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O motor Ford 2,3 do Maverick foi desenvolvido para ser um propulsor versátil, e seria utilizado inclusive em uma versão turbo no Ford Mustang da década de 1970

Texto: Manoel G. M. Bandeira
Fotos: Ricardo Kruppa e Divulgação

Ford 2,3

Nos tempos do carburador, as opções de motorização que tínhamos no Brasil eram poucas. Com as dificuldades impostas pelo governo para importação de carros, entre outros produtos, o consumidor brasileiro era praticamente obrigado a escolher entre as poucas opções oferecidas pelas montadoras instaladas aqui no Brasil. Estas, por sua vez, tendo nas mãos um mercado completamente submisso, nos impunham o que queriam, destinavam ao Brasil carros obsoletos e, muitas vezes, já saindo de linha em seus países de origem.

Um dos casos mais curiosos aconteceu com a Ford. A fábrica fez uma consulta a jornalistas e pessoas do ramo automobilístico sobre o lançamento de um novo carro no Brasil. Das opções oferecidas, a Ford acabou optando por um dos menos votados, o Maverick, que, por ironia do destino, viria a se tornar um dos maiores ícones entre os colecionadores de carros antigos nacionais algumas décadas mais tarde.

O fator que fez com que a Ford optasse pelo Maverick foi nitidamente econômico, pois a montadora utilizaria a plataforma básica dos antigos Aero-Willys. A Ford havia adquirido a fábrica da Willys no Brasil, no final da década de 1960, alguns anos antes do lançamento do Maverick. Assim, acabou aproveitando o maquinário, e possivelmente algumas peças do estoque, no seu novo carro.

Qual motor usar?

Mas o Ford Maverick precisaria de um apelo maior para conquistar o mercado nacional. Um “up” a mais seria dado com a instalação de um motor V8 de 5 litros (302 polegadas cúbicas) o small block da Ford. O projeto original foi desenvolvido para utilização inicial do motor 6 cilindros, o mesmo que equipava os carros da Willys.

Este motor, quando foi testado nos primeiros Maverick, apresentou um problema de superaquecimento no cilindro número 6. Para resolver o problema, foi instado um duto externo de refrigeração, que levava água mais fria ao último cilindro, evitando assim seu sobreaquecimento.

Como o motor 6 cilindros não foi bem recebido pelo mercado, e também como o estoque de peças herdado da Willys já estava acabando, a Ford decidiu oferecer um nova opção de motorização, o motor 4 cilindros de 2,3 litros. Este motor também não foi bem aceito pelos consumidores, afinal de contas ele era um motor muito pequeno para empurrar um carro tão grande e pesado. A ideia era concorrer com o Opala 4 cilindros de 2,5 litros, porém o motor da GM levava nítida vantagem por ter mais torque, vencendo melhor a inércia em um carro pesado.

O motor Ford 2,3 foi desenvolvido para ser um motor versátil, e seria utilizado inclusive em uma versão turbo no Ford Mustang da década de 1970. Por isso mesmo, ele recebeu em seu projeto uma atenção especial no que diz respeito à durabilidade e à resistência de suas peças.

Virabrequim de aço, bloco reforçado, bielas de curso pequeno e reforçadas, tudo isso para receber a carga extra gerada pela turboalimentação na versão Mustang. Acontece que a Ford não produziu um motor especial para receber o turbo. Todos os motores da linha eram produzidos da mesma forma, somente os pistões do motor turbo eram mais resistentes.

Este motor de 2,3 litros foi utilizado em outros carros da Ford, além do Maverick, como nas picapes F100 e F75, e na Rural.

Devido ao fraco desempenho nos carros de linha, ele não era bem visto pelas pessoas que procuravam um bom motor para montar seus hot rods. Porém, na década de 1980, um paulista resolveu adaptar este motor em seu Chevette, infelizmente não sei o nome dessa pessoa, mas o trabalho que ele fez foi de primeira. Ele desenvolveu uma capa seca especial feita em alumínio fundido e temperado, usinada para encaixar no bloco do motor 2,3 e na caixa do Chevette.

Dr. Jekyll e Mr. Hyde

Lembra do personagem de ficção do filme com o mesmo nome, em que um pacato médico inglês toma uma poção mágica e se transforma em uma fera imbatível? Pois é esta a sensação que se tem quando se anda em um carro com motor 2,3 turbinado: ele vira um monstro.

Esse motor tem algumas características muito peculiares. Além do bloco reforçado e das bielas resistentes, ele também tem como grandes qualidades o fato de ter comando no cabeçote, fluxo cruzado (admissão de um lado e escapamento do outro). Este detalhe facilita muito na adaptação de uma turbina.

Em 1991 eu projetei, construí (com a ajuda de uma equipe de amigos) e pilotei um carro tubular que venceu o campeonato metropolitano de arrancada no autódromo de Pinhais, em Curitiba. Este carro era um foguete, também bateu o recorde da pista, recorde este que só foi quebrado mais de um ano mais tarde, por um carro de arrancada importado dos EUA que utilizava um motor de 500 polegadas cúbicas (mais de 8 litros ou 8.0).

Adivinhem qual o motor eu utilizei? Isso mesmo, o pequeno notável Ford de 2,3 litros, adaptado a uma caixa de Chevette 4 marchas ligada a um diferencial também de Chevette com a relação de 3,54×1. Este motor engolia 1,2 kg de pressão de turbo, e injeção de óxido nitroso. Foi um dos primeiros carros a utilizar as duas tecnologias juntas no Brasil, turbo e nitro. Bons tempos.

Por isso, se você está pensando em fazer um hot rod e ainda está em dúvida quanto à motorização, se você não é radical a ponto de pensar que hot rod tem que tem motor V8, acho que acabei de colocar um pulga atrás da sua orelha. Infelizmente já está difícil encontrar um motorzinho desses jogado por aí. Mas quem sabe, com um pouco de sorte, você consegue o seu. Fica a dica.

VEJA TAMBÉM: Motores V8: Flathead, Hemi e Small Block.

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