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Conheça o lançamento da Ford Motor Company para 1958 que sobreviveu pouco tempo

Texto: Aurélio Backo
Fotos: Divulgação

Edsel

Em setembro de 1957 foi lançado no mercado norte-americano o Edsel. Era um carro completamente novo e fabricado por uma nova divisão da Ford Motor Company – a divisão Edsel. A missão dessa nova divisão era preencher uma lacuna nos produtos da montadora.
Desde 1948, os diretores da Ford Motor Company perceberam que o leque de produtos da montadora não atendia ao desejo de todos os seus clientes.

A Ford tinha na rival General Motors um bom exemplo de uma linha bem escalonada. Os carros produzidos pela GM eram divididos por valor e sofisticação na seguinte ordem: Chevrolet,  Pontiac, Oldsmobile, Buick e, por fim, o prestigioso Cadillac (a vizinhança do seu bairro sabia que você estava progredindo na vida pelo carro novo que você comprava…).

Já a linha da Ford era pequena. O Ford era o carro de entrada, depois dele vinham os modelos da Mercury, mais sofisticados, e o topo ficava com o luxuoso Lincoln. A linha Edsel foi criada para atender a uma lacuna entre os Mercury e os Lincoln e seus rivais na GM seriam os Oldsmobile e Buick.

Edsel 1958
Edsel 1958: na frente a grade central era inspirada nos radiadores dos carros da década de 30

Edsel 1958

O principal argumento de um novo carro para atrair os compradores era o estilo. No projeto do Edsel foi escolhido um desenho que o fazia ser identificado a uma quadra de distância. Não importando se o carro estava indo ou vindo. Na frente foi criada uma exótica grade central na vertical ladeada por duas grades horizontais. Essa grade central lembrava a grade dos carros das décadas de 1930. Na traseira do Edsel, o elemento que chamava a atenção eram as longas lanternas em formato de asa de gaivota.

Um americano bem sucedido em busca de um automóvel de preço médio encontrava na linha Edsel 1958 uma  ampla gama de produtos. As versões em ordem de sofisticação eram denominadas: Ranger, Pacer,  Corsair e Citation. Havia ainda três modelos de station wagon: Roundup, Villager e Bermuda.

Apesar de esses modelos serem fabricados por uma nova divisão, a linha compartilhava elementos das outras marcas da montadora. Os Ranger e Pacer compartilhavam o chassi do Ford, enquanto os Corsair e Citation usavam uma versão alongada do chassi dos Mercury. Já as station wagon compartilhavam, além do chassi, a carroceria básica do Ford. Já no departamento de motores do Edsel, os V8 de 361 polegadas cúbicas (5,9 litros e 303 HP) e o V8 de 410 polegadas cúbicas ( 6,7 litros e 345 HP) eram versões dos  motores que também equipavam os Ford e os Mercury. Mecanicamente a grande novidade do Edsel era o comando por botões da caixa automática. Detalhe: os botões ficavam no centro do volante! Uma grande sensação para a época!

No primeiro dia de vendas, foram comercializadas aproximadamente 4.000 unidades do novo carro! O futuro parecia brilhante para o Edsel, mas algo de errado aconteceu. A estimativa era vender 200.000 carros do modelo de 1958, mas no fim da temporada apenas 63.110 unidades foram comercializadas…
As razões para a baixa aceitação do carro não eram muito claras, e vários fatores foram levantados:

  • A grade central vertical: esse detalhe era muito exótico e nem todos o achavam bonito. E, para piorar, essa grade ganhou o apelido pejorativo de “colar de cavalo” (aquele apetrecho colocado no pescoço dos cavalos que puxam carroça).
  • Qualidade da montagem: a montagem do Edsel era intercalada nas linhas dos Ford e Mercury, e isso resultou numa qualidade de montagem menos cuidadosa.
  • Recessão na economia: na época a economia norte-americana atravessava uma recessão, o que desestimulava a compra de carros novos.
  • Credibilidade: uma rede de novas concessionárias Edsel foi criada para comercializar o novo produto e, com as vendas em baixa, muitas fecharam, desacreditando o modelo.
Edsel 1958
Edsel 1958: a grande sensação do carro era o acionamento da caixa automática por botões no centro do volante

Edsel 1959

Para cortar custos, o modelo 1959 passou a compartilhar a carroceria do Ford Fairline. A station wagon também era baseada na carroceria da Ford. Apesar de compartilhar o corpo básico com o “primo pobre”, o novo modelo tinha um estilo distinto. Na dianteira ainda havia a grade central vertical, mas agora seu desenho era mais suave e incorporada nas grades laterais. Apesar da melhora da qualidade do carro e do novo estilo mais convencional, as vendas continuaram baixas. Apenas 44.861 unidades foram fabricadas.

Edsel Villager 1959
Edsel Villager 1959 nove passageiros: a station wagon compartilhava a carroceria com a Ford

Edsel 1960

Em outubro de 1959, o novo Edsel 1960 foi posto à venda. O modelo era agora ainda mais parecido com o Ford. A grade central, a marca visual do Edsel, foi abandonada. No seu lugar foi colocado um adorno que lembrava uma ampulheta. Essa grade acabou ficando muito parecida com a de um carro da concorrência, o Pontiac de 1959.

Em novembro de 1959, após quase um mês do lançamento do novo modelo, a Ford Motor Company tomou uma decisão difícil: encerrou a produção do Edsel. Muito foi investido no desenvolvimento e produção do carro, mas a rejeição ao produto não tinha mais como ser revertida.

Do modelo 1960  foram produzidas apenas  2.846 unidades.
Com o fim do Edsel, este produto da Ford passou a ser citado como sinônimo de fracasso…

Hoje, um Edsel como carro antigo é muito desejado. Faz parte da história da indústria automobilística como exemplo a não ser seguido. E como foi produzido em pequena quantidade, chama a atenção quando um aparece em um museu, evento ou na rua.

VEJA TAMBÉM: Original – Chevrolet El Camino 1959-60: transportando com estilo!

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