundo ele, valeu a pena. “Um amigo apareceu em um encontro com esse 74 e eu disse que seria meu. Foi engraçado porque ninguém levou a sério e alguns meses depois eu troquei um Charger R/T 78 por esse. Fizemos quase tudo no carro, menos motor, que é novo, e o câmbio, o restante como suspensão, freios (pinças, encanamento, hidrovácuo, lonas, cilindro mestre), rolamentos, linha de combustível, caixa de direção, bomba de direção hidráulica, mangueiras e outros foram substituídos”, explica Miguel.

Importar para somar

Para afinar o projeto do Charger, Miguel precisou encontrar referências em mecânica para alavancar o upgrade. O primeiro passo, básico, foi encontrar um profissional de confiança e, a partir dessa etapa, importar peças dos Estados Unidos. “O Glauber Tuffano, da Nostalgia Oldschool, é um grande profissional. Sabia que poderia apostar no serviço dele, então realizamos a compra das peças. É impressionante porque existe de tudo no catálogo, o ruim é retirar o material aqui no Brasil, já que a taxa de 60% sobre o produto é um absurdo”, comenta.

Com a chegada das peças, Miguel reuniu a equipe que faria o serviço completo no Dodge. “Além do Glauber Tuffano, outros profissionais foram importantes para esse projeto como o Roberto Milanez, Marcelo Mendes e o sempre presente tio Mário, que deu toda assessoria mecânica e de suspensão”, reforça.

Sob o capô, o Charger carrega o famoso motor big block 400, com comando de válvulas 290, escapamento dimensionado Flowmaster em aço inox, sistema de ignição, distribuidor e cabos MSD e carburador quadrijet Holley em alumínio polido 670 CFM. A transmissão adaptada para o modelo é a Torqueflite 727 automática.

Para somar o estilo clássico e não perder a essência Mopar, Miguel optou pelas rodas Magnum e pneus Mickey Thompson na traseira com tala 10”/295 e dianteira tala 8”/245. De todas as ações, a única mudança que deverá surgir é na pintura do Charger. “Se por acaso o Dodge ainda estiver comigo penso em mudar a cor para laranja”, indício de que Miguel é fã do General Lee, o antológico Dodge do seriado “Os Gatões” (The Dukes of Hazzard). Só faltaria adicionar o adesivo com o número ‘01’ nas portas. A brincadeira estaria completa!

FICHA TÉCNICA

Dodge Charger 1974

Mecânica

Motor big block 400, comando de válvulas 290, escapamento dimensionado Flowmaster em aço inox, sistema de ignição, distribuidor e cabos MSD, carburador quadrijet Holley em alumínio polido 670 CFM; transmissão Torqueflite 727 automática.

Parte interna

Painel e bancos originais na cor verde, rádio com leitor de CD e USB.

Parte externa

Rodas Magnum, pneus Mickey Thompson na traseira com tala 10”/295 e dianteira tala 8”/245.

Quem fez?

Glauber Tuffano, da Nostalgia Oldschool. Tel. (11) 4970-3024.

VEJA TAMBÉM: Dodge Kingsway: um carro antigo só para maiores.

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