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Fizemos um levantamento para descobrir onde estão os hot rods, que pode ser na rua, na pista, no lago seco, na exposição… E até no Brasil!

Texto: Aurélio
Fotos: Divulgação

Hot rodding

A espécie de carros “hot rodding” surgiu nos Estados Unidos da mistura de três elementos: habilidade mecânica, gosto pela velocidade e carros velhos! Esses carros velhos eram, em geral, os Ford Modelo T da década de 20, os Modelo A de 1928 até 1931, o modelo 1932 (o preferido) e os 1933 e 1934. O motor tinha de ser trocado por um mais potente e o mais popular era o próprio flathead da Ford, um motor V8 produzido de 1932 até 1953.

Para montar um carro veloz, o melhor era já partir para um modelo bem leve, como o roadster (o conversível para dois passageiros). Para deixar o carro ainda mais leve, eram retirados para-lamas, para-choques e estribos. O motor também devia ser “envenenado”, melhorando a carburação, ignição, escapamento e, quem sabe, usando um comando de válvulas mais agressivo.

Esses “roadsters esquentados” teriam originado o termo hot rod. Hot, que significa quente, e rod, que seria uma abreviação de roadster.

Um fato que fez proliferar a “população” de hot rods foi o fim da Segunda Guerra Mundial, em 1945. Os soldados veteranos voltavam para casa com os bolsos cheios de dinheiro. E a vontade de comprar um carro novo esbarrava na dificuldade dos fabricantes em atender a demanda (as montadoras ficaram cerca de três anos sem produzir carros para a população civil).

Mas, durante a guerra, muitos soldados tinham aprendido ou aprimorado suas habilidades mecânicas no serviço militar. E essas habilidades eram usadas agora para revitalizar algum veículo mais antigo. E assim muitos hot rods eram criados.

Hot Rod na rua

Esses hot rods eram usados como carros do dia a dia e levavam seus donos para a escola, trabalho ou para desfilar à noite e levar as moças para o drive-in. Mas, eventualmente, dois hot rods se encontravam e, quando o sinaleiro ficava verde, o “racha” acontecia. O objetivo era ver quem chegava antes no próximo sinaleiro! Nos drive-in também eram combinados os “rachas” em ruas e estradas desertas. Essas competições misturavam gasolina, testosterona e perigo! E o hot rod nas décadas de quarenta e cinquenta eram vistos pela população como um mal a ser eliminado.

Hot Rod na pista

Além desses rachas ilegais, também havia nos Estados Unidos os “pegas” em pistas de avião abandonadas. Nesses locais as leis de trânsito não eram desrespeitadas e as provas tinham um mínimo de organização. Em 1950, Cloyce Hart, sua esposa Mary Margaret “Peggy” Riley e mais dois sócios, fundaram enfim a primeira pista comercial voltada para as corridas de arrancada, o “Santa Ana Drag Strip”. O local escolhido foi uma pista não utilizada do Aeroporto do Condado de Orange, na Califórnia. Como essas provas ainda não eram algo organizado, o próprio C.J “Pappy” Hart (como era chamado Cloyce) estabeleceu a distância de um quarto de milha (402 metros), com base nas corridas de cavalo e também estabeleceu as classes dos competidores.

Já no primeiro mês de operação, Pappy e Peggy se tornaram os únicos sócios da pista e entraram para a história como os responsáveis pelo estabelecimento de um novo esporte: o “drag racing”. Uma possível origem do termo drag racing seria “corrida na rua principal”, pois em inglês “main drag” significa rua principal, normalmente a melhor e mais larga rua de uma cidade pequena.

Com o sucesso comercial da pista de Santa Ana, outras pistas surgiram e se fazia necessária a criação de regras que uniformizassem as competições. Para suprir esta necessidade foi criada em 1951 a National Hot Rod Association (NHRA), sendo seu fundador Wally Parks.

Hoje, após mais de 60 anos, a NHRA é a maior organização mundial dedicada ao automobilismo, com 80.000 membros, 35.000 pilotos licenciados e 140 pistas. Os bólidos que competem são classificados em mais de 200 classes baseadas em diversos itens, como tipo do veículo, tamanho do motor, peso, aerodinâmica e modificações efetuadas.

Hot Rod no lago seco

Muito tempo antes de ser criado o termo hot rod, já havia corridas de velocidade máxima em longas retas nos leitos planos de lagos secos dos desertos da Califórnia. Essas provas eram organizadas por vários clubes automobilísticos. Esses clubes eram criados por jovens que gostavam de velocidade e buscavam legitimar seu esporte. Em 1937, sete desses clubes decidiram criar uma associação. O objetivo era a organização de provas de velocidade em um ambiente amigável, sem esquecer da segurança dos competidores.

Com a criação dessa associação, regras e classes foram estabelecidas. Isso estimulava a competição, já que os competidores de todos os clubes estavam sujeitos às mesmas regras. Essas competições eram provas de velocidade final nas quais cada competidor corria individualmente contra o relógio, buscando, dentro da sua categoria, a maior velocidade.

A primeira prova organizada pela Southern California Timing Association (Associação de Cronometragem do Sul da Califórnia) ocorreu em maio de 1938 no lago seco de Muroc. Além desse, outros lagos secos do Deserto de Mojave também eram utilizados: Harper, Rosamond e El Mirage, todos na Califórnia. No ano de 1949, a SCTA organizou sua primeira prova fora da Califórnia. Este local era o lago seco de Bonneville, no estado americano de Utah, e o piso, em vez de areia, era de sal.

Essas provas da SCTA também são um habitat natural dos hot rods. Há classes para todos os tipos de hot rod. A “Vintage”, por exemplo, é para automóveis anteriores a 1948 e também réplicas em alumínio e fibra de vidro. Nesta categoria é possível ver baratinhas Ford 32 impecáveis rodando acima dos 300 km/h!

Hot Rod na exposição

Além de velozes e potentes, os hot rods também são bonitos. E este lado é explorado nas exposições. O mais tradicional de todos os eventos é o Grand National Roadster Show, que acontece sempre em janeiro na Califórnia, a terra sagrada do hot rod!

Esse evento estreou em janeiro de 1949. Al Sloaker e sua esposa, Mary, montaram uma exposição de carros novos em Oakland, Califórnia, mostrando os novos veículos de Detroit, bem como carros europeus. Além desses veículos comercializados pelas concessionárias, foram incluídos no evento carros clássicos, antigos, de corrida e alguns hot rods. A exposição foi um sucesso com mais de 27.000 espectadores, sendo o estande dos hot rods um dos mais concorridos.

Por conta do sucesso no evento desses carros alterados, a exposição no ano seguinte foi toda dedicada a eles e batizado de “National Roadster Show”. Foi decidido também que o carro mais bonito levaria para casa um troféu de 2,74 metros de altura com o nome do ganhador gravado na base. Este troféu pertenceria ao ganhador até a aclamação no ano seguinte do novo “mais belo roadster hot rod da América”.

O primeiro nome a ser gravado na base do troféu foi o de Bill Niekamp, com seu Ford 1929 extremamente modificado e com o uso de partes exclusivas e feitas de alumínio, como capa do radiador, tampa do motor, e vários acabamentos. Além disso, este utilizava componentes de diversos carros, como motor V8 flathead de Mercury 1942, chassi de Essex 1927, lanternas traseiras de Plymouth 1949 e eixo traseiro de Ford 1939. Mas esse não era apenas um carro bonito, tanto que em 1952 atingiu 227 km/hora na superfície lisa do lago seco de El Mirage, Califórnia.

Neste mês de janeiro ocorreu a 69ª edição deste evento que é o “big daddy” (grande pai) de todos os eventos. Não se esqueça de conferir na internet o grande ganhador e portanto o atual hot rod mais lindo dos Estados Unidos ( e, no meu entender, do mundo…).

Hot Rod na estrada

Em 1970, o editor da revista “Rod and Custom” e seu amigo Tex Smith, organizaram um encontro de street rods. Um street rod seria uma tendência de hot rod que começou a ganhar força na década de sessenta que privilegiava o uso do carro nas ruas. O motor V8 e potente estava lá, mas o carro tinha amenidades para uso normal, como câmbio automático e até ar condicionado.

A novidade do encontro era reunir street rods de todas as partes dos Estados Unidos. Foi escolhida uma cidade no meio do país, Peoria, estado de Illinois. Isso fez que os street rodders desfrutassem de longas viagens dirigindo seus carros para participarem do evento. Esse primeiro encontro nacional, algo inédito até então, foi um enorme sucesso com 600 carros participantes.

No meio de tantos participantes desse primeiro encontro, voluntários com vontade de trabalhar pelo bem comum organizaram a National Street Rod Association (Associação Nacional dos Street Rods). O objetivo da associação era a promoção de eventos nacionais e a divulgação do street rodding. Desde então a associação tem se mantido forte e hoje conta com cerca de 50.000 associados! Em 2016 o maior evento da NSRA foi o realizado em agosto, o 47º Street Rod Nationals na cidade de Louisville, Kentucky. Para lá seguiu uma quantidade imensa de 10.300 carros participantes, mais de 350 expositores de produtos e 70.000 visitantes. Para 2017, a associação programou dez eventos em vários estados americanos.

Inicialmente, os eventos da NSRA eram limitados a street rods construídos com carros fabricados até 1948 (ou reproduções). Em 2005, para “rejuvenescer” e evitar a estagnação dos eventos, foi alterado o critério de corte e passaram a ser permitidos participantes com carros com 30 anos de fabricação.

Além dos encontros da NSRA, há diversos outros grandes eventos na terra do hot rod como os organizados pela Goodguys Rod & Custom Association. Diferente da NSRA, que foi organizada por voluntários, a Goodguys foi fundada em 1983 por Gary Meadors e sua esposa, Marilyn Meadors, com o objetivo de promover de forma profissional eventos com hot rods e customs.

Hot Rod no Brasil

A espécie hot rod se espalhou por todo o mundo e também habita as terras brasileiras. Temos muitos hot rods e vários fariam bonito até nos eventos americanos. Nosso ponto a melhorar seria a organização de clubes e associações fortes. Aos poucos vamos evoluindo, mas talvez o que falte para isto deslanchar seria crescer o número de pessoas interessadas no hot rodding. Veja acima o caso da NSRA. No primeiro evento, em 1970, cerca de 600 carros participaram. Uma grande quantidade de participantes era necessária, pois só assim haveria em número significativo uma quantidade de pessoas dispostas e aptas a trabalhar por uma causa comum…

VEJA TAMBÉM: Cultura: Vida Lowrider.

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