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Empresário paulistano abre mão da placa preta para ter uma picape F100 exclusiva, com melhor desempenho e um visual customizado, sem as limitações da originalidade

Texto e Fotos: Pedro Lessa

Ford F100

Atualmente, são poucos os entusiastas que ainda têm disposição para restaurar completamente um carro antigo. Claro que, além da disposição, o trabalho requer muito dinheiro e conhecimento sobre o assunto. Mas, dependendo do caso e do estado de conservação do veículo, a dor de cabeça é algo inevitável. Ainda mais se a restauração implicar a necessidade de usar “partes” de outros carros e a troca de itens estruturais. A dificuldade para deixar tudo como era antes, quando saiu de fábrica, se torna ainda maior. Porém, é possível.

Prova disso é esta Ford F100, do empresário paulistano Marcos Vinicius Barbosa, de 23 anos. Acredite ou não, este carro estava em péssimo estado de conservação e teve de ser cortado ao meio, da cabine para trás, para trocar a caçamba por outra. Isso além de outros itens estruturais, que foram trocados, enquanto outros apenas restaurados. “Ganhei esta F100 do meu pai, em 2010, no dia do meu aniversário. Foi um sonho realizado, já que recebi este presente depois de passar uma boa parte da minha adolescência desejando ter um carro com motor V8. Por sorte, sou o terceiro dono dela”, explica.

F100
F100

Under construction

Como todo veículo antigo tem alguma deficiência, a deste era “desnecessariamente” grave. Desnecessária pelo fato de ter surgido depois de um trabalho simples feito por um funileiro que, segundo Marcos, conseguiu estragar toda a estrutura do carro. “Os problemas começaram quando o segundo dono da F100, o mesmo que me vendeu ela, decidiu restaurar o assoalho do lado do motorista, que tinha um “podre” relativamente grande.

Porém, o profissional não tinha capacidade para fazer o serviço, e a picape voltou às mãos do proprietário totalmente desalinhada e com a caçamba irrecuperável. Isso o desanimou e fez com ele me vendesse o utilitário. Mesmo assim, fiquei fascinado pela quantidade de itens originais do veículo, como frisos, acabamentos, e o motor V8 272, com câmbio de três marchas na coluna”, diz. Depois dos trâmites burocráticos, a F100 foi imediatamente encaminhada pelo novo dono para a oficina de funilaria dos tios de Marcos, na cidade de Santa Isabel (SP). “Desde a infância eu via meus tios trabalhando com carros da década de 1960, 70 e 80.

Sempre soube da especialidade deles e tive a certeza de que o trabalho ficaria muito bom se levasse a picape para lá”, relata Marcos, que escolheu a cor “Vermelho Calipso” para substituir a cor bege original, que já estava bem desgastada e apagada. “Depois de algumas semanas procurando, encontramos um vendedor que tinha uma caçamba original e praticamente sem uso de uma F100 do mesmo ano. Sem pensar duas vezes, cortamos a que já estava na minha picape e colocamos a nova”, completou. Os upgrades estéticos seguiram com o alargamento das talas das rodas aro 15” de ferro, originais, montadas em pneus Cooper Cobra. Atualmente as “rodelas” dianteiras possuem 8” de tala e as traseiras, 10”.

No interior da picape, Marcos se preocupou com os pequenos detalhes e importou, via internet, o novo cinzeiro e o acabamento do painel, além de ter feito a forração dos bancos originais e dos forros das portas em couro preto em um tapeceiro de Santa Isabel.

F100
F100

Bigger engine is better

Depois de prontos os serviços de funilaria, pintura e tapeçaria, Marcos finalmente poderia pegar a estrada com o V8, como sonhava fazer desde a adolescência. E assim fez: viajou com a picape até Aparecida (SP), contente pelo resultado positivo da restauração. Mas na volta, para a surpresa do proprietário, o motor ferveu, com direito a um pistão colado. “Notei que o radiador, que tinha passado por uma revisão, só tinha recebido uma tinta preta. Por dentro ele estava parcialmente entupido, o que impedia a passagem de água e fez com que o motor fervesse”, explicou.

Sem desistir do projeto, Marcos começou a fazer as contas para ver o que valeria mais a pena: “Fiz diversos orçamentos para refazer a mecânica V8 272 original, mas constatei que ficaria mais caro refazer esse motor do que montar um 302, e por isso, decidi instalar uma mecânica nova na F100”. Decidido o que seria feito, Marcos aproveitou a situação e pediu para que Henrique Porte, da equipe Dominator Performance, ficasse encarregado de montar o 302” e fizesse alguns upgrades simples que melhorassem o desempenho do carro em relação ao original.

As mudanças começaram com a instalação dos pistões Keith Black, modelo Flat Top, montados em bielas e virabrequim originais. Os cabeçotes de ferro receberam preparação da Peninha Street e foram montados com os comandos de válvulas Engle 276ºx276º. A alimentação do V8 agora é encabeçada por um carburador Holley quadrijet de 600 cfm, com sistema de vácuo, montado no coletor Edelbrock Performer RPM, enquanto os coletores de escapamento dimensionados foram feitos pela Coringa Escapamentos Especiais.

A linha de combustível conta com bomba mecânica da Holley e dosador da mesma marca. O combustível que alimenta o faminto V8 Ford é gasolina O sistema de ignição também recebeu melhorias, com a troca da bobina, distribuidor e módulo de ignição por modelos da Procomp, além dos cabos de vela MSD de 8,8mm e velas NGK. No sistema de suspensão, apenas novos amortecedores da Koni na dianteira e retrabalho no sistema de feixe na suspensão traseira, além do novo setup de altura feito pelo Drop Kit 4”.

F100
F100

Hit the road!

Finalmente, o projeto de Marcos ficou pronto, sem render mais dores de cabeça ao proprietário. Marcos dá uma dica aos que estão executando, ou pretendem executar, um projeto com base em um carro antigo: “Infelizmente ainda é grande o risco de deparar com algum profissional desqualificado, principalmente se a intenção do proprietário for economizar dinheiro. Porém, basta procurar por indicações seguras e, assim, a satisfação será garantida, como foi o meu caso”, diz. Nos planos de Marcos está a instalação de ar-condicionado e um câmbio automático na picape, além de outro modelo de rodas. “Mas nada que tire o carro da originalidade e mude a personalidade dele, afinal, é isso o que me agrada!”, conclui.

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