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De esforço de guerra a xodó dos surfistas da Califórnia, conheça o Woodie, carro que une o aço estampado à matéria prima utilizada nas antigas carruagens 

Texto: Manoel G. M. Bandeira
Fotos: Divulgação

Hot rods de madeira

As carruagens, que deram origem aos automóveis (que se movem sozinhos), eram feitas, em grande parte, de madeira. Os primeiros automóveis eram, em síntese, carruagens adaptadas para substituir os cavalos pela grande novidade que mudaria o mundo, um pequeno e barulhento motor a explosão.

No início do século passado, quando os carros começaram verdadeiramente a ser produzidos em escala industrial, a madeira ainda era o material mais utilizado na construção de suas carrocerias. Essas carrocerias eram compostas, basicamente, por uma gaiola de madeira revestida com chapas de aço pregadas. Isso mesmo, pregadas à estrutura de madeira.

Os carros da Ford, por exemplo, utilizavam muita madeira na sua construção até o ano de 1931. Os carros da sua maior concorrente, a Chevrolet, mantiveram a estrutura de madeira até 1936. A maioria dos grandes encarroçadores independentes, que produziam carrocerias para carros de luxo, utilizava largamente a madeira como base de suas carrocerias.

Os anos 30 corriam soltos, a economia ia se aquecendo gradativamente nos Estados Unidos, após a grande recessão de 1929, o mercado ansiava por novidades e a produção de carros deveria ser suficientemente grande para suprir a procura por carros novos. Então foi inevitável deixar de lado a construção artesanal e lenta das peças de madeira, que eram feitas a mão, uma a uma. As grandes montadoras modernizaram seus projetos para estruturas que utilizariam mais e mais o aço estampado, deixando de lado a madeira.

Esforço de guerra

Porém, em 1939, tinha início a Segunda Grande Guerra. Em dezembro de 1941 os EUA entram definitivamente no confronto, após o ataque japonês a Pearl Harbor. O governo americano mobiliza as montadoras para produzir veículos e equipamentos de guerra. A produção de veículos civis só retornaria no final de 1945. Nesse período era muito difícil até mesmo a compra de chapas de aço, mas a madeira era abundante e não faltava mão de obra especializada em construir carros com ela.

Antes mesmo da guerra já existiam algumas fábricas que transformavam pequenos calhambeques em carros maiores e até mesmo em veículos de transporte de passageiros ou de carga. Para isso, utilizavam a parte dianteira dos carros em chapa de aço, mas construíam um corpo totalmente novo em madeira envernizada.

A falta de opções na época da guerra popularizou a construção de carrocerias de madeira para atender às necessidades de consumo. Carros com carroceria de madeira passaram a ser considerados como uma das melhores opções, pois eram mais espaçosos e úteis do que os modelos que os originaram.

Woodies

Depois do final da guerra a indústria automobilística americana voltou com força total, e teve um dos seus períodos mais prósperos e criativos pelos 20 anos seguintes. Os carros de madeira ficaram esquecidos por todos, quer dizer, quase todos. Os surfistas do sul do estado da Califórnia encontraram nos Woodies (como eram chamados os carros de madeira) tudo que eles mais queriam. Carros com carrocerias grandes o bastante para acomodar suas enormes pranchas de surf e também com um espaço interno muito interessante, que podia tanto abrigar a turma toda em busca de novos points, como serviam até mesmo como casa por alguns dias à beira de praias paradisíacas e desertas.

Os Woodies tinham ainda mais algumas qualidades muito importantes. A velocidade com que as montadoras apresentavam carros mais modernos e inovadores fazia com que os preços dos velhos carros de madeira literalmente despencassem. Os surfistas com pouco dinheiro aproveitaram, mas o preço não era o único atrativo.

Os Woodies tinham um isolamento térmico bem melhor do que os carros de aço, e isso, à beira da praia, a mais de 30 graus, é muito importante. Com certeza muitos americanos nascidos nas décadas de 1950 e 1960 foram concebidos dentro de um Woodie à beira mar, com uma longbord pendurada no teto.

Woodie brasileiro

Tive a ideia de construir um Woodie aqui no Brasil há mais de vinte anos, mas sempre acabava deixando o projeto de lado. Este ano não teve jeito, cortei a cabine da minha picape Ford 1930 e iniciei os trabalhos. Como trabalho sozinho no carro e faço isso somente nas horas vagas, o projeto vem andando devagar. Espero que, em dois ou três meses, o carro esteja pronto para ser apresentado nas páginas da revista Hot Rods.

Há 38 anos, em 1979, entrei no mundo dos hot rods e já tive 47 carros antigos. Em todo esse tempo, nunca comprei um carro sequer sem estar completamente apaixonado por ele. O Woddie deve ser meu último projeto, pelo menos é isso que espero. Quero curtir esse carro com todo o carinho que sempre dediquei ao hobby que tanto amo.

Com o tempo a gente se acostuma tanto a construir carros que se esquece que o maior prazer está em desfrutar dos carros depois de prontos. Se tudo der certo você será meu convidado a voltar no tempo e sentir a mesma sensação de liberdade dos jovens do sul da Califórnia no começo dos anos 50. Quem sabe você se anima a construir um Woodie também.

VEJA TAMBÉM: Chevrolet Wagon 1949 Woodie: customização completa com motor V8 e faróis de LED

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