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Curitibano tenta comprar carro de restaurador, mas acaba com um projeto feito sob medida na garagem

Texto: Flávio Faria
Fotos: Ricardo Kruppa

Roadster

Dizem que o hot tem a cara do dono e, neste caso, podemos dizer que é a mais pura verdade. Ao olhar o vizinho passeando com seu Roadster 1931, o curitibano Jorge Ghinis acabou se interessando pela cultura hot e tentou comprar o carro. Mas quem disse que o restaurador quis vender?  “Ele queria muito comprar o carro, mas como eu não queria me desfazer dele, resolvi montar um projeto especial e ele gostou da ideia”, conta Idini Gamballi, que começou a trabalhar no Ford Roadster 1932 que agora está nas nossas páginas. Por não saber detalhes técnicos da construção do carro, Jorge indicou Idini para nos mostrar como tudo foi feito.

Fibra sim!

Feito do zero por Idini, este Roadster começou a partir de uma carroceria em fibra. “Muitos até acham que é um carro de lata, acho que por conta da mentalidade que alguns ainda têm de que carro de fibra tem de ser feio. Um carro bonito não depende do material da carroceria, mas das regras de harmonia do projeto”, explica o restaurador, que utilizou uma fibra produzida pelo rodder Aurélio Backo, de Curitiba.

Além disso, é importante frisar que este tipo de carroceria é difícil de achar no Brasil em lata, porque poucos modelos foram importados. O motivo é que os carros que chegavam ao Brasil naquela época tinham mais o perfil de trabalho ou familiar, por isso encontramos por aqui muitos modelos Tudor ou picapes, mas poucos Roadsters, que apesar de ter a mesma base dos outros modelos, tinham a carroceria mais esportiva.

A cor escolhida para banhar a fibra foi o “azul Lugano”, da paleta original da Fiat. O estilo buscado pelo restaurador foi o hi-boy, que, entre outras marcas registradas, está a ausência de para-lamas. Foi uma preocupação do projeto utilizar equipamentos originais no exterior, ou seja, faróis, frisos, grade e demais acessórios externos são todos do Ford 32. A única exceção é a lanterna traseira, herdada de um Pontiac. Todas as peças foram importadas dos EUA, onde há um vasto mercado de itens para a família dos Fordinhos. “O mercado lá permite que você comece um projeto do zero e monte o carro inteiro”, comenta Idini. As rodas são originais da F-100, mas tiveram seu diâmetro diminuído para 15”, montadas em pneus Pirelli 7.10 na dianteira e 165/70 na traseira.

Tudo de primeira

Por dentro, tudo foi feito como manda o figurino. O kit de instrumentação do painel é da clássica Auto Meter, com um fundo especial esportivo comprado na americana Socal Speed Shop. O banco, inteiriço, foi revestido de couro cinza e o interior recebeu couro nas laterais e carpete no assoalho. O volante é da Art Billets, estilo banjo. Para não perder a cara de carro da década de 30, o sistema de som foi totalmente escondido, mas conta com equipamentos modernos com entrada para iPod.

Ford em um Ford

Por baixo do capô está abrigado um motor Ford V8 de 302 polegadas.  A decisão de utilizar este motor foi resumida por Idini em uma frase. “É um Ford em um Ford”. Na parte de baixo foram utilizados pistões fundidos em ligas hipereutéticas, mais duráveis e resistentes que os convencionais. Os comandos de válvulas são Compcams. A carburação é Webber, de 500cfm de vazão, que recebe ar de um coletor de admissão Edelbrock Performer Plus. Com essas modificações, o propulsor, que originalmente gera cerca de 200cv, ganhou mais 25% de potência, estando agora entre 250cv e 270cv.

Com o objetivo de ganhar mais espaço no interior da cabine, optou-se pela adoção de um câmbio automático, com acionamento por alavanca na coluna. A suspensão conta com sistema Four Link tanto na dianteira quanto na traseira, que utiliza uma barra Panhard. Os coil overs traseiros são da marca Aldan, em alumínio. Na dianteira o sistema foi feito com eixo rígido rebaixado em 4”, da Superbell. Os amortecedores dianteiros são do Volkswagen Sedan. O sistema de freios utilizado é da Magnum, projetado para ser utilizado em mangas de eixo dos modelos Ford a partir de 1937.

Na traseira, ele conta com os freios a tambor originais da Chevrolet S10, de onde também foi retirado o diferencial. Segundo Idini, o carro é extremamente estável e confortável. E um dos destaques é que é silencioso, principalmente por conta do bom sistema de suspensão. “Ele é muito macio, acho que nunca andei em um carro de lata que fizesse menos barulho do que este. Rodar com ele é extremamente silencioso”, conta ele. Com a suspensão trabalhando bem, resta aos ouvidos apreciarem o som do 302”.

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